C A H E R J

C A H E R J
Capelania Evangélica do Rio de Janeiro

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DEUS É BOM SEMPRE!!!!

Bom amigos,

    vocês tem acompanhado nosso caminhar por "vales de ossos secos" e sou grato a Deus por suas orações em favor a nossa familia. Saiba que são de muita importância para nos manter renovados a cada dia.  Como nós, há outras familias que também passam por momentos difíceis, saúde, finanças, familiar, relacionamentos e tantos outros problemas.  Somos orientados que "nesse mundo encontraríamos aflições e que deveríamos ter bom ânimo". É no Evangelho de João que encontramos no versículo 33 do capítulo 16, que aliás é o próprio Mestre de fala: "Tenho vos dito isso, par que em mim tenhais paz, no mundo tereis aflições, mas tende com ânimo; eu venci o mundo."   Deveríamos estar 'ligados' ou preparados para as aflições desse 'mundo', e dificulta ainda mais nossa perspectiva quando Jesus diz haver possibilidade de paz nesses momentos. Certo que somente nEle encontraremos essa paz.  sabemos que somente com uma vida de 'comunhão' ou conhecimento dEle haveremos de conseguir ter PAZ.  Mas somos de fato abalados e estremecidos quando há turbulência. Falta-nos Fé para permanecermos convictos em nosso caminhar. Não é confortável imaginar a respeito da possibilidade que somos passíveis de sofrimento nessa caminhada, não deveríamos ficar surpresos pois vivemos em um mundo caído e habitado por pecadores. Piora tudo quando nos relacionamos com pessoas que sofrem, não sabemos bem como assistir, pois não temos 
em nós mesmos respostas para o sofrimento humano. Até por que vendo o sofrimento no outro reproduzimos em nós a possibilidade de também sofrer. 
     Na Bíblia encontramos muitos textos que aborda questões do sofrimento, no entanto como não é algo 'interessante' sempre somos levados para textos de vitória e prosperidade. Complica ainda mais um pouquinho quando somos levados a querer compreender sobre a soberania divina e sem falar nos propósitos divinos em nossa caminhada (em nosso viver).  Deus é soberano sobre tudo e todos, até mesmo o sofrimento. Deveríamos em vez de alimentar questionamentos sobre Deus em relação ao sofrimento, experimentar Deus no sofrimento. (Êx 4:11; 1 Sm 2:2-7; Dn 4:34-35:Pv16:9; Sl 60:3 Is 45-7).
     Encontramos também na Bíblia que Deus é bom. Apesar de ser difícil compreender, Deus através de sua bondade está junto em nossas dores. ( Sl25.7-8; 34:8-10; 33:5; 100:5; 136; 145:4-9).   Veremos que o propósito de Deus em nosso viver em meio ao sofrimento, seja para nossa redenção, seja como uma ferramenta divina usada para operar Seu propósito redentor em nós ( Rom 8:17; 2 Co 1:3-6: Fp 2:5-9; Tg 1:2-8; 5:10-11).
Razões para o sofrimento: viver no mundo caido, a nossa natureza carnal, sofremos por causa de outros contra nós (preconceito e ataques pessoais), o inimigo de nossas almas e também pelo bom propósito divino ( Quem permitiu (autorizou) o sofrimento de JÓ ?).  Vivemos não para nossa glória pessoal e sim para Glorificar a Deus.  Nessa vida somos 'Embaixadores do Rei', uma frase que resume a vida de um cristão é essa ' não vivo eu, mas Cristo vive em mim (Apóstolo Paulo em sua carta aos Gálatas).  Como capelão hospitalar, sei perfeitamente que sou um 'sofredor' que foi chamado por Deus para ministrar a outras pessoas que sofrem (ainda aprendendo), devemos nos identificar com os que sofrem. Aprendo tendo como exemplo o Mestre, o maior capelão, o maravilhoso Conselheiro em passagens como Hb 2:10-12: " Ao levar muitos filhos à glória, convinha que Deus, por causa de quem e por meio de quem tudo existe, tornasse perfeito, mediante o sofrimento, o autor da salvação deles.  Ora, tanto o que santifica quanto os que são santificados provêm de um só. Por isso Jesus não se envergonha de chamá-los irmãos. Ele diz: 'Proclamarei o teu nome a meus irmãos; na assembléia te louvarei".   Nessa passagem vemos Cristo se identificando conosco, estamos na mesma familia, uma identidade compartilhada. Estamos com Cristo na família daqueles que sofrem. " A essencia de nossa irmandade com Cristo e com outras pessoas é o sofrimento".

   DEUS É BOM SEMPRE!!!!

Segunda carta de Paulo a igreja em  Corinto: "Bendito seja o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angustia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.  Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.  Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos. A nossa esperança a respeito de vós está firme, sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos, assim o sereis da consolação.  Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foia cima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim em Deus que ressucita os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos, ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo beneficio que nos foi concedido por meio de muitos." ( 2 Co 1.3-11)

Di spõe sobre a c r iação do ser v i ço v o l u n t á r i o d e c a p e l a n i a h o s p i t a l a r .

http://spl.camara.rj.gov.br/spldocs/pl/2003/pl1207_2003_003171.pdf


C Â M A R A   M U N I C I P A L   D O   R I O   D E   J A N E I R O



Di spõe  sobre a  c r iação do  ser v i ço 
v o l u n t á r i o   d e   c a p e l a n i a   h o s p i t a l a r .  



A u t o r :   V e r .   E d i m í l s o n   D i a s
A   C â m a r a   M u n i c i p a l   d o   R i o   d e   J a n e i r o  
d   e   c   r   e   t   a :
Ar t .  1º  Fi ca  c r iado nos  hospi tai s  da  rede of i c ial  do muni c ípio o  ser v i ço  voluntár io 
de  capelania hospi talar .
A r t .   2 º  O  s e r v i ç o   d e   c a p e l a n i a   d e s t i n a-s e   a o   a t e n d ime n t o   e s p i r i t u a l   d e   p a c i e n t e s  i n t e r n a d o s   o u   em  t r a t ame n t o   amb u l a t o r i a l l   e   d e   s e u s   f ami l i a r e s .
P a r á g r a f o   ú n i c o .  O  s e r v i ç o   d e   a t e n d ime n t o   e s p i r i t u a l   s ome n t e   se                                                          
d a r á   p o r   s o l i c i t a ç ã o   d o   p a c i e n t e ;   o u   d e   s e u s   f ami l i a r e s ,   em  c a s o   d e   s e u impedimento.
A r t .   3 º   A   c a p e l a n i a   s e r á   e x e r c i d a  me d i a n t e   a   c e l e b r a ç ã o   d e   t e rmo   d e   a d e s ã o  a s s i n a d o   e n t r e   a   d i r e ç ã o   d e   c a d a   u n i d a d e   h o s p i t a l a r   e   o   p r e s t a d o r  d o   s e r v i ç o  voluntár io.
§ 1 º  O  s e r v i ç o   é   i n t e g r a lme n t e   s u b o r d i n a d o   à   d i r e ç ã o   d a   u n i d a d e ,   à   q u a lc o m p e t e :
I . d e c i d i r   s o b r e   a   c o n v e n i ê n c i a   d a   a s s i n a t u r a   d o   t e rmo   d e   a d e s ã o   t a l c o m o   p r o p o s t o ;



I I . a   q u a l q u e r   m o m e n t o ,   r e v o g a r   o   t e r m o   d e   a d e s ã o   e m   v i g o r   o u
s u s p e n d e r   t emp o r a r i ame n t e   o   s e r v i ç o ,   s e   a s s im  j u l g a r   n e c e s s á r i o   a o  
b om  a n d ame n t o   d o s   s e r v i ç o s   h o s p i t a l a r e s ,   d a n d o   c i ê n c i a   e
jus t i f i cat i va de  tal   fato à Sec retar ia Muni c ipal  de Saúde;
I I I . a c e i t a r   o u   n ã o   a s   i n d i c a ç õ e s   d o s   v o l u n t á r i o s — aux i l iares  e
v i s i t a d o r e s   —  f e i t a s   p el o   C a p e l ã o ,   d e t e rmi n a n d o-lhe a  subs t i tui ção 
daquele que por  qualquer  meio prejudi car ,  obs t rui r  ou  imi s cui r -s e   n o s  
s e r v i ç o s   d e   s a ú d e .
I V . e s t a b e l e c e r :  
a )   o   n úme r o   d e   v o l u n t á r i o s ;
b )   h o r á r i o   d o   a t e n d ime n t o ,   o b r i g a t o r i ame n t e   f o r a   d o s   h o r á r i o s   d e  
v i s i ta;  e
c) lim i t e s   f í s i c o s   d e   a t u a ç ã o   d o   s e r v i ç o ;
§ 2 º    O  v o l u n t á r i o   n ã o   p o d e r á ,   s o b   n e n h um  p r e t e x t o ,   t r a n s i t a r   p e l o
h o s p i t a l   f o r a   d o s   h o r á r i o s   e   á r e a   e s t a b e l e c i d o s .
§ 3 º   A   e q u i p e   t r a b a l h a r á   o b r i g a t o r i ame n t e   c om  u n i f o rme ,   em mo d e l o
di s t into daquele usado pelo  corpo  funci o n a l ,   e   p o r t a n d o   c r a c h á   d e
ident i f i cação espec í f i co da  função  fornec ido pela di reção do hospi tal ,
identificando-s e   s emp r e   q u e   s o l i c i t a d o   p o r   f u n c i o n á r i o   o u   p a c i e n t e .
A r t .   4 º   A   c a p e l a n i a   s e r á   o r i e n t a d a   p o r   um  C a p e l ã o   t i t u l a r   v o l u n t á r i o ,
p r e f e r e n c i a lme n t e ,  f o r m a d o   e m   T e o l o g i a .
§ 1º   -  N a   imp o s s i b i l i d a d e   d e   s e   a t e n d e r   a o   d i s p o s t o   n o   c a p u t ,   o   s e r v i ç o  
p o d e r á   s e r   c o o r d e n a d o   p o r   l e i g o   q u e   a p r e s e n t e   c o n d i ç õ e s   p a r a   t a l .
§ 2º   - O  s e r v i ç o ,   em  h i p ó t e s e   a l g uma ,     p o d e r á   e s t a r   v i n c u l a d o   a   q u a l q u e r  
rel igião espec í f i ca  e  a c e i t a r á   r e p r e s e n t a n t e s   d o s   d i f e r e n t e s   c r e d o s
e x i s t e n t e s   n o   p a í s ,   r e s p e i t a d o s   o s   p r e c e i t o s   d a   C o n s t i t u i ç ã o   F e d e r a l .
A r t . 5 º   A   e q u i p e   d a   c a p e l a n i a   s e r á   f o rma d a   p o r   v o l u n t á r i o s   s e l e c i o n a d o s   p e l o  
C a p e l ã o ,   o b s e r v a d a s   a s   s e g u i n t e s   c o n d i ç õ e s  mí n ima s :
I . e n t r e v i s ta   p e s s o a l   c o m   o   C a p e l ã o ,   e m   q u e   s e r á   e x p r e s s a   a   r a z ã o  
que o  faz  procurar  o  ser v i ço  voluntár io de  capelania hospi talar .
I I . par t i c ipação  integral  no  cur so bás i co de  capelania hospi talar .



P a r á g r a f o   ú n i c o .   É   c o n d i ç ã o   f u n d ame n t a l   p a r a   a   i n s c r i ç ã o   n o   c u r s o   b á s i c o  d e  
capelania hospi talar  a  ident i f i cação do  candidato  junto à di reção da unidade 
me d i a n t e   a   a p r e s e n t a ç ã o   d o s   i t e n s   s e g u i n t e s :
I . cédula of i c ial  de  ident idade;
I I . d u a s   f o t o s   r e c e n t e s ;
I I I . c omp r o v a n t e   d e   r e s i d ê n c i a .
A r t . 6 º  - São  responsabi l idades  do Capelão  t i tular :
I . mi n i s t r a r   c u r s o   d e   c a p e l a n i a   p a r a   i n t e r e s s a d o s   em  i n t e g r a r   a   e q u i p e  
d e   v o l u n t á r i o s ;
I I . s e l e c i o n a r   o s   v o l u n t á r i o s   d e   s u a   e q u i p e   e   s u p e r v i s i o n a r   s e u   t r a b a l h o ;
I I I . c o o r d e n a r   o   s e r v i ç o   d e   c a p e l a n i a   h o s p i t a l a r ,   r e s p o n d e n d o   p e l o
s e r v i ç o   j u n t o   à   d i r e ç ã o ;
I V . fornecer  à di r eção  relatór ios  bimes t rai s  ou quando  sol i c i tado;  e
V . a p r o v a r   o  ma t e r i a l   r e l a t i v o   a o s   s e r v i ç o s   d e   a t e n d ime n t o   e s p i r i t u a l   a  
ser  di s t r ibuído dent ro do hospi tal .
A r t . 7 º  O  c u r s o   b á s i c o   d e   c a p e l a n i a   h o s p i t a l a r   s e r á   r e a l i z a d o   p e r i o d i c ame n t e ,
s e m p r e   d e   a c o r d o   c o m   as   c o n v e n i ê n c i a s   d a   u n i d a d e   d e   s a ú d e ,   c om  d u r a ç ã o  
mí n ima   d e   7   h o r a s / a u l a   e   s e u   c o n t e ú d o   a b r a n g e r á   o r i e n t a ç õ e s   s o b r e   o   s e r v i ç o  
d e   c a p e l a n i a ,   n o ç õ e s   d e   a c o n s e l h ame n t o   r e l i g i o s o ;   a s s e p s i a   e   c omp o r t ame n t o  
ét i co no ambiente hospi talar .
A r t . 8 º   Em  h i p ó t e s e   a l g uma,  poderá um  voluntár io  imi s cui r -s e   n o s   p r o c e d ime n t o s  
r e g u l a r e s   d e   f u n c i o n ame n t o   e   a t e n d ime n t o   d o   h o s p i t a l ,   s em  a   e x p r e s s a
a u t o r i z a ç ã o   d a   d i r e ç ã o ,   o u   d e  mé d i c o   em  c a s o   d e   r i s c o   d e   v i d a .
§   1 º   S e r á   ime d i a t a   a   d i s p e n s a   e   r emo ç ã o   d o   h o s p i t a l   d e   i n t e g r a n t e   d a  
ca p e l a n i a   q u e   o f e r e c e r   q u a l q u e r   t i p o   d e   a l ime n t o ,   u s o   o u  ma n u s e i o   d e  
me d i c a ç ã o ,   i g u a lme n t e   p r o i b i d a   a  mo v ime n t a ç ã o   d e   p a c i e n t e ,   s em  o
c o n s e n t ime n t o   d e  mé d i c o   p o r   e l e   r e s p o n s á v e l .





§ 2 º  O  t r a b a l h o   d e  mé d i c o s ,   e n f e rme i r o s   e   a f i n s   s e r á   s emp r e   p r i o r i t á r i o   e  
s u a  o r i e n t a ç ã o   s e r á   a c a t a d a   p o r   t o d a   a   e q u i p e   d e   c a p e l a n i a .
Ar t .9º  A di reção do hospi tal  poderá des ignar  espaço  f í s i co a  ser  ut i l i zado pelo 
Capelão  t i tular  para ent rev i s tas ,   reuniões  e guarda do mater ial  ut i l i zado



A r t . 1 0 .  O  s e r v i ç o   v o l u n t á r i o   d e   c a p e l a n i a   h o s p i t a l a r ,   em  q u a l q u e r   n í v e l ,   n ã o   g e r a  
v í n c u l o   emp r e g a t í c i o ,   n em  o b r i g a ç ã o   d e   n a t u r e z a   t r a b a l h i s t a ,
prev idenc iár ia ou af im.
A r t . 1 1 .   E s t a   L e i   e n t r a   em  v i g o r   s e s s e n t a   d i a s   a p ó s   a   d a t a   d e   s u a   p u b l i c a ç ã o .
Plenário Teotônio Villela, 27 de fevereiro de 2003.
ED I M Í L S O N  DI A S
V e r e a d o r


Levando o amor de Cristo aos enfermos e necessitados

Capelania Hospitalar

Levando o amor de Cristo aos enfermos e necessitados

Ana Cleide Pacheco

Atuar nos hospitais levando o amor de Deus, Seu consolo e alívio num momento de dor. Esta é a principal missão da Capelania Hospitalar, que, através de gestos de solidariedade e compaixão, tem levado a Palavra de Deus não só aos pacientes, mas também aos seus familiares, sem esquecer ainda dos profissionais de saúde, tantas vezes vivendo situações de estresse ou mesmo passando por momentos difíceis. Os capelãos respeitam a religião de cada paciente sem impor nada, apenas levando a Palavra àqueles que desejarem.

De acordo com a capelã Valéria Cristina Henriques, trata-se de um trabalho gratificante. "É uma responsabilidade muito grande, pois assim como podemos ser bênção na vida do outro, podemos ser maldição também. Se passarmos ao doente a idéia de culpa – muitos entendem que a enfermidade é um forte indício de pecado oculto – ele pode se afastar ainda mais de Deus... Mas eu amo o que faço e é muito gratificante, apesar de partilhar de tanta dor e sofrimento".

Para Valéria, é um ministério com pontos positivos e negativos. Segundo ela, o saldo positivo é ver a transformação na vida das pessoas que descobrem o amor de Deus, Seu consolo verdadeiro e a paz que “excede a todo entendimento” em meio a tanta dor. O saldo negativo é ver quantas pessoas estão afastadas das igrejas, machucadas por doutrinas equivocadas, onde acabam longe de Deus, sem experimentar de uma intimidade maior com Ele e, nessa hora em que mais precisam dEle, sentem-se indignas de seu amor.

Diante dessa manifestação do amor de Deus, as reações são diversas. De acordo com Bruno Oliveira, pastor e bacharel em Teologia, especializado em Capelania Hospitalar, muitas não conseguem entender o que leva os capelães a serem voluntários nos hospitais e, muitas vezes, cumprir os horários mais à risca do que os próprios funcionários. "A Capelania reflete o amor de Deus às pessoas. Em um dos hospitais infantis onde atuamos, notamos que existia uma ociosidade entre as mães enquanto seus filhos faziam o tratamento. Criamos, então, um trabalho com artesanato que visa ocupar o tempo das mamães até o término das medicações dos filhos. Quando elas descobrem que nossa equipe é toda voluntária, ficam pasmas com tanto amor e dedicação. A equipe de Capelania só realiza esse trabalho porque acredita nesse amor".

Com relação às conversões, Bruno afirma que são inúmeras. "Temos vários testemunhos em que Deus transformou a vida das pessoas. Um que me marcou muito foi a da dona Josélia (nome fictício). Esta senhora tinha visto seu filho primogênito adquirir câncer e, em seu leito de morte, ouviu-o dizer: 'Mamãe, este fardo está muito pesado; eu não estou mais conseguindo carregá-lo...'. E ela lhe disse: 'Filho, descanse, pois eu vou levar este fardo para você!'. Surpreendentemente, encontrei dona Josélia, dez anos depois, em um dos nossos hospitais, também com câncer, no mesmo lugar onde o filho havia estado doente. Ela repetia para mim a mesma fala do seu filho: 'Este fardo está muito pesado; não estou conseguindo...'. Apresentei para dona Josélia o texto bíblico 'Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei... O meu jugo é suave e o meu fardo é leve...', e em seguida lhe fiz o convite para deixar Jesus carregar o seu fardo. Como foi bom naquele dia ver dona Josélia entregar sua vida a Jesus. Ela faleceu três meses depois e suas últimas palavras para mim foram: 'Eu vou me encontrar com você lá no céu...' Fico pensando quantas donas 'Josélias' existem em nossos hospitais precisando descobrir que Deus é capaz de carregar nossas cargas e nos dar uma paz que não depende das circunstâncias externas".

Serviço: Existem cursos para treinar pessoas que sentem no coração o desejo de se envolver com esse tipo de trabalho. Os treinamentos são realizados pela Capelania Hospitalar Evangélica do Rio de Janeiro (CAHERJ) e pela Associação de Capelania Hospitalar Evangélica (ACEH), que tem sua sede em São Paulo e coordena capelanias em todos os estados do país e em mais doze países. A CAHERJ é representante da ACEH no Rio de Janeiro e oferece vários cursos para visitadores e para capelães hospitalares. Informações sobre datas dos cursos podem ser adquiridas através do e-mail acaherj@gmail.com.

domingo, 18 de setembro de 2011

A ÚLTIMA GRANDE LIÇÃO

A ÚLTIMA GRANDE LIÇÃO*
Por: Mitch Albom
http://www.ufpel.tche.br/medicina/bioetica/cuidadospaliativosetanatologia.pdf


O sentido da vida é um livro baseado nas entrevistas sucessivas de um jornalista com o seu velho professor, portador de esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), durante a fase do processo do morrer.

A Ela é como vela acesa: derrete os nervos e deixa o corpo como uma estalagmite de cera. Geralmente começa nas pernas e vai subindo. A pessoa perde o comando dos músculos das coxas e não agüenta ficar de pé. Perde o comando dos músculos do tronco e não consegue sentar-se ereta. No fim, se continua viva, respira por um tubo introduzido num orifício aberto na garganta; e a alma, perfeitamente alerta, fica aprisionada numa casca inerte, podendo talvez piscar, estalar a língua, como coisa de filme de ficção
científica – a pessoa congelada no próprio corpo. Isso não dura mais de cinco anos, contados do dia em que se contraiu a doença.
Os médicos deram a Morrie mais dois anos. ele sabia que seria menos. Mas o meu velho professor havia tomado uma decisão importante, na qual começara a pensar no dia em que saiu do consultório do médico com uma espada sobre a cabeça. Vou me entregar e sumir, ou aproveitar da melhor maneira o tempo que me resta? – indagou a si mesmo.
Não ia se entregar. não ia se envergonhar de sua morte decretada. decidiu que faria da morte o seu derradeiro projeto, o ponto central de seus dias. Já que todos vão morrer um dia, ele poderia ser de grande valia. Podia ser um campo de pesquisa. um compêndio humano. Estudem-me em meu lento e paciente processo de extinção. Observem o que acontece comigo. Aprendam comigo.
Morrie ia atravessar a ponte entre a vida e a morte e narrar a travessia.
estar morrendo é apenas uma circunstância triste, Mitch. viver infeliz á diferente. Muitas das pessoas que me visitam são infelizes.
Por quê?   Porque a cultura que temos não contribui para que as pessoas estejam satisfeitas com elas mesmas. estamos ensinando coisas erradas. E é preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela. Que é melhor criar a sua própria. A maioria das pessoas não consegue fazer isso. são mais infelizes do que eu, mesmo na situação em que estou. Posso estar morrrendo, mas cercado de almas amorosas e dedicadas. Quantos podem dizer o mesmo?
Fiquei impressionado com a completa falta de autocomiseração. Este Morrie que não pode mais dançar, nadar, tomar banho, andar a pé, este Morrie que não pode mais atender à porta, não pode se enxugar depois do banho, nem mesmo se virar na cama – como pode ser tão resignado? eu o vi atrapalhado com o garfo, tentando pegar uma fatia de tomate, ela escapulindo por duas vezes, uma cena patética e, no entanto, tenho de reconhecer que a presença dele transmite uma serenidade mágica.
Perguntei se ele ainda se interessava pelo noticiário.
Claro. acha isso estranho? acha que por estar perto da morte eu deva me desinteressar pelo que se passa no mundo?
Quem sabe.
Ele suspirou fundo e disse: Você pode ter razão. Talvez não devesse me interessar. Afinal, não estarei mais aqui para ver os desfechos. Mas é difícil explicar, Mitch. agora que estou sofrendo, sinto-me mais perto das pessoas que sofrem do que sentia antes. outra noite, vi na televisão pessoas na bósnia correndo nas ruas, levando tiros, morrendo, vítimas inocentes e chorei. sinto a angústia delas como se fosse minha. Não conheço nenhuma delas, mas… como dizer, sou quase… atraído para elas.
Os olhos dele ficaram marejados. Tentei mudar de assunto, ele enxugou o rosto e fez sinal para que eu não ligasse.
Hoje em dia choro muito – disse. – não ligue.
Espantoso, pensei. eu trabalhava com notícias. entrevistei famílias enlutadas. até fui a enterros. nunca chorei. e Morrie, pelo sofrimento de pessoas lá no outro lado do mundo, estava chorando. Será isso o que acontece quando chega o fim? talvez a morte seja a grande equalizadora, o grande evento que consegue finalmente fazer estranhos chorarem por outros”.
“todo mundo vai morrer – repetiu Morrie -, mas ninguém acredita. se acreditássemos, mudaríamos nosso comportamento.de que maneira nos iludimos a respeito da morte – sugeri.isso. Mas há uma abordagem melhor. saber que se vai morrer e preparar-se para receber a morte a qualquer momento. assim é melhor. Assim, podemos ficar mais envolvidos com a vida que vivemos.
Como podemos nos preparar para morrer? – perguntei.
Fazendo como os budistas. No começo de cada dia ter um passarinho pousado no ombro, que pergunta: “É hoje que vou morrer? estou preparado? estou fazendo tudo o que preciso fazer? estou sendo a pessoa que quero ser?virou a cabeça para o ombro, como se o passarinho estivesse lá.
É hoje que vou morrer? repetiu.
Tem havido enorme confusão neste país quanto àquilo que queremos, em face do que precisamos – disse Morrie. Precisamos de alimento, e queremos um sorvete de chocolate. Precisamos ser honestos com nós mesmos. ninguém precisa do último carro esporte, ninguém precisa daquela casa maior.
Essas coisas não trazem satisfação. sabe o que realmente traz satisfação?

o quê?
Oferecer aos outros o que temos para dar.
Parece conversa de escoteiro.
Não falo de dinheiro, Mitch. Falo de tempo útil. de interesse por outros. de contar-lhes histórias. não é tão difícil. abriram aqui perto um centro para a terceira idade. dúzias de idosos vão a ele todos os dias. Qualquer jovem, homem ou mulher, que domine um conhecimento, é convidado a ir lá ensiná-lo. Computação, por exemplo. você vai lá e ensina computação. será recebido de braços abertos. E eles ficam muito agradecidos. É assim que se começa a inspirar respeito, oferecendo alguma coisa que se tem.
Há muitos lugares onde se pode prestar esses serviços. não é preciso ser craque em algum ramo. existe gente solitária em hospitais e abrigos que só almeja companhia. Quem joga baralho com um velhinho solitário adquire um novo respeito por si mesmo.
Porque tornou-se necessário.
Lembra-se do que eu disse a respeito de achar um sentido para a vida? Tomei nota, mas já sei de cor: dedique-se a amar a outros,
dedique-se à sua comunidade, empenhe-se em criar alguma coisa que dê sentido e significado à sua vida.
Notou – acrescentou sorrindo – que não se fala aí de salário?
Mitch, se você está querendo se exibir para pessoas que estão por cima, desista. Faça o que fizer, elas olharão para você com superioridade. e se está querendo se exibir para os que estão por baixo, desista também. eles invejarão você, só isso. Posição não leva a nada. Só um coração aberto permite à pessoa flutuar em igualdade entre os semelhantes.
Fez uma pausa, olhou para mim. – estou morrendo, certo?
Certo.
Por que acha que é tão importante para mim escutar os problemas dos outros? Já não estou carregado de dor e sofrimentos? É claro que estou. Mas doar-me a outros é o que me faz sentir vivo. não é a minha casa nem o meu carro. não é o que o espelho me mostra. Quando dôo o meu tempo a alguém, quando consigo fazer alguém que está triste sorrir, sinto-me quase tão sadio como fui antes.
Faça aquilo que vem do coração. Fazendo, não ficará insatisfeito, não sentirá inveja, não estará aspirando a bens que pertenceram a outros. Pelo contrário, ficará assombrado com o que receberá de volta.
O problema Mitch é não acreditarmos que os seres humanos são parecidos. brancos e negros, católicos e protestantes, homens e mulheres. se olhássemos uns para os outros como iguais, talvez sentíssemos o desejo de nos unirmos, formando uma grande família humana no mundo, e nos dedicarmos a essa família com nos dedicamos à nossa família particular.
Mas quando se está morrendo vê-se quanto isso é verdadeiro. Todos temos o mesmo começo, o nascimento, e o mesmo fim, a morte. Assim, onde ficam as grandes diferenças?
investir na família humana. investir em gente. Formar uma pequena comunidade com aqueles que amamos e que nos amam.

“Perdoe a si mesmo antes de morrer. depois perdoe os outros.”

* de o sentido da vida. Mitch albom. rio de Janeiro, gMt, 1998

SOBRE A MORTE E O MORRER

SOBRE A MORTE E O MORRER
                                                                                                                    Por: Rubem Alves
                                                                                      Coletânea de textos sobre Cuidados Paliativos e tanatologia
                                                                                        http://www.ufpel.tche.br/medicina/bioetica/cuidadospaliativosetanatologia.pdf



Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) o diabo é deixar de viver.” a vida é tão boa! não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “não chore, que eu vou te abraçar...” ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: “E fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. nem barcas, nem gaivotas. apenas pobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida seja só isto...”
da. Clara era uma velhinha de 9 anos, lá em Minas. vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante.
“Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”
Mas tenho muito medo de morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados em meu corpo, contra a minha vontade, já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. as dores eram terríveis. era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos?”.
O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 9 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama – de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir o seu dever; debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. eu também, da minha forma, luto pela vida. a literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. aprendi com albert schweitzer que a “reverência pela vida“ é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo o paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.
Comovi-me com o drama do jovem francês vincent Humbert, de anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. e foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000 desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...”. implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua
mãe realizou seu desejo. a morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. são irmãs. a “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.
Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. a missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe das UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietá” de Michelângelo, com o Cristo morto nos seus braços. nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.

AS ORIGENS DA MEDICINA PALIATIVA

Coletânea de textos sobre Cuidados Paliativos e tanatologia
                                                     http://www.ufpel.tche.br/medicina/bioetica/cuidadospaliativosetanatologia.pdf

AS ORIGENS DA MEDICINA PALIATIVA *
                                                     Por: Derek Doyle, Geoffrey W. C. Hanks e Neil MacDonald


Presumivelmente, o homem tem tentado aliviar o sofrimento do seu semelhante, desde o seu aparecimento na terra. a história dos hospices está bem documentada a partir da Idade Média, seguindo-se a sua evolução no final do século 19 até as últimas décadas do presente século, quando ocorreu a sua proliferação a nível mundial. as origens da Medicina Paliativa como uma disciplina digna de ser praticada, estudada e pesquisada são mais recentes, alcançando apenas anos.
Ao final do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, o que mais podia fazer um médico senão exercer uma medicina paliativa? Por mais que ele desejasse, haviam muito poucas doenças passíveis de serem submetidas à cirurgia curativa, a maioria dos processos mórbidos curáveis são as infecções. Os nossos antepassados não dispunham de antibióticos, e mesmo então, toda a habilidade que possuíam era canalizada para o alívio e a paliação.
Então as coisas passaram a mudar. Os avanços da anestesia propiciaram avanços mais ousados da cirurgia radical.  Os antibióticos surgiram em cena para combater as infecções mais comuns e, ao menos no mundo ocidental, reduziram a sua mortalidade. infelizmente isso não ocorre em muitas outras partes do mundo. Avanços, descobertas e progressos ocorreram em todos os campos da medicina – radiologia, medicina nuclear, imunologia, radioterapia, quimioterapia do câncer … a lista é interminável. As novas gerações de médicos deixaram a escola de medicina sabendo que eles jamais veriam mortes pela difteria, varíola, poliomielite, mas seriam capazes de enfrentar com facilidade as infecções mais sérias em casa de seus pacientes, bem assim como poderiam esperar confiantes em alcançar a cura de alguns doentes de câncer.
Nós temos toda a razão de nos orgulhar das descobertas médicas e avanços ocorridos na segunda metade deste século. Nós temos à nossa disposição, procedimentos de investigação jamais sonhados há 50 anos atrás, uma abrangente farmacopéia contendo apenas algumas das drogas então usadas, e um aglomerado de novas especialidades médicas refletindo estes avanços. Enquanto tudo isso acontecia, mudanças sutis estavam ocorrendo no pensamento médico e atitudes. e também na educação médica.
Imperceptivelmente os médicos começaram a mudar o objetivo, passando do cuidado paliativo para a cura absoluta. ninguém lhes ensinou ou lhes falou a respeito, mas olhando-se para trás, a mudança de atitude e de aproximação começou ao redor do início da era dos antibióticos. Pela primeira vez, a cura pareceu estar próxima em doenças até então caracterizadas por elevado índice de mortalidade. Investigações e tecnologias altamente sofisticadas não só trouxe uma maior precisão para os nossos diagnósticos,
mas aumentaram enormemente o nosso conhecimento sobre o curso natural de alguns processos mórbidos levando-nos a pensar, acertadamente, que o diagnóstico precoce – em particular no câncer – poderia aumentar as chances de cura. a crescente base “científica” da moderna medicina agradou a uma profissão que, certo ou errado, considerava-se como “científica”.
Insidiosamente, imperceptivelmente, os médicos passaram a encarar-se a si mesmos como diagnosticistas e terapeutas (sejam cirúrgicos, farmacológicos ou de  radiação). os hospitais passaram a ser considerados como lugar de investigação, tratamento e alta precoce para o domicílio. aqueles que não podiam ser curados, ou ao menos colocados em estado de remissão, eram freqüentemente considerados indignos de receber atenção médica altamente qualificada. Àqueles que estavam à morte dava-se a mais baixa prioridade médica, e a morte deixou de ser considerada um fato da vida como sempre o fora, mas uma derrota médica, ou
pior ainda, um embaraço estatístico.
Seria uma clamorosa injustiça lançar toda a culpa nos médicos, deixando de considerar as mudanças paralelas ocorridas na educação médica. Mais uma vez as mudanças foram sutis e não pareceram ser insignificantes. O currículo já muito sobrecarregado foi podado aqui, acrescentado ali, para acomodar detalhes dos avanços acima referidos de um conhecimento científico sempre crescente. detalhes mais “softs” como habilidade em comunicação, ética, aspectos psicológicos da medicina, etc, receberam tempo
menor, e foram relegados para níveis de baixa prioridade, ou completamente omitidos.
Até poucos anos atrás, os jovens médicos saiam das escolas de medicina com uma base de conhecimento abrangente e com quase inalcançáveis expectativas profissionais sobre o que eles poderiam fazer e oferecer, e uma temerária escassez de habilidades e de atitudes essenciais para o exercício humano da medicina. As coisas estão mudando.  Como muitas coisas parecem óbvias quando as olhamos retrospectivamente enquanto isto estava acontecendo – e não nos esqueçamos da importância e o impacto do real desenvolvimento da medicina – uma intraqüilidade a respeito das mudanças manifestava-se em muitos, em diversos escalões da vida, pois este problema “médico” era apenas parte de uma grande revolução
social. alguns médicos tornaram-se insatisfeitos e procuraram mudar a situação. as enfermeiras, que por um momento mal notaram ter sido transformadas em cúmplices de regimes de cuidados altamente tecnificados e científicos, o que muito lhes agradava, começaram também a ficar incomodadas. Notavelmente relutantes como a maioria dos pacientes em queixar-se ou hesitantes emrelatar a respeito da qualidade do atendimento recebido, algumas confessavam agora, que elas perceberam que um grupo particular de pacientes, aqueles em processo de morrer, recebia um atendimento aquém do ótimo. Os estudos confirmaram que o controle da

dor era inadequado, os sintomas não eram aliviados, os temores não eram aplacados, as necessidades espirituais não eram reconhecidas, e as visitas domiciliares pelos médicos tornavam-se menos freqüentes. estudo após estudo em hospital e na comunidade, realizados em diversos países apontaram para o mesmo resultado – os em processo de morte formam um grupo negligenciado e em desvantagem dentro dos modernos sistemas de cuidados de saúde.
Aqueles mais capazes de introduzir as mudanças são os médicos, já alertados e perturbados, e agora cônscios da intranqüilidade das enfermeiras e da insatisfação dos pacientes. os médicos viram claramente que cuidados melhores aos pacientes terminais não significa uma volta aos “tempos antigos”, nem qualquer rejeição dos avanços médicos científicos, mas sim uma saudável união entre ambos. se eles tivessem usado o jargão médico, provavelmente eles teriam dito “Ciência e compaixão não são antagonistas – eles são simbióticos”. e assim o “cuidado hospice” foi aplicado ao paciente terminal, cuidado que embora seja holístico não deixa de ser científico. Os anos passaram e com eles veio a compreensão que estes pacientes precisam e merecem esta qualidade de cuidado não só no fim, mas desde o minuto em que seu médico e os parentes, pesarosamente reconhecem que o tempo é curto.  Eassim nasceu a medicina paliativa.
 
  * oxford textbook of Palliative Medicine, edited by derek doyle, geoffrey W. C. Hanks and neil Macdonald. oxford university Press, 199 . Chapter 1, introduction (traduzido por Prof. dr. Marco tullio de assis Figueiredo).

MORIR CON DIGNIDAD

Coletânea de textos sobre Cuidados Paliativos e tanatologia
                                             http://www.ufpel.tche.br/medicina/bioetica/cuidadospaliativosetanatologia.pdf


                                                                                Marcos Goméz Sancho
                                                                                Las Palmas de Gran Canaria, Espanha.



INTRODUCCIÓN
Alo largo de la historia, siempre hubo una enfermedad que para la gente tenía connotaciones mágicas, demoníacas o sagradas.
En la antigüidad era la lepra y curarla era uno de los milagros más frecuentes en la vida de Cristo. en la edad Media, era la sífilis y actualmente es el cáncer la enfermed tabú. Carece del halo romántico que a principios de siglo tuvo la tuberculosis, incurable casi siempre, y comparte con la lepra y con la sífilis que no debe ser pronunciado su nombre. Los médicos utilizan eufemismos para invocarlo, la mayoria de las veces de forma incomprensible para le lego con el fin de disimular. Cáncer equivale a mutilación y muerte y aunque es cierto que existen otros padecimientos igualmente mortales, el cáncer está considerado ahora
como la enfermed incurable por excelencia.
Lepra, peste, sífilis etc. al hacerse curables, han perdido su carácter tremendo y sagrado y estas características las ha heredado el cáncer.
Dado el enorme progreso de la Medicina, las enfermedades infecciosas han sido eliminadas prácticamente como peligro de muerte; cuadros tan graves antãno como la diabetes, se han vuelto perfectamente controlables e incluso las enfermedades cardiovasculares suelen tener  un decurso lento y permitir cierto control. a pesar de que como causa de muerte las enfermedades cardiovasculares superan al cáncer, este tiene una connotación de la cual carecen aquéllas.
Posteriormente, el desarollo de la cirurgía, la anestesia y la reanimación etc. ha hecho posible la realización de trasplantes de órganos y más modernamente, de órganos artificiales. Todo ello ha conducido a un grande incremento en las expectativas de vida, que han pasado de los 40 años al principio de siglo, a los casi 80 de la actualidad. Esto, como es lógico se refiere a los países desarrollados. nunca debemos olvidar que actualmeente mueren .00 niños cada dia y que en muchos países (nordeste del brasil, afganistán etc.) las expectativas de vida al nacer no llegan a los 40 años, es decir, igual que el siglo pasado.
Todos estos avances han generado en la sociedad una especie de delirio de inmortalidad, otorgando al médico una sabiduría, omnipotencia y omnisapiencia que, lógicamente, no possui.


EL HOMBRE ANTE LA MUERTE EN LA SOCIEDAD DE HOY
Debemos hacer un breve análisis del comportamiento del hombre ante la muerte para poder entender el comportamiento del hombre, de la sociedad, ante el cáncer (que aparece como sinónimo) y ante los enfermos que caminam decididamente hacia ella, es decir los enfermos terminales.
es preciso destacar que durante muchos siglos los hombres morían de una manera bastante similar, sin grandes cambios, hasta hace quatro o cinco décadas que, de repente, comenzó a cambiar de forma radical.
antaño, el hombre moría en su casa, rodeado de su familia (incluidos los niños), amigos y vecinos. los niños tenían así contacto temprano y repetido con la muerte: primero sus abuelos, después sus padres etc. Cuando se hacía mayor y le tocaba morir a él, desde luego no le pillaba tan de sorpresa y desprovisto de recursos como sucede hoy. Hoy a los niños precisamente se les aleja de la casa cuando alguien va a morir.
El enfermo era el primero en saber que iba a morir (“Sintiendo que su final se acercaba…”). Hoy por el contrario, al enfermo casi siempre se le oculta la gravedad de su enfermedad.
eran los momentos de los grandes amores, perdones y despedidas. los repartos de haciendas, los últimos consejos a los hijos.
El sacerdote acudía a la casa del enfermo a darle la extremaunción (viático) con el monaguillo tocando la campanilla. los ciudadanos se unían a la comitiva. Hoy, por el contrario, es frecuente que no se autorice la entrada del sacerdote por miedo a que el enfermo “sospeche” su gravedad. tan es así, que la iglesia se ha cansado de dar la extremaunción a cadáveres y en el ° Conciliio vaticano le han cambiado el nombre para llamarlo sacramento de los enfermos, de forma que no haya duda de que la persona que lo recibe debe estar consciente y saber lo que está sucediendo. aún así, se sigue viendo en esquelas de los periódicos, que todo el
mundo ha muerto “después de recibir los santos sacramentos y la bendición de su santidad”, aunque la persona haya muerto de repente contra un árbol en la carretera o de un infarto en la oficina.

Al tabú del sexo de los últimos tiempos le ha sucedido el tabú de la muerte. Ahora se pueden contemplar escenas eróticas en cualquier sitio y a cualquier hora y sin embargo está prohibido hablar de la  muerte.
ahora, lógicamente los niños no vienen de París, pero con frecuencia es el abuelito el que “se ha ido de viaje”. al debate del aborto va sucediendo poco a poco el de eutanasia etc. Y se oculta la muerte, se oculta todo lo que nos recuerde a ella (enfermedad, vejez, decrepitut etc.). nada que tenga que ver con la muerte es aceptado en el mundo de los vivos.
Esto se ha traducido en un cambio radical en las costumbres y ritos funerarios y del duelo. no hace  mucho, el cadáver era velado en la casa, donde acudían los amigos y conocidos. a continuación, un coche fúnebre con el ataúd abría la comitiva que, a pié, acompañaba al muerto hasta el cementerio. todo esto sería hoy impensable y el embate del modernismo ha introducido múltiples innovaciones. al coche fúnebre le sustituye una berlina gris que se confunde en la vorágine de la circulación. el cadáver el velado en los tanatorios, a las afueras de ciudades, cuanto más lejos mejor. Allí se puede encontrar de todo: flores, bar, restaurante etc.
emprezas especializadas se encargan de lo que ya es el “gran negocio de la muerte “, sobre todo en los estados unidos. Ha aumentado el número de cremaciones y es habitual la tanatopraxia, por la cual y a través de personal debidamente formado, se procede a restaurar el cadáver (heridas, etc.) y a su embellecimiento por medio de maquillaje, masajes, cremas etc. se asiste en la actualidad a una verdadera desritualización, a una desimbolización y a una profesionalización de las conductas funerarias.
La muerte es el fracaso total de la sociedad construida sobre el binomio de la producción y del consumo. Anuncia el fin del consumo. Y en un último esfuerzo consigue todavía transformar la propria muerte en mercancía de consumo en correspondencia con el estatus social.
Decía reverdin que en la sociedad que vivimos, donde los medios de comunicación nos bombardean continuamente con un prototipo de imagen a imitar (Gente joven y guapa), donde el objetivo es la acumulación de bienes, de fama u de poder, poco tiempo y ganas hay de pensar en el asunto escabroso de nuestra finitud, de nuestra propria muerte. En los años sesenta, se gastaron en los estados unidoos billones de dólares en productos cosméticos y rejuvenecedores y solamente 1 billón en cuidar a sus ancianos.
así nos encontramos con una sociedad que, siendo mortal, rechaza la muerte. este rachazo social a la muerte, no creo precisamente que le haya ayudado al hombre en el momento en que tiene que enfrentarse a ella. Contrasta, en efecto, este rachazo total por parte de la sociedad y la angustia, mayor que nunca, que el hombre, individualmente, siente ante ella.
Esta sensación del hombre ante la muerte, ha sido perfectamente descrita por Ariès: “los hombres o bien intentan ponerse al abrigo de la muerte, como se ponen al abrigo de una bestia salvaje en libertad, o bien le hacen frente, pero están entonces reducidos únicamente a su fuerza y a su coraje, en un enfrentamiento silencioso, sin el auxilio de una sociedad que ha decidido, de una vez por todas, que la muerte no es su asunto”.
Se observa lo que se ha dado en llamar desocialización de la muerte, expresión que hace referencia a la falta de solidaridad y al abandono con respecto a los moribundos, los difuntos y también los supervivientes. el corolario de esta atitud es la sustitución de funciones. acompañar al agonizante, amortajar el cadáver, velarlo, recibir las visitas de pésame son cosas que hoy día los familiares ya no quieren hacer, aunque tengan que pagar para que otros los hagan en su lugar.de aquella primera fase, que podríamos denominar de muerte familiar, se ha pasado a una muerte escamoteada, escondida, ocultada. Ariès decía que era como la imagen negativa o invertida: “todo ocurre como si nadie supiera que alguien va a morir, ni los familiares más cercanos, ni  el médico… ni siquiera el sacerdote cuando, con un subterfugio, se le hace venir. Cosificado,
reducido a una suma orgánica de síntomas, difunto ya en el sentido etimológico del término (privado de función), al moribundo ya no se le escucha como a un ser racional, tan sólo se le observa como sujeto clínico, aislado cuando ello es posible, como un mal ejemplo y se lo trata como a un niño irresponsable cuya palabra no tiene sentido ni autoridad. los moribundos ya no tienen status y por lo tanto, tampoco tienen dignidad.
Poco tiempo se tardó en averiguar cual era el sitio ideal para esconder al moribundo: el hospital. actualmente la mayoría de las personas van a morir al hospital. aunque hay diferencias entre los  distintos países, incluso dentro del mismo país también hay diferencias entre el medio urbano y el medio rural, la realidad es que hoy aproximadamente el 80% de las personas muere en el hospital.