C A H E R J

C A H E R J
Capelania Evangélica do Rio de Janeiro

domingo, 4 de novembro de 2012

Teologia NT – G.E. Ladd - HAGNOS, Resumo dos capítulos 9,10 e 11 do livro ,


Capitulo 9 -  O Messias

     Messias era um título para identificar Jesus.
     Christos, que é propriamente um título designativo de “ungido”, tornou-se logo um nome próprio. Cristo passou a ser nome próprio quando o evangelho chegou ao mundo gentílico.
     Jesus morrendo na cruz, era algo horrendo, representava a violação mais baixa na escala da pirâmide social. Seu sacrifício foi abrangente a toda a humanidade.
     Na organização do Antigo Testamento, várias pessoas foram ungidas com óleo e, em decorrência, separadas para cumprir alguma função divinamente ordenada na teocracia. Esta unção indicava uma designação divina para o ofício teocrático em questão e, por seguinte, indicava que, em virtude da unção, as pessoas ungidas pertenciam a um círculo especial de servos de Deus e que suas pessoas eram sagradas e invioláveis ( 1 Cr. 16.22).
     O termo isolado “o Messias” não ocorre de forma alguma no Antigo Testamento. A palavra sempre tem um genitivo ou sufixo qualificativo, como “o messias de Jeová”, ou “meu messias”.  Em Salmos 2:2, o título parece referir-se a um rei messiânico. Este é o uso messiânico mais destacado da palavra, no Antigo Testamento.
O uso mais primitivo do vocábulo “messias”, em um contexto messiânico, é o encontrado no cântico de Ana ( 1 Sm. 2:10), quando ela ora: “O Senhor julgará as extremidades da terra; e dará força ao seu rei, e exaltará o poder dos eu ungido”.  Esta profecia projeta-se além do seu cumprimento imediato na casa de Davi e de Salomão até o seu cumprimento escatológico no grandioso Rei messiânico, o Filho de Davi. Na maior parte das profecias que fazem referência futura ao último Rei davídico, o termo “messias” não é aplicado a este rei.  Há, entretanto, um grande número de importantes profecias que fazem referencia futura ao domínio de um rei davídico.  A profecia em 2 samuel 7:12 e SS., promete que o reino de Davi permanecerá para sempre.
     A palavra “messias” não ocorre com grande freqüência na literatura do período intertestamentário.  O Reino desejado é terreno e político em sua forma, embora um tom fortemente religioso possa ser percebido. O povo esperava um Messias político e libertador. Jesus, porém, veio como libertador espiritual que nasceu em Belém, descedente de Davi, tendo seu reino para sempre e também sendo Rei terreno davítico.
     A comunidade de Qumran esperava dois ungidos: um sacerdote ungido (de Arão) e um rei ungido de (Israel). O messias sacerdotal recebeu a supremacia sobre o messias real, porque os sectários de Qumran eram derivados de uma origem sacerdotal e exaltaram seu ofício.  Entretanto, o messias davídico desempenha um importante papel em sua expectativas. “não faltará monarca à tribo de Judá quando Israel governar, e não faltará um descedente que se assente no trono de Davi. Pois o cetro do comandante é a aliança do reinado, e os pés são os milhares de Israel.  Até que o Messias da Justiça venha, o Renovo de Davi; pois a Ele e à sua semente foi dado a aliança do reino de seu povo por todas as gerações”.
     As Similitudes de Enoque apresentam um conceito diferente: um filho do homem preexistente, divino e sovrenatural, que foi mantido na presença de Deus até o tempo próprio, e que depois estabeleceria o Reino de Deus sobre a terra. Obviamente, isto é uma interpretação da midrash de “um como o filho do homem”, em Daniel 7:13.

     O Messias é mencionado em dois apocalipse do primeiro século de nossa era. Entretanto, na literatura rabínica como um todo, o messias real davídico torna-se a figura central na esperança messiânica, ao passo que o termo Filho do Homem deixa de ser utilizado.
     Muitos estudiosos da esperança messiânica judaica omitem uma das fontes mais importante: os próprios Evangelhos.  Ele deveria ser um filho de Davi (Mt.21.9), e, mesmo que soubessem que deveria nascer em Belém, havia uma tradição que dizia que deveria aparecer repentinamente ente o povo a partir de uma origem obscura (Jo.7:26-27).  Quando o Messias aparecesse, parmaneceria para sempre ( Jo. 12:34)
     O elemento mais importante nesse expectativa é que o messias seria o rei davídico. O povo desejava como seu messias um líder poderoso que sobrepujasse Roma.  No auge de sua popularidade, quando Jesus já havia manifestado o poder divino que nele habitava, por meio da multiplicação dos pães e dos peixes, para alimentar cinco mil pessoas, um movimento espontâneo surgiu, no qual as multidões tentaram tomar Jesus pela força, para fazê-lo rei (Jo. 6.15), na esperança de que Ele pudesse ser persuadido a empregar seus notáveis poderes para derrubar o jugo pagão e livrar o povo de Deus de sua odiosa escravidão e, dessa forma, inaugurar o Reino de Deus.
     Se o propósito de Jesus tivesse sido oferecer aos judeus esse reino davídico, político e terreno, eles o teriam aceito de imediato e estariam dispostos a segui-lo até a morte, se necessário fosse, para verem a inauguração desse reino. Desejavam um rei para libertá-los de Roma, não um salvador para redimi-los dos seus pecados.
     Assim, como parece ser o caso, “messias” sugeria às mentes dos judeus um filho real de Davi, que seria ungido por Deus para trazer o livramento político do jugo dos pagãos a Israel e para estabelecer o reino terreno. Assim, fica evidente, de imediato, que seria necessário que Jesus utilizasse o termo somente com a maior reserva possível.  O messiado que Jesus veio execer foi de um caráter bem diferente daquilo que o termo sugeria à mentalidade popular. Pode-se compreender por que razão Ele não fez uso muito extensivo de um termo que sugeria à mentalidade popular algo bem diferente daquilo que Jesus pretendia.
     A palavra Christos, com bem poucas exceções, aparece nos quatro Evangelhos como um título, e não como um nome próprio.
     Jesus começou a ensinar aos seus discípulos que deveria sofrer e morrer.
     O Antigo Testamento aguardava um rei que seria descendência de Davi ( Jr.23:5; 33:15). O ungido do Senhor nos Salmos de Salomão é o Filho de Davi (Salmos de Salomão 17:23).  No judaísmo pós-cristão, a expressão “Filho de Davi” ocorre com freqüência como um título do Messias. Em várias ocasiões, Jesus for reconhecido como o Filho de Davi, segunda narrativa de Mateus.  Este título aparece somente uma vez em Marcos (10:47), pois teria menos significado para uma audiência gentílica do que para leitores judaicos. Está claro em Romanos1:3 que
Jesus foi reconhecido como descendente de Davi:”... da descendência de Davi segundo a carne”.
     Satanás vendo Jesus morrendo na cruz teve um sentimento de tristeza, não estava sendo consumada a derrota de Jesus.
      


Capitulo 10 -  O Messias

     Do ponto de vista teológico, uma das designações messiânicas mais importantes nos Evangelhos Sinóticos é o Filho do homem. Três fatos são de importância superlativa. Na tradição registrada nos evangelhos o Filho do Homem foi o modo favorito de Jesus fazer referência a si próprio; de fato, é o único título que ele utiliza livremente. Em segundo lugar, o título nunca é usado por ninguém mais designar a Jesus. Em terceiro lugar, não há evidência em Atos ou nas epístolas de que a igreja primitiva tenha chamado Jesus de Filho do Homem. A única ocorrência do título fora dos Evangelhos é a encontrada na visão de Estevão (At.7:56). O fato de que o título nunca tenha sido usado como uma designação messiânica para Jesus na igreja primitiva, é algo marcante.
     Os patriarcas da igreja interpretaram a frase como uma referência primária à humanidade do Filho de Deus encarnado. Muitas das discussões e comentários mais antigos assumem este significado teológico da frase, interpretando-a como se fundamentalmente fizesse referência à humanidade de Jesus e à sua identidade com o seres humanos. Essa interpretação incorre em erro, porque negligencia o contexto histórico e a importância da expressão.
     Um objeção à descrição encontrada nos Evangelhos é que Jesus jamais poderia ter aplicado este título a si mesmo, em virtude do título não existir em aramaico – a língua materna de Jesus – e, por razões lingüísticas, o termo é considerado como um vocábulo impossível. É verdade que a expressão idiomática pode simplesmente significar “homem”.
     Outra objeção suscitada diz que a frase “Filho do Homem” nos lábios de Jesus não tem outro significado senão o de funcionar como substituto para o pronome da primeira pessoa, e, conseqüentemente, não tem outro significado além de “EU”.
     A expressão “Filho do homem” não é incomum no Antigo Testamento, utilizada simplesmente par designar a humanidade. A expressão ocorre no livro de Ezequiel como o nome particular pelo qual Deus se dirige ao profeta. Alguns intérpretes concluíram que o contexto para o uso que Jesus fez da expressão encontra-se em Ezequiel.

     Nas similitudes de Enoque (1 Enoque 37-71), o Filho do Homem tornara-se um título messiânico de uma figura divina preexistente, que desce à terra para sentar-se sobre o trono do juízo, para destruir os ímpios da terra, para libertar os justos e para reinar em um reino de glória, quando os justos serão revestidos dos paramentos de glória e de vida e entrarão em uma abençoada relação de comunhão com o Filho do Homem para todo o sempre.
     Nos evangelhos ninguém mais usou esse termo além de Jesus. Fora do evangelhos foi usado por Estevão.
     Houve uma interpretação distinta se referindo a humanidade de Jesus:
1ª.) objeção – Jesus jamais poderia aplicado esse título a si mesmo pois não existia na língua materna de Jesus, aramaico
2ª.) Objeção – nos lábios de Jesus, essa expressão significava “EU” (pronome)
     Nos Evangelhos a expressão Filho do Homem poderia ser caracterizado em 3 caegorias:
     - terreno = embora humano, ainda assim Messias
     - sofredor = Messias sofreu
     - Apocalíptico = aquele que virá em sua Glória.
     Embora Jesus fosse meramente humano, mas não somente humano. Servo na terra, visto no sofrimento e na glória eterna.
     Jesus reivindicou ser o Messias, ao designar a si mesmo como o Filho do Homem; mas, pelo modo como usou o termo, indicou que seu messiado era de um tipo muito diferente daquele que era popularmente aguardado. A frase “Filho do Homem” permitiu-lhe reivindicar possuir dignidade messiânica, mas também interpretar aquele ofício messiânico a seu próprio modo.  Foi uma reivindicação, portanto, que não seria porntamente reconhecida pelas pessoas que possuíam um conceito errôneo do Messias, mas que, sem dúvida, foi utilizada com o propósito de alertar aqueles que foram espiritualmente responsivos à presença real do Messias, muito embora em uma função messiânica jamais prevista.


Capitulo 11 -  O Filho do Deus
     A expressão “Filho de Deus” assume na Bíblia vários significados: 1)Nativista = tange a criação = Adão, todos são filhos de Deus nessa visão. ( tudo que foi criado por Deus; 2)Moral religioso = relacionado a adoção = Israel povo eleito. Foram adotados, Igreja; 3)Teológico = é o próprio Jesus. Só pode se utilizado por Jesus; 4)Messiânico = Reis, da linhagem de Davi (II Sam. 7.14). Por esse modo os judeus acreditavam que o messias deveria vir como um governador = rei terreno.
     A expressão messiânica “O Filho de Deus” é a mais importante no estudo da auto-revelação de Jesus. Na história do pensamento teológico, essa expressão conota a divindade essencial de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, ou seja, Deus o Filho, a segunda pessoa da Trindade.
     Uma criatura de Deus poder ser denominada filho de Deus em um sentido nativista em virtude de dever sua existência à atividade criativa imediata de Deus.
     Na segunda maneira, a expressão “filho de Deus” pode ser usada para descrever a relação que os homens podem manter com Deus como os objetos peculiares de seu cuidado amoroso. Este é o uso moral-religioso e pode ser aplicado tanto às pessoas em geral com à nação de Israel.
     Em terceiro significado é messiânico; o rei da linguagem de Davi é designado como filho de Deus ( 2Sm. 7:14). Esse uso não envolve uma implicação necessária quanto à natureza divina do personagem messiânico; o termo refere-se à posição oficial de Messias.
     Um quarto significado é o teológico. Na revelação contida no Novo Testamento e na teologia cristã que se desenvolveu posteriormente, a expressão “Filho de Deus” veio a ter um significado mais elevado: Jesus é o Filho de Deus porque Ele é Deus e participa da natureza divina.
     Jesus apresentou-se como Filho de Deus de um modo único, pois estava separado de todos os outros seres humanos no sentido de que partilhava de uma unicidade com Deus, algo impossível aos seres humanos comuns.
       Filho do homem – mais importante no ponto de vista teológico auto-revelação
       Filho de Deus – mais importante no ponto de vista no estudo da auto-revelação de Jesus como Messias.
Resumo dos capítulos 9,10 e 11 do livro Teologia NT – G.E. Ladd - HAGNOS

O título e conceito de Messias (Christos = Mãsîah = ungido)


MINHAS aNOTAÇÕES PARA ESTUDO

O título e conceito de Messias (Christos = Mãsîah = ungido), historicamente falando, senão teologicamente, é o mais importante de todos os conceitos cristológicos, porque se tornou o modo central de designar a compreensão cristã da pessoa de Jesus.
Christos, que é propriamente um título designativo de “ungido”, tornou-se logo um nome próprio.  Jesus tornou-se conhecido não só como Jesu, O Cristo ou Messias (At.3:20), mas como Jesus Cristo ou Cristo Jesus. Só ocasionalmente Paulo fala de Jesus; quase sempre usa o nome composto; e refere-se com mais freqüência a “Cristo” do que a “Jesus”.  Embora não possamos ter certeza, parece que Christos tornou-se um nome próprio quando o evangelho de Jesus como o Messias fez as primeiras incursões no mundo gentílico.
O povo esperava um messias político, libertador. Jesus libertador espiritual.
Na organização do Antigo Testamento, várias pessoas foram ungidas com óleo e, em decorrência, separadas para cumprir alguma função divinamente ordenada na teocracia, sacerdotes (Lv4:3; 6:22), reis (1 Sm. 24:10; 2 Sm 19:21; Lm 4:20), e possivelmente os profetas (1 Rs. 19:16).  Esta unção indicava uma designação divina para o ofício teocrático em questão e, por conseguinte, indicava que, em virtude da unção, as pessoas ungidas pertencia a um círculo especial de servos de Deus e que suas pessoas eram sagradas e invioláveis (1 Cr. 16:22).
O termo isolado “O Messias” não ocorre de forma alguma no Antigo Testamento.  A palavra sempre tem um genitivo ou sufixo qualificativo, como “ o messias de Jeová”, ou “meu messias”.  Alguns estudioso insistem que em parte alguma do Antigo Testamento o vocábulo messias é aplicado a um rei escatológico. Esta, conclusão, entretanto,  é questionável. Em Salmos 2:2, o título parece referir-se a um rei messiânico.  Este é o uso messiânico mais destacado da palavra, no Antigo Testamento.
A IDÉIA MESSIÂNICA NO JUDAISMO: o reino desejado é terreno e político em sua forma, embora um tom fortemente religioso possa ser percebido.
A EXPECTATIVA MESSIÂNICA NOS EVANGELHOS:  é bastante notório que o povo esperava que um messias aparecesse (Jo. !:20,41; 4:29; 7:31; Lc 3:15). Ele deveria ser um filho de Davi (Mt.21:9; 22:42), e, mesmo que soubessem que deveria nascer em Belém. (Jo.7:40-42; Mt. 2:5), havia uma tradição que dizia que deveria aparecer repentinamente entre o povo a partir de um origem obscura (Jo. 7:26-27). Quando o Messias aparecesse, permaneceria para sempre (Jo. 12:34).
O elemento mais importante nessa expectativa é que o messias seria o rei davídico.
O povo desejava como seu messias um líder poderoso que sobrepujasse Roma.  No auge de sua popularidade, quando Jesus já havia manifestado o poder divino que nele habitava, por meio da multiplicação dos pães e dos peixes, para alimentar cinco mil pessoas, um movimento espontâneo surgiu, no qual as multidões tentaram tomar Jesus pela força, para fazê-lo rei (Jo. 6:15), na esperança de Ele pudesse ser persuadido a empregar seus notáveis poderes para derrubar o jugo pagão e livrar o povo de Deus de sua odiosa escravidão e, dessa forma, inaugurar o Reino de Deus.  Se o propósito de Jesus tivesse sido oferecer aos judeus esse reino davídico, político e terreno, eles teriam aceito de imediato e estariam dispostos a segui-lo até a morte, se necessário fosse. Desejavam um rei para libertá-los de Roma, não um salvador para redimi-los dos seus pecados.
Assim, como parece ser o caso, “messias” sugeria às mentes dos judeus um filho real de Davi, que seria ungido por Deus para trazer o livramento político do jugo dos pagãos a Israel e para estabelecer o reino terreno.  Assim, fica evidente, de imediato, que seria necessário que Jesus utilizasse o termo com a maior reserva possível.  O messiado  que Jesus veio exercer foi de um caráter bem diferente daquilo que o termo sugeria à mentalidade popular, ... , podemos compreender por que razão Ele não fez um uso extensivo de um termo que sugeria à mentalidade popular algo bem diferente daquilo que Jesus pretendia.
O FILHO DE DAVI:  O Antigo Testamento aguardava um rei que  seria da descendência de Davi (Jr. 23:5; 33:15).   No judaísmo pós-cristão, a expressão “Filho de Davi” ocorre com freqência como um título do Messias. Em várias ocasiões, Jesus foi reconhecido como o Filho de Davi, segundo a narrativa de Mateus (Mt.9:27; 12:23; 15:22; 20:30).   Esse título aparece somente uma vez em Marcos (10:47), pois teria menos significado para uma audiência gentílica do que para leitores judaicos.  Está claro em Romanos 1:3 que Jesus foi reconhecido como descendente de Davi: “...da descendência de Davi segundo a carne”.
Mateus 22:41-46; Marcos 12:35-37 – Jesus tomou a ofensiva contra os líderes judaicos com a pergunta  ”Como dizem os escribas que o Cristo é Filho de Davi? O próprio Davi desse pelo Espírito Santo: O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.  Pois, se Davi mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho?”   Alguns estudiosos interpretam esta passagem como uma rejeição completa da filiação davídica.  Isto é improvável, pois a descendência davídica do Messias nunca foi negada nos escritos cristãos do primeiro século.  Outros a interpretam como se o significado fosse de que a filiação davídica não tem valor na missão messiânica de Jesus.  Uma melhor interpretação é que Jesus está acusando os escribas de uma interpretação do Messias inadequada.  O próprio Davi escreveu: “Disse o SENHOR (Deus) ao meu Senhor ( o Rei messiânico): Assenta-te à minha mão direita”.  Não há, certamente, uma resposta racional à seguinte questão: Como o Messias pode ser o Filho de Davi, se ele é também o Senhor de Davi, pelo menos, conforme as pressuposições dos escribas?  Aqui Jesus toca no verdadeiro segredo messiânico. “ Parece ( Mc. 12:35-37), embora a passagem não afirme a reivindicação, que Jesus é sobrenatural em dignidade e em origem, e que sua filiação não é simplesmente uma mera questão de descendência humana.
Esta é a indicação para o uso que Jesus fez do termo messias.  Ele Ra o Messias, mas não o conquistador guerreiro das esperanças judaicas daquela época.  Evitou o título em virtude de suas implicações nacionalistas com referências aos judeus; na ocasião aceitou o título, porém reinterpretou-o, particularmente por meio do uso que fez do termo “Filho do Homem”.
Historicamente, há muitas razões para aceitarmos a precisão da tradição dos Evangelhos.  Jesus iniciou um movimento que levou muitas pessoas a crerem que ele era o “messias”.  Ele reivindicou ser aquele que estava cumprindo as promessas messiânicas do Antigo Testamento  (Lc. 4:21; Mt.11:4-5), por intermédio de quem o Reino de Deus está presente no mundo ( Lc. 11:20 e Mt. 12:28).  O Sinédrio interrogou-o, pois procurava saber se era o Messias, e enviou-o a Pilatos sob a acusação de pretender ser um rei messiânico.  Jesus foi crucificado devido a esta última acusação.  A categoria de messiado foi considerada tão importante, que Christos converteu-se em um nome próprio.  A memória da igreja reconheceu-se claramente como o Messias.
A explicação mais natural para esses fatos é que Jesus agiu como o Messias; contudo um Messias muito diferente das expectativas judaicas daquela época.  È difícil crer que Jesus tenha desempenhado um papel de forma involuntária, do qual não tivesse consciente.  Ele, certamente, sabia que era o Messias.

PROBLEMA CRÍTICO DO QUARTO EVANGELHO


PROBLEMA CRÍTICO DO QUARTO EVANGELHO
                Há uma grande diferença entre o quarto evangelho e os Sinóticos.  Na visão analítica da teologia o quarto evangelho não é  sinótico.  João é diferente de não sinótico por sua narrativa ser diferente dos evangelhos sinóticos.  A mente de João está voltada para outro destinatário, outro povo.  João tem a preocupação de mostrar para esse povo tanto o Jesus Messias como também o Jesus histórico
                Os  estudiosos dizem que o quarto evangelho foi escrito no final do primeiro século com a finalidade de refutar um tendência sinótica que invadia a igreja, um ensinamento herético que ensinava que Jesus não possuía matéria, porque a matéria em si mesma é má, e se a matéria é má, Jesus não pode ter recebido a matéria se não Ele seria mau.
                Diferenças entre os sinóticos e João. A estrutura de João ≠ da estrutura do sinótico
·           Há um problema na questão do local:
                 sinótico o ministério de Jesus se deu na Galiléia.  Na narrativa de João o ministério foi marcado por várias visitas a Jerusalém.
·          Na questão do tempo:
                os sinóticos é narrado somente uma páscoa, normativa que o ministério de Jesus se dá em 1 ou 2 anos.
                Em João é narrado a celebração de três páscoas (Jo.2.13; 6.4; 13.1) e possivelmente em quarta páscoa (João 5.1)
·         Diferença no uso literário
       Porque nos sinóticos os ensinos de Jesus são proferidos por meio de parábolas (breves ensinamentos, ensinamentos muitos curtos,  de fácil aprendizado.
       No quarto evangelho, o uso literário são discursos longos.

·         O quarto evangelho deixa de narrar vários acontecimentos que são registrados nos sinóticos: nascimento de Jesus, expulsar demônios, batismo, ceia, tentação, transfiguração, discurso do monte das Oliveiras, etc
Sinóticos – transcorre na sua maior parte na Galileia.

·         Em João não tem nada de dizer sobre o arrependimento, nos sinóticos existe a preocupação em defender uma tese de arrependimento.
·         Tema central nos sinóticos é,  o Reino de Deus .
·         Vida Eterna nos sinóticos é uma benção que aponta para o futuro, uma benção escatológica futura.
·         No quarto evangelho o Reino de Deus desaparece.  Surgi um novo conceito de vida eterna, não somente uma benção para o futuro como também pode ser concretizada no tempo presente.
·         Forma predileta de Jesus ser apresentado nos evangelhos sinóticos: Filho de Deus ou Filho do Homem.
·         Em João, a expressão peculiar mais distinta para Jesus é “ego eimi” ou seja – “EU SOU”
Eu sou a porta;  Eu sou o pão da vida;  Eu sou a luz do mundo;  Eu sou o bom Pastor; eu sou a videira verdadeira; Eu sou a ressurreição e a vida;  eu sou o caminho a verdade e a vida; etc

DUALISMO JOANINO


DUALISMO JOANINO
                Se difere dos sinóticos, nos sinóticos o dualismo é na horizontal (entre a era presente e na era futura).  Aquilo que pertence a era futura, irrompeu no tempo e no espaço através da pessoa e missão de Jesus.
                Em João, o dualismo é na forma vertical ... Jo. 8.23
“... vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima...”  (mundo extraterreno)
                O tempo que Jesus passou no mundo debaixo, foi para cumprir uma missão do Reino eterno. 
                A Missão que Jesus recebeu de Deus, do mundo de cima, Jesus adentrou o mundo inferior, não que Ele necessitasse disso, mas simplesmente para cumprir uma missão que recebeu do mundo superior.
                Jesus veio a este mundo com a finalidade de redimir a humanidade de seus pecados.
                Jesus sendo do mundo de cima, rompe no mundo de baixo par cumprir todas as profecias que foram preditos no VT, profecias essas que apontavam para uma realidade que até então era manifestada através de sombra.
TENSÂO VERTICALNa literatura, João trata da questão entre trevas e luz, (cap 1.5 – “ A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevalecem...”)
Luz = mundo de cima  ;   trevas = mundo de baixo.
                Jesus mesmo pertencendo ao mundo superior, estando no mundo inferior, não deixou de ser aquilo que Ele foi no mundo superior.
                O fato de Jesus sofrer o processo de “esvaziamento”, não significa que Ele deixou de ser aquilo que Ele sempre foi.
                Mc 13 “nem o filho, nem os anjos, somente o Pai”.  Não significa dizer que Ele não sabe, mas significa dizer que Ele se utilizou de um esvaziamento ( gnostis).  Jesus enquanto esteve no mundo terreno, mundo inferior, Ele foi uniciente, uni presente e uni potente.   Somente um ser completamente divino poderia ter esses atributos.
TENSÃO VERTICAL -  Carne e espírito:
                Espírito = mundo superior
                Carne = mundo inferior
Pagina 339:   cosmos = mundo em João (quarto Evangelho)
                - ordem criada = universo
                - terra em particular = habitada
                - aqueles que habitam a terra = João 3.16
                               Vir ao mundo = nascer;    estar no mundo = existir;    partir do mundo = morrer
                O uso mais interessante da  palavra cosmo no quarto evangelho é se referindo ao gênero humano como sendo objeto de amor e salvação no próprio Deus.   Gênero humano = cosmo (mais interessante) como objeto de amor e salvação.
                Deus não veio condenar o mundo, mais para que o mundo fosse salvo por Ele.

João 14:30 -    Satanás tenta vencer a Jesus, porém frustrado em seu propósito, tendo em vista que ele  é impotente  para se fazer na cruz.
                Na cruz, Jesus consumou sua vitória sobre esse que governa esse mundo. 
Satanás – governador – poder sobre natural, dominando o mundo de baixo.   Que até então exercia total poder sobre esse mundo de baixo.
                Não existe evangelho sem a cruz.  Somos tentados a viver um cristianismo sem Cristo, uma religião sem Espírito, uma salvação sem novo nascimento, um perdão sem arrependimento e um evangelho sem cruz.
                A cruz no evangelho de João é expressão máxima da vitória consumada por Jesus sobre qualquer outro poder que pudesse existir no mundo de baixo.
                João deixa bem claro que aquilo que Jesus dá por intermédio de sua pessoa em missão, se sobre põem a qualquer poder, de qualquer governador, seja esse poder sobrenatural ou não, que impera ou opera no mundo de baixo.  Ao ponto de Jesus no capítulo 16 de João, dizer para os discípulos: “ ora, vai chegar o momento que vocês irão se entristecer e o mundo de baixo com seu governador irá se alegrar, mas, alegria deles sebre a tristeza de vocês será momentânea.  Porque chegará o momento que a tristeza de vocês transforma-se-a em alegria, e ninguém mais será capaz de tirar essa alegria do coração de vocês.
                 Esse Jesus que traz em si mesmo,capacidade em subjugar o poder de Satanás.  Esse Jesus é o cordeiro que foi morto, mesmo antes da fundação do mundo.  (Ap. 13:8 “ Ele é o cordeiro de Deus que foi morto mesmo antes da fundação do mundo”.)  Antes mesmo antes que o mundo viesse a existir como ordem criada, Jesus já havia sido crucificado, tirado da cruz e já estava de volta ao lado do pai.  Isso porque Jesus está fora da linha do tempo, ele não sofre sucessão de momentos, tudo para Ele acontece no tempo presente.  Não existe em Jesus alguma coisa que vai acontecer, em Jesus tudo já aconteceu.  NÃO devemos humanizar Jesus no extremo, embora ele seja perfeitamente homem, completamente homem, ele não deixa de ser completamente e perfeitamente Deus, seja no mundo de baixo, seja no mundo de cima. 
NA ETERNIDADE NÃO HÁ SUCESSÃO DE MOMENTOS.

CRISTOLOGIA – EVANGELHO DE JOÃO


CRISTOLOGIA – EVANGELHO DE JOÃO

Jesus superior que deu origem a todas as coisas
Logos é a Palavra de Deus. Não somente a letra, é também uma pessoa.
Havia uma tendência herética que dizia que Jesus não veio em carne. João escreve para combater essa heresia que afirmava que na matéria residia o pecado.
-  O quarto evangelho  foi escrito não que cressem em Jesus, e sim para fazer saber que Jesus veio.
- Jesus vem para cumprir o que era irreal no VT e fazer real no NT.  “ Esse é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo...”    “ Esse é o Cristo”
- Interpretação inicial filosofia ( Evangelho de João), todavia é mais importante conceituação “LOGOS”, assim uma função  pré-existente “no princípio era o verbo...”
LOGOS – no primeiro momento = pré existência de Jesus é refletida em várias passagens de seu próprio ensino. “Antes que Abraão existisse, eu sou” (8:58).  Essa surpreendente afirmação é uma alusão ao uso do AT. Deus revelou-se a Moisés como ‘EU SOU O QUE SOU’ (Ex 3:14).  A primeira característica teológica (João 1.1) para Logos é: Pre existente – questão abstrata (Ap 13.8)
LOGOS – era Deus.  Em segundo lugar, João utiliza a idéia do Logos para afirmar a divindade de Jesus Cristo.  Está declarando que tudo o que o Verbo é, Deus é.   Logos assume a divindade “estava com Deus e era Deus” (João 1.2) ‘ Deidade do Logos’
LOGOS – Criação.  No terceiro momento, João afirma que o LOGOS foi o agente da criação.  Essa palavra que tem poder de trazer (João 1.3) existência coisas que não existe, o poder dessa palavra faz as coisas se transformar e se organizar. Em Genesis essa palavra trouxe ordem ao caos.  Em João 1.3 – “... por intermédio dEle...” (agente da criação) .  O pronunciamento dessa palavra as coisas se transformam.  Em Genesis essa palavra ‘ organiza’.  Em João essa palavra, Deus traz o caos onde tudo está organizado.    Em Hebreus 1,  logos revelador
LOGOS -  O verbo se fez carne (1:14)  - Deus fez nascer um mundo original idéias; mais o LOGOS, aqui uma divindade derivada secundária, gerada por Deus na eternidade, dá forma ao mundo visível.  João deseja enfatizar que foi o próprio Deus, na pessoa do Verbo, que entrou na história humana, não como um fantasma, mas como um homem real, com um corpo de carne.  A palavra traduzida como habitar (eskenosem), ou ‘tabernacular’, é uma metáfora bíblica para indicar a presença de Deus.  Essa declaração ‘implica que o próprio Deus estava presente em carne, em humilhação’.
Encarnação = tabernacular (invisível),  habitou entre nós.
                               - tabernaculo = presença de Deus ( nuvem )
                               - Nómades = barracas – Jesus é habitação para todos os que o receberem
                               - Tendas de campanha – locais onde os soldados descansam = Jesus o único par satisfazer as necessidades mais profundas do ser humano
LOGOS – o quinto significado do vocábulo é que Ele veio em carne como revelador. Jesus é o revelador – 1:4,5,18 “... Ninguém viu a Deus.”  Jesus é que revela à Deus.. Jesus é a imagem real do Deus invisível. Origem da vida.


Messias   - no quarto evangelho: crer que Jesus é o Cristo = título, não como um nome próprio para Jesus.
João 12:30 – Cristo deveria permanecer para sempre.  Essa expectativa desmorona  quando vai para Cruz nos olhos do Judeus, não podia ser compreendido.
João 9 – os judeus olham para esse Cristo que vai para cruz  sendo uma contradição.  Como aquele que se dia bendito pode morrer numa cruz?!  Devido que a morte na cruz  era para os ‘malditos’.  Parecia que a esperança do povo terminara em uma rua sem saída, “SEPUCRO”.
Cristo está sendo glorificado na sua morte no calvário.  Morte significava “ VITÒRIA”
Da mesma forma que nos Sinóticos, a expressão “Filho do Homem” é usada somente pelo próprio Jesus, para identificar a si mesmo.
A mensagem central da Igreja (na atualidade) deve ser o Cristo ressurreto,  dever ser uma mensagem escatológica.  
Uma interpretação mais natural no contexto do pensamento joanino é que Jesus, o Filho do Homem, veio para estabelecer a comunicação entre os céus e a terra.
Filho de Deus no sentido unigênito – O filho de Deus.   Uma das diferença mais marcantes entre os sinóticos e João é o papel distinto desempenhado pela filiação de Jesus a Deus. Na tradição sinótica, Jesus é reticente em falar de sua filiação e da Paternidade de Deus.    A relação ente  o Pai e o Filho está intimamente entrelaçada em toda a argumentação do Evangelho de João.  Isto se reflete, acima de tudo, na reivindicação de Jesus de ter sido enviado pelo Pai.  Deus é muitas vezes citado, simplesmente, como aquele que enviou Jesus. O conjunto de sua atividade e ministério é dominado pela coincidência de que ele foi divinamente comissionado.  Em virtude de Ele ter sido enviado por Deus, suas obras são obras divinas – as obras do próprio Deus.  Não somente as obras, como também as palavras de Jesus, são as palavras de Deus.  Como o Filho, Jesus reivindica possuir o conhecimento exclusivo do Pai.  Ninguém viu o Pai, senão aquele que é de Deus; Ele vê o pai (6:47).  Em decorrência do fato do Pai amar o Filho, e enviá-lo ao mundo com a finalidade expressa de cumprir a vontade divina, todas as coisas foram entregues pelo Pai nas mãos do Filho (3:35).  Portanto, Jesus, o Filho, reivindica, por parte da humanidade, a mesma honra que é dada a Deus (5.23).  Esta unidade aparenta ser mais do que a unidade de propósitos e intentos; de algum modo incompreensível aos seres humanos, o Pai está no Filho e o Filho no Pai (10:38).
Como o Filho de Deus, Jesus tem uma missão divinamente designada a cumprir. O elemento mais reiterado nessa missão é o mediar da vida dos homens.  O Filho tem o mesmo poder de conferir vida que o Pai (5:21) Da mesma forma que o Pai tem vida em si mesmo, também outorgou ao Filho ter vida em si mesmo (5:260.  Portanto, a fé em Jesus como o Filho de Deus resulta na posse da vida eterna (3:35; 6:40,47).  Jesus pode até mesmo dizer: “ Eu sou a ressurreição e a vida” (11:25).  Ele  tem poder sobre toda a carne para conferir a vida eterna, a quem o Pai desejar (17:2)
Como o Filho de Deus, Jesus é mais do que um homem escolhido e consagrado; Ele faz parte da divindade.  João testifica de sua divindade em seu primeiro versículo, “O Verbo era Deus” (1:1).
                              
                 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ele quer a fé dentro dos hospitais

Ele quer a fé dentro dos hospitais



Bocejos e olheiras acompanhavam o médico oftalmologista Claudio Lottenberg, 51 anos, no encontro exclusivo dele com o iG Saúde.

Reflexos da véspera mal dormida enfrentada pelo e ex-secretário municipal de saúde de São Paulo (gestão 2006) e atual presidente da rede Hospital Albert Einstein, uma das maiores na área da saúde particular e filantrópica do País.

A justificativa, em meio aos pedidos de desculpa, não tardou a vir: “Operei 12 pacientes na segunda-feira. Amanhã tenho 25 cirurgias agendadas”, dizendo ainda que a jornada tinha terminado a 1h e começado, novamente, só quatro horas depois.

“Sem contar que tenho uma figura muito conhecida hospitalizada aqui (unidade Morumbi do Einstein). Mas isso ninguém sabe, nem você”, disse Lottenberg, apontando para a coordenadora de marketing da rede hospitalar, que acompanhava a entrevista.

“Não faço promoção pessoal com os pacientes atendidos. Não quero ser o médico dos famosos, nem dos poderosos, apesar de ser o médico de alguns deles”, emendou a frase, que alfinetava alguns colegas médicos de outras unidades hospitalares de renome que ganharam repercussão nacional por atender políticos de todos os partidos, músicos de todos os estilos e atores de todos os canais.

Não é a única afirmação dada por Lottenberg que pode gerar polêmica. O médico é defensor de outras “duas misturas” que já começaram a ser ensaiadas no setor da saúde do Brasil, mas ainda não são unanimidades.

A primeira é colocar no mesmo pacote de atendimento o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada. A segunda é superar, de vez, o divórcio entre ciência e espiritualidade e fazer da fé dos pacientes um procedimento padrão e essencial da medicina.

“Se não for uma questão humanista, que seja por uma razão econômica. Já existem pesquisas que mostram que os pacientes terminais com câncer que exercem a espiritualidade, por exemplo, dão menos custos aos hospitais do que os com o mesmo perfil que não têm fé.”

Leia trechos da entrevista com o especialista que, além da grife Einstein, também é responsável pela administração do M'Boi Mirim, hospital público da periferia da zona sul paulistana e 14 Unidades Básicas de Saúdes. Lottemberg é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do MBA em Saúde do IBMEC, além de autor do livro "A Saúde Brasileira pode dar Certo" (Ed. Atheneu).

iG Saúde: Os hospitais particulares estão com superlotação de pacientes e há demora de meses para a marcação de consultas. O senhor avalia que os planos de saúde estão repetindo os mesmos erros já cometidos pelo SUS?

Lottenberg: Tanto o SUS quanto a saúde suplementar erram de forma muito parecida. Porque ambos centram o debate para solucionar os problemas somente no dinheiro. Há anos a gestão pública reclama que falta verba. Há anos também os médicos reclamam que os profissionais e os procedimentos são mal remunerados pelos planos de saúde. Os pacientes ficam perdidos nessa discussão e sempre discutimos as mesmas coisas. Claro que o financiamento é importante e reconheço que é deficiente, mas não acredito ser este o eixo da questão. A saúde do Brasil é fragmentada. Para o paciente, pouco importa o local onde será atendido, desde que ele consiga o atendimento. Minha visão é que SUS e saúde suplementar deveriam atuar mutuamente, de forma conjunta. Daí os gargalos reais apareceriam e aí sim o próximo passo seria discutir dinheiro.

iGSaúde: O que o senhor defende é um modelo de gestão compartilhada entre SUS e saúde privada, como o das Organizações Sociais de Saúde (OSS), em vigor hoje no M’Boi Mirim?

Lottenberg: As OSSs são um caminho mas não há única possibilidade de integração entre as duas esferas. Sou oftalmologista, tenho meu consultório particular e tenho muitas vagas ociosas para a cirurgia de catarata, por exemplo. Não teria o menor problema em receber os pacientes que estão na fila de espera do SUS em minha clínica, caso o Ministério da Saúde distribuísse esta demanda reprimida e pagasse um certo valor por isso. O SUS ganharia e os consultórios particulares – que estão ociosos – também. É uma maneira mais real de saber quais são as verdadeiras deficiências no atendimento. É quando a demanda é vista de forma integral e não dividida entre público e privado, como se fossem coisas independentes. Tudo é saúde. Esta parceria, além de não poder desvalorizar o funcionalismo público, também tem que contribuir para redefinir o papel do médico. Os médicos precisam olhar o paciente de forma mais integrada.

Papel do médico

iG Saúde: Esse olhar mais integrado significa que precisamos de mais médicos de família e menos cirurgiões altamente especializados?

Lottenberg: Não é a formação e, sim, o olhar do médico. Eu não fiz oftalmologia para só definir se a mulher é míope ou não. Eu fiz medicina para saber quais são os impactos da miopia na vida desta paciente e ajudá-la com isso. Ela precisará voltar ao hospital para regular o grau dos óculos. E esta regulagem, um técnico bem treinado, pode fazer, deixando a especificidade do tratamento para mim. O médico precisa entender que ele é maestro de uma equipe de diversas especialidades e que é preciso dar mais espaço para outros técnicos, sem só brigar por uma reserva de mercado. Técnicos bem treinados podem medir a pressão e deixar o atendimento amplo da hipertensão, por exemplo, para o cardiologista. Parteiras podem fazer parto desde que saibam os limites. Integração da equipe, médicos, técnicos e outros profissionais da saúde é o que garante o atendimento possível e de qualidade.

iG Saúde: Mas os médicos estão preparados e disponíveis para este novo papel e esta divisão com outros profissionais? E os pacientes, estão preparados para nem sempre serem atendidos por médicos?

Lottenberg: Ainda é preciso um trabalho importante com os médicos e com os pacientes. Com os médicos para que recebam melhor esta função de supervisor de equipe, sem o ranço da disputa de mercado. Com os pacientes para que não anseiem somente pela figura do médico. Em uma discussão sobre o que deveria ser atendido em um hospital de emergência, se era parto, infarto, acidente, a definição é que no pronto-socorro as pessoas querem que suas angústias sejam acolhidas. E associam este atendimento ao médico. Por isso, definitivamente, este trabalho sobre o papel do médico precisa ser feito com os médicos e com os pacientes.

Medicina e fé

iG Saúde: Outro assunto para o qual talvez os médicos não estejam preparados, e tem sido uma de suas bandeiras, é a fé na medicina. Por quais motivos os hospitais precisam acolher a fé dos pacientes?

Lottenberg: Primeiro uma explicação. As pessoas usam a religião para compreender a fé, porque é um mecanismo mais fácil de entendimento. Mas a fé não precisa ser atrelada à religião. Na saúde, até os ateus podem ter os benefícios do que as pessoas chamam de fé. É por meio da fé que conseguimos gerenciar o estresse, que libera hormônios e neurotransmissores tóxicos ao organismo. O nervosismo não causa asma em ninguém, mas cientificamente sabemos que os asmáticos, quando nervosos, podem ter crises agravadas e morrer por isso. Também é científico que as pessoas que exercem a fé apresentam melhoras de saúde mais rápida, tempos mais reduzidos de internação. Já existem pesquisas que mostram que os pacientes terminais com câncer que exercem a espiritualidade, por exemplo, dão menos custos aos hospitais do que os com o mesmo perfil que não têm fé. Os hospitais precisam começar a dar espaço para a fé. Se não for uma questão humanista, que seja por uma razão econômica.

iG Saúde: O senhor avalia que a conciliação entre ciência e fé está próxima? Será possível as duas caminharem juntas?

Lottenberg: Já demos alguns passos, estamos engatinhando ainda. Só o número crescente de evidências científicas que mostram os benefícios da espiritualidade nos tratamentos clínicos já mostra que o divórcio entre fé e ciência está chegando ao fim. Eu defendo que os médicos, ao menos, se mostrem disponíveis e dispostos em perguntar se a fé é importante para o tratamento dos pacientes. E se a resposta for sim que não impeçam o exercício dela. Isso, no Einstein, já é protocolo de atendimento e uma das bases da nossa missão. Eu já conversei com o ministro da saúde (Alexandre Padilha), que ouviu atentamente o meu posicionamento. Também levei esta temática nos encontros que tive com líderes religiosos (mês passado Lottenberg foi recebido pelo papa Bento XVI). Falei sobre o assunto também com o Dalai Lama. Ele, acredite, tem um interesse muito grande em neurologia, sabia?

iG Saúde: E os médicos, estão preparados para abrir espaço à fé de seus pacientes?

Lottenberg: Einstein já disse que é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito. Acredito que começamos este processo. Os médicos precisam ocupar este espaço. Porque deixá-los vazios é permitir a invasão de pessoas de má fé. Medicina tradicional é complementada pela espiritualidade e vice-versa. Uma oração não vai substituir uma droga anticâncer.

atualização em 16/07/2012http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=58&id=5049&menu=54

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Curso de Capelania Pós-Alta Hospitalar. SP





Curso de Capelania Pós-Alta Hospitalarem São Paulo - SP

Através de vídeos, palestras e dinâmicas você será capacitado para atuar como apoio à visitas domiciliares aos enfermos! (Folder em anexo)

Local: Instituto Presbiteriano Mackenzie SP
Data: 01 de setembro de 2012.
Horário: 09h00 às 17h30
Investimento: R$ 50,00 

Banco do BRADESCO
AG.: 0368-9
C/C: 96768-8

Faça seu depósito e nos envie seu comprovante: capelaniaevangelica@gmail.com ou pelo fax: (11) 2507-9296.
Lembre-se de se identificar!!!