C A H E R J

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Capelania Evangélica do Rio de Janeiro

domingo, 11 de setembro de 2011

Religiosidade/espiritualidade e doença cardiovascula

Religiosidade/espiritualidade e doença cardiovascular
                                                    http://www.scielo.br/pdf/rpc/v34s1/a12v34s1.pdf

                                                    HÉLIO PENNA GUIMARÃES, ÁLVARO AVEZUM



Hummer et al. (1999) foram os primeiros a demonstrar a correlação entre prática religiosa e redução da mortalidade por causa cardiovascular, mesmo após ajustes em análise multivariada para sexo, idade, educação, etnia e 
status social. No entanto, no que concerne à adoção de hábitos de vida saudável, após os ajustes para todas as 
co-variáveis e estilo de vida saudável, projeta-se p = 0,86 (ns), que, a despeito da perda de significância, indiretamente reforça o papel da religiosidade/espiritualidade em mudanças de hábito de vida.
Goldbourt et al. (1993) avaliaram o impacto da religião ortodoxa na doença arterial coronária em 10.059 pessoas em Israel por cerca de 23 de seguimento, demonstrando associação não ajustada de RR de 0,69 (p = 0,05), e após ajuste para fatores de confusão, como hábitos de vida, RR de 0,72 (p = 0,05). Colantonio et al. (1992), avaliando fatores preditores psicossociais para acidente vascular cerebral (AVC) em idosos não institucionalizados, determinaram, em 2.812 idosos de Connecticut,  status de depressão por meio da escala do Center for Epidemiologic Studies Depression Scale (CES-D). Esse estudo revelou altos valores de escores de CES-D como importante preditor de AVC (p < 0,05), e a prática freqüente de serviços religiosos foi associada à menor incidência de AVC (p < 0,001). Porém, ao se dispor esse achado em análise multivariada (p < 0,05), correlacionando sexo, idade, hipertensão, diabetes e tabagismo, nem os escores de depressão, nem a análise de religiosidade, mantiveram sua significância.
Em geral, os achados sugerem que aspectos da religiosidade com a prática semanal (RR = 0.93, ns) podem ser fatores protetores contra doenças cardiovasculares, por promover melhor controle de ansiedade/estresse e hábitos saudáveis de vida (Powell  et al., 2003). No entanto, certamente mais estudos longitudinais devem ser efetuados para a comprovação de sua relação com a morbidade cardiovascular.

O impacto da espiritualidade na saúde física. Impact of spirituality on physical health

Impact of spirituality on physical health
                                                                                        http://www.scielo.br/pdf/rpc/v34s1/a12v34s1.pdf

                                                                              HÉLIO PENNA GUIMARÃES e ÁLVARO AVEZUM


Palavras-chave: Espiritual, religião, saúde física.

Resumo
Contexto: As implicações da espiritualidade na saúde vêm sendo cientificamente avaliadas e documentadas em centenas de artigos, demonstrando sua relação com vários aspectos das saúdes física e mental, provavelmente positivos e possivelmente causais. Objetivo: Apresentar de forma concisa as evidências recentes do papel da espiritualidade e da religiosidade em diversos campos da prática clínica diária. Métodos: Para uma revisão descritiva foram selecionados artigos no banco de dados Medline, por meio dos unitermos: “religiosity”, “religion”, “spiritual” e “spirituality”.
Os artigos foram avaliados por análise de método e determinação de limitações de desenho. Resultados: Foram apresentados de forma descritiva e concisa relevantes achados referentes às associações entre a espiritualidade/religiosidade e atividade imunológica, saúde mental, neoplasias, doenças cardiovasculares e mortalidade, além de aspectos de intervenção com uso de prece intercessória. Conclusões: Há crescente acúmulo de evidências sobre a relação entre religiosidade/espiritualidade e saúde física, mas por essas evidências ainda não serem adequadamente robustas, este se constitui em promissor campo de investigação.
Guimarães, H.P.; Avezum, A. / Rev. Psiq. Clín. 34, supl 1; 88-94, 2007



A espiritualidade poderia ser definida como uma propensão humana a buscar significado para a vida por
meio de conceitos que transcendem o tangível: um sentido de conexão com algo maior que si próprio, que
pode ou não incluir uma participação religiosa formal (Saad et al., 2001; Volcan, 2003). A espiritualidade e sua relação com a saúde tem se tornado claro paradigma a ser estabelecido na prática médica diária. A doença permanece como entidade de impacto amplo sobre aspectos de abordagem desde a fisiopatologia básica até sua complexa relação social, psíquica e econômica; é fundamental reconhecer que esses diversos aspectos estão correlacionados em múltipla interação


A espiritualidade, a despeito de seu freqüente imbricar com a religião, historicamente tem sido ponto de satisfação e conforto para momentos diversos da vida, bem como motivo de discórdia, fanatismo e violentos confrontos.  Convém definir neste cenário que a religiosidade e a espiritualidade, apesar de relacionadas, não são claramente descritas como sinônimos. A religiosidade envolve sistematização de culto e doutrina compartilhados por um grupo. A espiritualidade está afeita a questões sobre o significado e o propósito da vida, com a crença em aspectos espiritualistas para justificar sua existência e significados (Saad et al., 2001; Powell et al., 2003).
A comprovação da utilização de aspectos distintos da espiritualidade e da religiosidade como suporte, terapêutica e determinação de desfechos positivos em diversas doenças tem constituído emblemático desafio para a ciência médica. Em se considerando as limitações éticas e de método, demonstra-se o quão dificultoso se faz mensurar e quantificar o impacto de experiências religiosas e espirituais pelos métodos científicos tradicionais.Em recente levantamento de dados no site de pesquisa para publicações médicas indexadas de maior impacto clínico (sistema Medline) e utilizando as palavras-chave “religion and health”, foram encontrados cerca de 35.828 publicações entre 1982 e 2007; em se modificando para “spirituality”, foram encontrados 4.434 artigos no mesmo período. Nesse contexto, discernir os melhores desenhos de estudo e encontrar as melhores evidências que suportem a associação entre espiritualidade e saúde constitui novo, intrigante e profundo paradigma para a medicina moderna.  Este artigo tem por objetivo apresentar de forma
concisa as evidências recentes do papel da espiritualidade e da religiosidade em diversos campos da prática
clínica diária.

continua...  http://www.scielo.br/pdf/rpc/v34s1/a12v34s1.pdf

domingo, 4 de setembro de 2011

Cristão no século XXI

Ser cristão no século XXI

por Luiz Felipe Pondé -   Um dos mo ti vos para ser cris tão hoje seria recuperar a sabedoria da tradição cristã anterior às manias e aos dogmas modernos. Ser cristão pode significar muitas coisas. Interessa-me, especifica- mente, o modo como o pensamento cristão se constituiu como crítica do dogma humanista da perfectibilidade. Acredito que a reflexão sobre o orgulho seja central na economia psíquica humana. E acredito ser essencial que resistamos às bobagens modernas que transformaram tudo em auto ajuda.
 Luiz Felipe Pondé leciona no Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião e
do Departamen to de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e é
professor e pesquisador convidado em Mística Medieval da Universidade de Marburg, Alemanha. Graduado em Medicina, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e em Filosofia Pura, pela USP, é mestre em 
História da Filosofia Contemporânea, também pela USP, e em Filosofia Contemporânea, pela Université de Paris VIII, França.

por Martin Dreher -  Sou cristão por que fui conquistado por uma criança com membros frágeis, que foi 
deitada em um cocho, pois não havia espaço para ela em sua sociedade. Não nasceu nem no palácio de Augusto nem no palácio de Herodes, mas entre os animais. Teve pai e mãe, mas precisou nascer na
margem da margem, em terra ocupada por estrangeiros, em aldeia insignificante, reverenciada por gente da margem: pastores e pastoras fedorentos e astrólogos nada ortodoxos. Sou cristão porque fui conquistado pelos membros frágeis do crucificado do Gólgota, que me ensinou a ter esperança e a depositá-la no Rei no de Deus, utopia que buscou concretizar em sua existência, lembrando as aves do céu, as raposas em seus 
covis, os lírios do campo, a semente que cresce enquanto dormimos, partilhando cinco pães e dois peixes 
e conseguindo saciar quem tinha fome, que soube devolver à mãe o único filho, amparo na velhice,
que soube devolver dignidade a excluídos. Com base nesses sinais, manifesto minha esperança no
Reino de Deus e procuro comunicá-los, mesmo que de maneira imperfeita e provisória. Estou
convicto de que eles são mais importantes do que ciência e técnica e que um mundo secularizado
carece, desesperadamente, deles.
Martin Dreher é graduado em Teologia, pela Escola Superior de Teologia (EST), e doutor na
mesma área pela Universität München, Alemanha, com a tese Kir che und De utschtum in der
Entwicklung der Evangelischen Kirche Lutherische Bekenntnisses in Brasilien.

Oncologistas se sentem despreparados para lidar com a morte


Oncologistas se sentem despreparados 
para lidar com a morte
                                                                                                                      Por agenusp@usp.br                                                                        

Estudo da psicóloga Lílian Cláudia Ulian Junqueira, desenvolvido na  Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, revelou que médicos oncologistas sentem a falta de abordagem das várias dimensões do ser humano no ensino de graduação. O estudo aponta que os médicos, apesar da marca positivista na formação, já enxergam além dos aspectos orgânicos do paciente. “Além da formação acadêmica, o profissional precisa entender a própria finitude para poder olhar as várias dimensões do paciente que vivencia sua terminalidade”, diz a pesquisadora.
Na pesquisa, orientada pelo professor Manoel Antônio dos Santos, da FFCLRP, Lílian entrevistou oito oncologistas. Para a coleta e análise dos dados utilizou o método fenomenológico, que se propõe a ir à essência das coisas, valorizando para tanto a descrição que cada participante do estudo oferece de suas vivências. Os resultados revelaram que os médicos têm uma abertura para a compreensão da experiência religiosa do paciente. No entanto, o fazem com muita dificuldade e ambigüidade quanto às condutas a serem adotadas, o que os faz transitar entre o cuidar autêntico e o inautêntico.
“Apareceram momentos em que eles se sentiram desconfortáveis ou mesmo irritados, por exemplo, quando o tratamento é preterido pelo paciente, que o coloca em segundo plano, justamente na hora em que se esperava adesão à terapêutica instituída. Nesses casos, as possibilidades de cura são delegadas a Deus. Nessa hora, o profissional se sente impotente e destituído de importância”, conta Lílian. “Em outros momentos, eles perceberam que o paciente necessita do movimento de se ‘religar’ com o transcendental, que a religiosidade propõe, lembrando aqui da origem etimológica do termo religião”.
De acordo com a psicóloga, os médicos contam que respeitam as crenças dos pacientes porque sabem que, com isso, conseguirão se aproximar deles e, assim, poderão levar o tratamento em paralelo à busca de apoio espiritual. “O médico percebe que a espiritualidade pode ser uma excelente aliada na luta contra as adversidades e o sofrimento, que são inerentes ao adoecimento por câncer”, acrescenta.
Sofrimento
Lílian aponta que o estudo procurou fornecer subsídios para o planejamento de intervenções terapêuticas e pode contribuir, principalmente, na aproximação com o paciente em situação de sofrimento. “Muitas vezes os profissionais, que estão numa posição de acolher tanta dor e sofrimento, não têm com quem compartilhar seus sentimentos. Não dispõem de um espaço formal para cuidarem de si”, alerta. “Por essa razão, eles apontam a necessidade  de maior atenção à dimensão psicológica do ser humano no currículo de  graduação em Medicina, o que é recomendado pela filosofia dos cuidados paliativos”.
Segundo a psicóloga, com o amadurecimento do profissional, por mais que ele traga a marca positivista da formação, acaba olhando o paciente como ser humano, um ser integral e, portanto, um ser de possibilidades. “A maioria tem uma família constituída, pratica alguma atividade de lazer, ou seja, vivencia outros aspectos da vida, o que é fundamental para que enxergue também outras dimensões no paciente”, afirma.
Lílian observa ainda que o aprofundamento contemporâneo da questão da bioética, também fez surgirem muitas dúvidas e o próprio médico não tem um parâmetro claro dos limites, ou esses limites não estão tão claros. “O médico, no decorrer de sua formação e de sua prática, exercita forte obstinação terapêutica”, ressalta. “Mas, se ele começa a pensar na sua própria finitude, automaticamente vai pensar no outro, no que é morrer  bem, do ponto de vista biopsicossocial e espiritual”.
Essas questões são abordadas em profundidade na disciplina O Câncer, a Morte e o Morrer, oferecida anualmente pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia, da FFCLRP.Os resultados da pesquisa serão apresentados ainda este mês para obtenção do título de mestre junto ao Programa de Pós-graduação em Psicologia da FFCLRP. Os resultados preliminares do estudo, no entanto, já foram premiados, em agosto, no X Congresso da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia e III Encontro Internacional de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos, realizados em Fortaleza, Ceará. A pesquisadora recebeu o primeiro lugar entre as comunicações orais e obteve a segunda colocação entre os pôsteres apresentados.
Para o orientador da pesquisa, os prêmios recebidos significam o reconhecimento da área de Psico-oncologia e revelam a necessidade de novas pesquisas para desvelar as percepções de um profissional que é chave nos serviços de saúde e que ainda ocupa uma função crucial dentro da assistência em oncologia, mesmo em época de multi e interdisciplinaridade. “Cuidar transcende o simples tratar, pois abarca, além das dimensões físicas, as demandas emocionais, espirituais, sociais, culturais e éticas do doente”, ressalta Manoel Antônio dos Santos. “Cuidar de alguém que vivencia sua finitude exige uma assistência que não seja centralizada nas necessidades físicas e no alívio da dor somente, mas que tende a ver a integralidade do ser, em seu caráter de impermanência”.

                             (Fonte: Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto)
                                                                                                          http://www.usp.br/agen/?p=6215
                                                                                                           Publicado em 16/setembro/2008
                                                                            masantos@ffclrp.usp.br 


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Moção de Aplausos ao Rev. Capelão Washington Luis Andrade Campello,


MOÇÃO Nº 11456/2010
            EMENTA:
            DE CONGRATULAÇÕES E APLAUSOS AO REV. CAPELÃO WASHINGTON LUIS ANDRADE CAMPELLO – PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE CAPELANIAS HOSPITALARES RJ - CAHERJ.
Autor(es): Deputada BEATRIZ SANTOS
    A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro no uso de suas atribuições e mediante proposta da Deputada Beatriz Santos, confere Moção de Aplausos ao Rev. Capelão Washington Luis Andrade Campello, Presidente da Associação de Capelanias Hospitalares RJ - CAHERJ, em comemoração ao DIA DA BÍBLIA. A Bíblia é um livro de sabedoria, que compreende a natureza humana e que revela o caráter e propósito Daquele que criou todas as coisas. E através dessa palavra, pelos séculos, muitos aprenderam sobre justiça e amor de Deus.
                O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração” (Isaías 61:1).
    Nesse sentido, entrego esta Moção ao agraciado, que vem se destacando na propagação dessa palavra, com muita sabedoria e comprometimento aos mais elevados valores morais e espirituais.
    Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 13 de dezembro de 2010. BEATRIZ SANTOS Deputada Estadual





http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro0711.nsf/1e1be0e779adab27832566ec0018d838/1dc0b674699d1dff832577f4004c2447?OpenDocument

Informações Básicas

Código20101411456AutorBEATRIZ SANTOS
ProtocoloMensagem
Regime de TramitaçãoOrdinária

Datas:
Entrada09/12/2010Despacho09/12/2010
Publicação14/12/2010Republicação

Comissões a serem distribuidas

Curso de Capelania Pós Alta Médica no RJ


Curso de Capelania

O luto e a enfermidade são áreas da vida díficeis de lidar.
Normalmente não sabemos se sorrimos, se choramos, não sabemos lidar com nosso fisionomia.
Também não sabemos se falamos, se apenas ouvimos, se lemos algum verso, nao sabemos lidar com nossas palavras.

Com isso perdemos oportunidades de pregar o amor e a paz que Deus nos oferece e confortar pessoas que precisam de esperança.
Mas por mais dificil que seja falar ou se expressa, podemos aprender a lidar com estas dificuldades!
A CAHERJ - Associação de Capelania Hospitalar Evangelica do Rio de Janeiro, oferecerá um curso voltado para a visita hospitalar pós-alta, ou seja, com aquelas pessoas que não estão mais em hospitais, mas em suas casas ainda doentes, ou já curadas.

O objetivo do curso é capacitar igrejas para atuar como equipe de apoio pastoral para visitas domiciliares para enfermos, tanto das igrejas, como dos hospitais da sua região, dando-lhes atendimento espiritual, emocional e social.
O curso será nos dias:

24 setembro 2011 
Horário: 8 as 17 horas 
Local: Praça da Cruz Vermelha, 42 - Centro - Rio de Janeiro - RJ 
Investimento: R$ 35,00 (material didático )
contato: Igor Nogueira (21) 86900466  e-mail: insers@r7.com


08 de outubro 2011
Horário: 8 as 17 horas 
Local:Igreja em Células Ministério Nova Canãa
Rua Urbano Duarte, 25 - Vila Rosário - Duque de Caxias
Investimento: R$ 35,00 (material didático )
Paloma (plmsilva@hotmail.com)


Este curso foi elaborado de forma didática, através de vídeos, palestras e dinâmicas de grupo, visando fortalecer a identidade missionária da igreja local.  Através deste, os membros de sua igreja serão capacitados para atuar como uma equipe de apoio pastoral para visitas domiciliares aos enfermos.  
           A igreja receberá também orientação para elaboração de um projeto de visitação domiciliar, alcançando a vizinhança através de Missões Urbanas. 
Duração: Um sábado, das 08:00 às 17:00hs 
Número mínimo de alunos: 30
Investimento individual: R$ 35,00 ( material didático ) 
Agendamento e informações: e-mail: acaherj@gmail.com                                   http://caherj.blogspot.com

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Resumo dos capítulos 27 e 28 do livro Teologia do Novo Testamento, George Eldon Ladd


Resumo do livro Teologia do Novo Testamento capítulos 27 e 28, George Eldon Ladd

Palavras-chave: Judeu, Jerusalém, Cristão.

            A vida e o ministério de um fariseu convertido, Paulo é a mais notável interpretação do significado da pessoa e do trabalho de Jesus no Novo Testamento.  Sendo um homem de três mundos: judaico, helenístico e cristão.  Em relato próprio em atos 22:3, declara haver sido “criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais”.  Uma declaração que afirma que Paulo estudou em Jerusalém, na escola do famoso rabino Gamaliel.
            Paulo estava também familiarizado com o mundo grego, e fundou sua missão estendendo a Igreja através do mundo grego-romano e interpretando o evangelho de uma forma que fosse compatível com a cultura helenística.  Paulo era conhecedor  da língua grega, e suas metáforas literárias refletem mais a vida urbana do que um ambiente rural.
            Embora se acredite que a conversão de Paulo só pode ser explicada pala confrontação real com Jesus ressuscitado, não se pode concluir que ele tenha necessariamente recebido sua teologia completa em Damasco, e tampouco podemos limitar as origens de seu pensamento ao Antigo Testamento e aos ensinamentos de Jesus.  Ao contrário, parece que Paulo estava preparado como teólogo judeu para pensar sob a orientação do Espírito Santo, nas implicações do fato de que Jesus de Nazaré crucificado era de fato o Messias e o Filho de Deus ressurreto, que fora elevado ao céu.  Isso levou a muitas conclusões radicalmente diferentes daquelas que mantinha como judeu, entre as quais a mais notável é sua nova – e bastante não judaica – interpretação do papel da lei.
            Diante do fato do próprio Paulo afirmar que recebeu uma educação teológica rabínica antes de tornar-se cristão, a abordagem correta pareceria aceitar essa afirmação e interpretar o pensamento Paulino de acordo com um fundamento judeu, porém ter em mente, nos pontos mais importantes, a possibilidade de influências helenísticas ou protognósticas.
            Paulo era um monoteísta inflexível (Gl.3.20;Rm3:30) e rejeitava severamente a religião pagã (Cl. 2.8), a idolatria (1 Co. 10:14,21) e imoralidade (Rm.1:26).  Considera o Antigo Testamento como Sagrada Escritura (Rm. 1.2; 4:3), a Palavra de Deus divinamente inspirada (2 Tm 3:16).  O método de Paulo, de interpretação do Antigo Testamento, o coloca na tradição do judaísmo rabínico.
            Como rabino judeu, Paulo partilhava, inquestionavelmente, a fé judaica da centralidade da lei. Mesmo após converter-se ao cristianismo, afirmou que a Lei é espiritual (Rm 7:14), santa, justa e boa (Rm. 7:12); e nunca questionou a origem divina e a autoridade da Lei.
            Como um rabino judeu, zeloso pela Lei, Saulo estava igualmente entusiasmado em exterminar esse novo movimento religioso que exaltava a memória de Jesus de Nazaré.  O livro de Atos atesta que Paulo estava em Jerusalém e, de algum modo, participou da morte de Estevão (At. 8.1); e as próprias palavras de Paulo demonstram que ele foi levado pelo fervoroso propósito de aniquilar o movimento representado por Estevão (Gl. 1:13; 1 Co 15:9; Fp 3:6).
            Algo aconteceu e provocou uma transformação completa na perspectiva de Paulo.  Três fatos característicos em sua missão apostólica: ele proclamou o Cristo, que antes perseguira; estava convicto de que era sua missão particular levar o evangelho aos gentios; e pregou a justificação pela fé em completo contraste com as obras da Lei e sem levá-las em consideração.  O próprio testemunho de Paulo não retrata um contexto de angústia, desespero ou vacilação em suas convicções judaicas.  Sua conversão foi uma inversão abrupta de sua atitude anterior para com Jesus, seus discípulos e a Lei; e muitos estudiosos abandonaram a explanação psicológica e aceitam o testemunho Paulino, embora não consigam explicá-lo.
            A conclusão de que Jesus era o Messias prometido no Antigo Testamento exigiu que Paulo fizesse uma revisão sobre seu entendimento da história da redenção.  Ele continuou a esperar pelo Dia do Senhor, pela aparição do Messias em poder e glória para estabelecer  seu Reino escatológico.  Paulo não abandonou o esquema judaico das duas eras e do caráter mau da era presente ( Gl. 1:4).
            Paulo faz um contraste ente a morte, que entrou neste mundo por meio de um homem, e a ressurreição dentre os mortos, que também entrou neste mundo por intermédio de um homem.  A ressurreição acontece em diferentes estágios: Cristo, as primícias, é o primeiro estágio da ressurreição; o segundo estágio consistirá daqueles que pertence a Cristo na sua vinda.  Paulo descreve a vida no Espírito como uma realidade escatológica.  O Antigo Testamento considerava o derramamento do Espírito sobre toda a carne como um evento escatológico, que seguiria o Dia do Senhor vindouro, o julgamento messiânico e a salvação.  Para Paulo, a completa experiência da vida do Espírito Santo era um evento escatológico futuro associado à ressureição, quando os mortos em Cristo se levantarão com “corpos espirituais”
            A conversão de Paulo, para ele mesmo, a conclusão de que, de certa forma real, os eventos escatológicos haviam começado, porém dentro da história – dentro desta era demoníaca atual. 
            O novo entendimento de Paulo sobre a história da redenção está resumido em 2 Coríntios 5:16-17: “Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já o não conhecemos desse modo.  Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. 
            A teologia de Paulo é a exposição dos novos fatos redentores; a característica comum em todas suas idéias teológicas é seu relacionamento com o ato histórico de Deus da salvação em Cristo.   Em suma, Paulo encontrou uma nova compreensão da revelação; ou melhor, recuperou o entendimento profético da revelação com eventos redentores divinos, interpretados pela palavra profética: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” ( 2 Co. 5:19).  A conversão de Paulo representou uma recuperação do sentido da história liberta doura que o judaísmo havia perdido.  A experiência que teve com Cristo impulsionou-o para além da Lei Mosaica, para redescobrir a promessa feita a Abraão e ver seu cumprimento nos eventos recentes, na pessoa e na obra de Jesus.
            Atualmente, nove das treze epístola paulinas tradicionais são geralmente aceitas como autênticas.   Não podemos,  falar da teologia de Paulo como um sistema abstrato, teórico, especulativo; mas podemos reconhecer uma teologia paulina como uma interpretação do significado da pessoa e da obra de Cristo em sua importância prática para a vida cristã, tanto individual como coletivamente.  É, pois, inadequado distinguir entre a teologia de Paulo e sua religião, como se a primeira fosse especulativa e a segunda, prática.  Para Paulo, a teologia e a religião são inseparáveis.  Paulo era um pensador teológico, para quem os “conceitos” teológicos eram fatos a respeito de Deus, da humanidade e do mundo, que descreviam o estranhamento do mundo para com Deus e a obra de Deus em Cristo para trazer o mundo de volta a si.
            As fontes do pensamento de Paulo são situações completamente históricas e têm que ser estudadas nesse contexto.  O método “texto-de-prova” para interpretar as cartas de Paulo, que as encara como revelações diretas do poder sobrenatural de Deus, pois fornecem aos homens verdades eternas, atemporais, que apenas precisam ser sistematizadas para produzir uma teologia completa; obviamente ignora os meios pelas quais Deus ficou satisfeito ao dar sua Palavra aos homens.
            O senso de autoridade de Paulo não é particularmente seu, mas foi-lhe conferido, como apóstolo, pelo Senhor.  É como apóstolo,  que Paulo reivindica uma alta autoridade.  Sua experiência no caminho de Damasco não apenas o fez reconhecer Jesus como o Messias ressuscitado e glorificado; mas também continha uma chamada de Deus a uma missão particular.  Esse fato está registrado nos relatos da conversão em atos (9:15-16; 22:15) e é confirmado pelas próprias.  Deus havia separado, antes de nascer, para pregar o evangelho aos gentios.  A consciência do cumprimento de uma missão ordenada por Deus está em todas correspondência.  Ele era o apóstolos dos gentios e ampliou seu ministério para iniciar a fé, e os judeus (Rm. 11:13).
            Como apóstolo, Paulo não mantinha uma autoridade exclusiva, mas uma autoridade que dividia com os outros apóstolos.  O fato singular no apostolado de Paulo foi sua missa distintiva para com os gentios.