C A H E R J

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Capelania Evangélica do Rio de Janeiro

sábado, 20 de abril de 2013

A viúva de Sarepta



Título: Elias e Eliseu — Um ministério de poder para toda a Igreja
Comentarista: José Gonçalves

Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva” (Lc 4.25,26).

Para socorrer e sustentar os seus filhos, Deus usa os meios mais inesperados.

Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva” (Lc 4.25,26).




1 Reis 17.8-16.

8 - Então, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo:
9 - Levanta-te, e vai a Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente.
10 - Então, ele se levantou e se foi a Sarepta; e, chegando à porta da cidade, eis que estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; e ele a chamou e lhe disse: Traze-me, peço-te, numa vasilha um pouco de água que beba.
11 - E, indo ela a buscá-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me, agora, também um bocado de pão na tua mão.
12 - Porém ela disse: Vive o SENHOR, teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija; e, vês aqui, apanhei dois cavacos e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos.
13 - E Elias lhe disse: Não temas; vai e faze conforme a tua palavra; porém faze disso primeiro para mim um bolo pequeno e traze-mo para fora; depois, farás para ti e para teu filho.
14 - Porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará, até ao dia em que o SENHOR dê chuva sobre a terra.
15 - E foi ela e fez conforme a palavra de Elias; e assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias.
16 - Da panela a farinha se não acabou, e da botija o azeite não faltou, conforme a palavra do SENHOR, que falara pelo ministério de Elias.


introdução

Palavra Chave
Provisão: Abastecimento, fornecimento, mantimentos.

A visita do profeta Elias a terra de Sarepta, onde foi acolhido por uma viúva pobre, é emblemática por algumas razões. Primeiramente, a história revela o cuidado de Deus para com os que se dispõem a fazer sua vontade. Não importa onde estejam, Deus cuida de cada um de seus filhos. Elias foi o agente de Deus para confrontar a apostasia no reino do Norte. Necessitava, pois, de um lugar seguro para refugiar-se. Em segundo lugar, o episódio revela a soberania de Deus sobre as nações. Mesmo tratando-se de uma terra pagã, Deus escolhe dentre os moradores de Sarepta, uma mulher que servirá como instrumento na construção de seu propósito.

I. UM PROFETA EM TERRA ESTRANGEIRA

1. A fonte de Querite. Logo após profetizar uma grande seca sobre o reinado de Acabe, Elias recebeu a orientação divina: “Vai-te daqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Quente, que está diante do Jordão” (1 Rs 17.3). Elias havia se tornado uma persona non grata no reinado de Acabe. E, devido a esse fato, precisava sair de cena por um tempo. Seguindo a orientação divina, ele refugia-se primeiramente próximo à fonte de Querite. Era um lugar de sombra e água fresca, mas não representava o ponto final de sua jornada. Ele não poderia fixar-se naquele local porque ali não havia uma fonte permanente, mas uma provisão em tempos de crise (1 Rs 17.7). Quem faz de “Querite” seu ponto final terá problemas porque certamente secará!
2. Elias em Sarepta. Elias afasta-se de seu povo e de sua terra, indo refugiar-se em território fenício (1 Rs 17.9). A geografia bíblica informa-nos que Sarepta era uma pequena localidade situada a cerca de quinze quilômetros de Sidom, terra da temida Jezabel (1 Rs 16.31). Às vezes o Senhor faz coisas que parece não ter lógica alguma! No entanto, esse foi o único lugar no qual o rei Acabe jamais pensaria em procurar o profeta (1 Rs 18.10). São nas coisas menos prováveis que Deus realiza seus desígnios! Sarepta parecia ser uma terra de ninguém, mas estava no roteiro de Deus para a efetivação do seu propósito.

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Num momento de crise Elias se afastou do seu povo e de sua terra e refugiou-se em território fenício.


II. UMA ESTRANGEIRA NO PLANO DE DEUS

1. A soberania e graça de Deus. Quando o Senhor ordenou ao profeta que se deslocasse até Sarepta, revelou-lhe também qual era o seu propósito: “Ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente” (1 Rs 17.9). Elias precisava sair da região controlada por Acabe e isso, como vimos, aconteceu quando ele se dirigiu a Sidom, na Fenícia.
O texto é bem claro em referir-se à viúva como sendo um instrumento que o Senhor usaria para auxiliar a Elias: “Ordenei ali a uma mulher viúva”. Quem era essa viúva ninguém sabe. Todavia, foi a única escolhida pelo Senhor, dentre milhares de outras viúvas, para fazer cumprir seu projeto soberano (Lc 4.25,26). Era uma gentia que, graças ao desígnio divino, contribuiu para a construção e desenvolvimento do plano divino.
2. A providência de Deus. A providência divina para com Elias revelou-se naquilo que Paulo, muito tempo depois, lembrou (1 Co 1.27). Um gigante espiritual ajudado por uma frágil mulher! Sim, uma mulher viúva e pobre. Muito pobre! Ficamos a pensar o que teria passado pela cabeça do profeta quando o Senhor lhe disse que havia ordenado a uma viúva que o sustentasse. Era de se imaginar que a mulher possuísse algum recurso. Como em toda a história de Elias, a provisão de Deus logo fica em evidência. A providência divina já havia se manifestado nos alimentos trazidos pelos corvos (1 Rs 17.4-6). Agora revelar-se-ia através de uma viúva pobre.


SINOPSE DO TÓPICO (II)

Pela sua soberania e graça, Deus incluiu uma estrangeira em seu plano.


III. O PODER DA PALAVRA DE DEUS

1. A escassez humana e a suficiência divina. A mulher que Deus havia levantado para alimentar Elias durante o período da seca disse não possuir nada ou quase nada: “nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija; e, vês aqui, apanhei dois cavacos e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos.” (1 Rs 17.12). De fato o que essa mulher possuía como provisão era algo humanamente insignificante! A propósito, o termo hebraico usado para punhado, dá a ideia de algo muito pouco! Era pouco, mas ela possuía! Deus queria operar o milagre a partir do que a viúva tinha. A suficiência divina se revela na escassez humana. O pouco com Deus torna-se muito!
2. Deus, a prioridade maior. O profeta entrega à viúva de Sarepta a chave do milagre quando lhe diz: “porém faze disso primeiro para mim um bolo pequeno e traze-mo para fora; depois, farás para ti e para teu filho” (1 Rs 17.13), O profeta era um agente de Deus, e atendê-lo primeiro significava colocar a Deus em primeiro lugar. O texto sagrado afirma que “foi ela e fez segundo a palavra de Elias” (1 Rs 17.15). Tivesse ela dado ouvidos à sua razão, e não obedecido as diretrizes do profeta, certamente teria perdido a bênção. O segredo, pois, é colocar a Deus sempre em primeiro lugar (Mt 6.33).


SINOPSE DO TÓPICO (III)

Na escassez humana vemos a suficiência divina através do poder da Palavra de Deus.


IV. O PODER DA ORAÇÃO

1. A oração intercessória. O texto de 1 Reis 17.1 traz a profecia de Elias sobre a seca em Israel. E, de fato, a seca aconteceu. Tiago, porém, destaca que a predição de Elias foi acompanhada de oração: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra” (Tg 5.17). Novamente o profeta encontra-se diante de um novo desafio e somente a oração provará a sua eficácia. O filho da viúva morreu e Elias toma as dores da pobre mulher, pondo-se em seu lugar e clama ao Senhor (1 Rs 17.19,20). Deus ouviu e respondeu ao seu servo.
2. A oração perseverante. Elias orou com insistência (1 Rs 17.21). Ele estendeu-se sobre o menino três vezes! Isso demonstra a natureza perseverante de sua oração. Muitos projetos não se concretizam, ficam pelo caminho porque não são acompanhados de oração perseverante. O Senhor Jesus destacou a necessidade de sermos perseverantes na oração ao narrar a parábola do juiz iníquo (Lc 18.1). É com tal perseverança que conseguiremos alcançar nossos objetivos.


SINOPSE DO TÓPICO (IV)

O clamor intercessório e perseverante confirmam o poder da oração.


CONCLUSÃO

A soberania de Deus sobre a história e sobre os povos e o seu cuidado para com aquele que o teme se revelam de forma maravilhosa no episódio envolvendo o profeta Elias e a sua visita a Sarepta. Não há limites quando Deus quer revelar a sua graça e tampouco há circunstância demasiadamente difícil que possa impedi-lo de mostrar o seu poder provedor.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA


Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed., RJ: CPAD, 2009.

EXERCÍCIOS


1. Geograficamente falando, onde ficava Querite e Sarepta?
R. Querite ficava do lado oriental do reino do Norte, na fronteira do Jordão e Sarepta ficava a cerca de quinze quilômetros de Sidom.

2. De que forma vemos a ação de Deus se manifestar em Sarepta?
R. Incluindo a viúva em seu plano e provendo o que era necessário para ela e para Elias.

3. Que lições podemos aprender do milagre na casa da viúva?
R. Que quando se coloca Deus como prioridade maior, então haverá garantia para a provisão da escassez humana.

4. No episódio da ressurreição do filho da viúva, quais aspectos da oração podem ser destacados?
R. Os da oração intercessória e perseverante.

5. Segundo a lição, como devemos alcançar os nossos objetivos?
R. Com perseverança.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I


Subsídio Geográfico

“Sarepta
Durante os três anos de seca sofridos por Israel nos dias de Acabe, Deus enviou Elias, que havia pronunciado o julgamento de Israel, à cidade fenícia de Sarepta, para que ali fosse sustentado. Nesta cidade, a viúva com a qual o profeta viveu desfrutou um suprimento perene de azeite e farinha, e experimentou a alegria de ter seu filho ressuscitado dos mortos (1 Rs 17.8-24). A cidade estava localizada a aproximadamente treze quilômetros ao sul de Sidom, ao longo da costa mediterrânea, na estrada para Tiro. Também é conhecida como Zarefate em algumas versões (Ob 1.20) e como Sarepta no NT (Lc 4.26) é a moderna Sarafand. Sarepta é mencionada em textos ugaríticos do século XIV a.C. e em papiros egípcios do século XIII a.C junto com Biblos, Beirute, Sidom e Tiro como uma das principais cidades da costa (ANET, p.477). Tanto Senaqueribe como Esar-Hadom reivindicam ter tomado Sarepta de acordo com as inscrições assírias (ela foi chamada Zaribtu, ANET, p.287)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed., RJ: CPAD, 2009, p.1768).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II


Subsídio Devocional

“1 Reis 17.8-16
Aqui nós temos um relato de outra proteção que Elias recebeu e de outra provisão que lhe foi feita durante o seu isolamento.Da assolação e da fome se rirá aquele que tem Deus por seu amigo para guardá-lo e mantê-lo. O ribeiro de Querite está seco, mas o cuidado de Deus por seu povo, e a bondade para com ele, nunca cessam, nunca falham, antes, são os mesmos, e continuam e se prolongam para aqueles que o conhecem (Sl 36.10). Quando o ribeiro secou, o Jordão não; por que Deus não o enviou para lá? Com certeza porque Ele mostrava que possuía uma variedade de formas de sustentar seu povo e não está preso a nenhuma. Deus agora proverá para ele onde ter alguma companhia e oportunidade de ser útil, e não ser, como tinha sido, enterrado vivo. Observe:
[...] O lugar para onde ele é enviado, a Sarepta, uma cidade de Sidom, fora fronteira de Israel (v.9). Nosso Salvador observa esse fato como um sinal antigo do favor de Deus planejado para os pobres gentios, na plenitude dos tempos (Lc 4.25,26). Muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, e é provável que algumas teriam lhe oferecido as boas-vindas em suas casas; mas ele é enviado para honrar e abençoar com a sua presença uma cidade de Sidom, uma cidade gentia, e assim se torna (diz o Dr. Lightfoot) o primeiro profeta dos gentios. Israel tinha se corrompido com as idolatrias das nações e se tornado pior do que elas; justamente por isso a sua queda é a riqueza do mundo. Elias foi odiado e expulso pelos seus compatriotas; por isso, ele vai para os gentios como posteriormente se ordenou aos apóstolos que fizessem (At 18.6). Mas, por que para uma cidade de Sidom? Talvez porque a adoração de Baal, que então era o clamoroso pecado de Israel, tinha vindo recentemente dali com Jezabel, que era de Sidom (16.31); por essa razão, para lá ele devia ir, para que dali pudesse sair o destruidor daquela idolatria: ‘certamente de Sidom eu chamei o meu profeta, o meu reformador’. Jezabel era a maior inimiga de Elias; porém, para mostrar a ela a impotência da sua malícia, Deus encontrará para ele um esconderijo exatamente no país dela. Cristo jamais esteve entre os gentios, exceto uma vez, quando foi para as partes de Sidom (Mt 15.21).
A pessoa designada para hospedá-lo não é nenhum dos ricos mercadores ou dos grandes homens de Sidom, nem alguém como Obadias, que era mordomo da casa de Acabe e que alimentava os profetas; mas é ordenado a uma pobre viúva (isto é, ela é capacitada e disposta por Deus), desamparada e solitária, que o sustente. É o modo de Deus, e é a sua glória, fazer uso das coisas loucas deste mundo e honrá-las. Ele é, de forma especial, o Deus das viúvas, e as alimenta, e por isso elas devem pensar em como poderão retribuir a Ele” (HENRY, M. Comentário Bíblico do Antigo Testamento: Josué a Ester. 1 ed., RJ: CPAD, 2010, p.512).

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO


A viúva de Sarepta

Uma cena curiosa aparece na narrativa de Elias: Sua ida a Sarepta, uma cidade de Sidom, e seu encontro com uma mulher viúva. Com todo o cenário de caos em Israel, Deus se preocupa com uma mulher viúva da terra natal de Jezabel a ponto de enviar Elias não apenas para se manter vivo, mas para preservar a mulher e seu filho vivos também.
O perfil da viúva de Sarepta. Aquela era uma mulher que não tinha para si um provedor. O Texto Sagrado não diz há quanto tempo ela ficara viúva, mas diz que era uma mulher que além de viúva, não tinha mais recursos para se manter, a ponto de dizer ao profeta que ela não possuía nada mais que um punhado de azeite e farinha em casa, e que os usaria para fazer a última refeição de sua vida e da vida de seu filho. Foi nesse ambiente que Deus realizou a multiplicação dos únicos bens daquela mulher.
Aquela mulher também demonstrou fé naquilo que Elias disse. Quando surgem momentos de escassez, é comum as pessoas se tornarem mais egoístas. Mas aquela viúva fez o que Elias ordenou, e viu a providência divina em seu lar no período de seca.
A atitude de Elias. Quando o filho daquela viúva morreu, ela não se lembrou, em sua dor, da providência de Deus em seu lar por causa da presença de Elias. Na verdade, ela acusou o profeta de ser o responsável por aquela morte. E Elias precisava responder àquela situação. Ele não discutiu com a mulher. Apenas pediu que ela lhe entregasse o corpo do seu filho. Indo para o seu quarto, Elias roga ao Senhor que traga a vida do menino, e Deus responde à oração de Elias, realizando a primeira ressurreição da Bíblia. E quando devolveu o filho ressuscitado à sua mãe, Elias não discutiu. Em nenhum momento Elias chamou aquela mulher de incrédula, ou de ingrata (afinal, ela e seu filho estavam vivos graças à presença de Elias naquela casa). Ele agiu com mansidão, e Deus o honrou (1 Rs 17.24). Atente para o fato de que Elias agiu de forma mansa com aquela mulher, mas posteriormente agiu de forma impetuosa diante de Acabe e de sua idolatria, mostrando que há momentos certos para se ter atitudes certas diante de problemas diferentes. E por meio de Elias, o testemunho de Deus foi dado em terras estrangeiras por meio de milagres e da providência divina, a ponto de esse caso ser citado séculos depois pelo próprio Jesus.



sábado, 19 de janeiro de 2013

Toda Vida é Missão, e Missão é Toda Vida


Publico esse artigo relevante de Ariovaldo Ramos

http://ariovaldoramosblog.blogspot.com.br/



Ariovaldo Ramos

"O DEUS nos deu a tarefa de cuidar do planeta. É, temos de nos espalhar pela terra, conquistá-la e dominar sobre as demais criaturas.

Ele nos deu um modelo, o jardim. O jardim é comunitário, o que se busca é a beleza do conjunto. Essa beleza nasce do acesso à água, ao Sol e aos nutrientes para todas as espécies e espécimes. Assim como o controle do crescimento particular, via poda, e da proliferação, via controle de natalidade.

E isso vale, também, para nós! Eu diria, principalmente, para nós, que somos, simultaneamente, jardineiros e parte do jardim.

Além do jardim, como modêlo, o DEUS nos cumulou com possibilidades: talentos,  capacidades de ordem operacional, moral e espiritual. E precisamos mesmo, temos de, cuidando, explorar o planeta! É dele que vem o sustento do DEUS para nós.

Teremos de conhecer todas as possibilidades de seu solo e subsolo, de saber como transformar isso em alimento e condições de vida, com qualidade, temos de dimensionar o espaço para nós e para as demais criaturas. 

Nós perdemos o jardim, a terra perdeu parte da sua espontaneidade, e algo aconteceu conosco, nossa natureza não é mais límpida, como era antes de termos desobedecido e de sermos expulsos. É, de verdade, ficamos exatamente o contrário do que éramos. Percebo, entretanto, parte do que fomos, em nós, mas já não é mais intrínseco a nós. De fato, parece um empréstimo do DEUS. AInda bem que o DEUS, que nos prometeu salvação, não nos deixou sem nada dele. Ah! Como sinto falta do que éramos!

O mandato, apesar de termos caído, continua, e as capacitações, apesar de termos perdido a pureza, também, permanecem. É... ainda temos uma tarefa a cumprir!"




Imaginei esse diálogo do primeiro casal, para manter a perspectiva universal da vocação humana, o chamado a cuidar do planeta e de todos os seus habitantes (Gn 1.28), incluindo, por definição, a nós mesmos. 

O chamado do DEUS, a partir de Abrão, para que todas as famílias da Terra sejam abençoadas (Gn 12.1-3) não substitui, mas, complementa o mandato, incrementando o elemento que se lhe tornou necessário, por causa da queda: a salvação de toda a criação (Rm 8.19). De modo que a missão do Israel do Antigo Testamento, que era a de trazer a criança prometida em Gn 3.15, tanto quanto a missão do Israel do Novo Testamento, que é a de anunciar a chegada da criança, a todas as famílias da Terra, fazem parte do cumprimento da responsabilidade humana.

Se toda a família humana é, em Abrão, chamada de volta ao DEUS, então, o mandato continua em vigor, porque a Terra vem junto, porque foi dada aos homens (Sl 115.16).

Quando a humanidade rompeu com o DEUS, desistiu de existir, porque é no DEUS que existimos (At 17.28). Quando a humanidade desistiu de existir, disse não ao DEUS e a tudo o que ele disse sobre a raça humana: que esta era a sua imagem e semelhança (Gn 1.26). O DEUS, entretanto, nos manteve existindo, porque nos havia criado no Cordeiro (1Pe 1.18-20; Col 1.15-17). Contudo, estávamos, fruto da queda, tomados pela maldade e, se o Criador não fizesse algo, a maldade seria o único conteúdo a dar o tom da nossa existência, o que provocaria imediata solução de continuidade, teríamos de ser aniquilados, então a Trindade, que é o DEUS, nos emprestou a sua bondade e toda boa dádiva (At 14.17; Tg 1.17). 

Em sendo assim, todo bem que há no ser humano é empréstimo do DEUS, e nessa dimensão encontra-se talentos, e capacidades, e a vocação. O ser humano está, portanto, apto para o mandato, embora isso não signifique estar apto para a salvação, pois a graça que mantém a existência, embora tenha a mesma fonte: o sacrifício, e ainda que aponte para a graça que salva, está aquém da mesma. Esta graça, no entanto, nos faz indesculpáveis diante da convocação ao mandato cultural, por isso o juízo das nações é: tive sede, tive fome, estava nu, enfermo, forasteiro e preso... Podias  tê-ló feito, mas não o fizestes... Ao outro e ao Planeta (Mt 25.31-40).

Se a convocação ao cumprimento do mandato é verdade para todos, o é, em especial, para os que foram levados à graça de salvação. Não há vocação para a Igreja, há o chamado para a humanidade, porque o sonho da Igreja é ser humanidade, para que a humanidade seja Igreja. Porque o homem à Imago Dei é a unidade humana, a humana unidade, a humanidade. "Homem e mulher os criou, humanidade os criou" (Gn 5.2) E os chamou de Adão, Adão é o nome dado pelo DEUS à humanidade. O primeiro Adão morreu, mas ressuscitou o último Adão (1Co 15.45). Último Adão é o nome da Igreja, a nova humanidade, que quer se tornar toda a humanidade, pela conversão da humanidade toda. Todo dom da Igreja é para toda a humanidade, uma vez que igreja quer que toda a humanidade seja igreja.

E Jesus levou cativo o cativeiro; o que, desde a fundação do mundo vinha levando, porque há muito, desde Gn 3.9, quando disse: "Adão, onde estás", ELE vem nos libertando; e deu dons aos homens (Ef 4.8), aos homens do primeiro e do último Adão. Artesãos, artistas, mestres, comunicadores, conselheiros, inspiradores, operadores, organizadores - tudo para que a humanidade fosse uma cooperativa onde todos trabalham para todos, e a Terra fosse um jardim de vida digna e harmoniosa para todas as espécies, e para todos os espécimes. Os que já foram salvos vivem em busca dessa cooperativa e desse jardim, pois, esta é a vocação da humanidade.

Os que se tornaram habitação do Espírito Santo, terceira pessoa do DEUS,  para além dos dons da graça comum, a graça mantenedora, têm, também, os dons da comunhão, da graça da salvação:  línguas; interpretação das mesmas; palavra de sabedoria; palavra de conhecimento; profecia; serviço; contribuição; ensino; encorajamento; misericórdia; presidência; operação de milagres; discernimento; a fé; dons de curar: advindos da ressurreição do espírito humano, pela habitação do Espírito divino (Rm 12.6-9; 1Co 12.4-30)

E tem as capacidades antigas, e o novo da unção do Cristo: se desbravava, agora pode vir a ser apóstolo; se visionava, agora pode vir a ser profeta; se convencia, agora pode vir a ser evangelista; se cuidava, agora pode vir a ser pastor; se ensinava, agora pode vir a ser mestre; se era empreendedor ou dirigente, agora pode vir a ser presidente diligente, presidindo recursos que sabe ser do DEUS, para o bem de todas as criaturas; se era filantropo, agora pode vir a ser doador do que administra para o DEUS, com liberalidade, para o sustento de tudo e de todos (Ef 4.11; 1Co 12.28; Rm 12.8).

Os dons novos se juntam aos antigos e num determinado momento, toda a humanidade se une, e todas as ações humanas devem se unir, tendo como objetivo comum, em seu exercício, o cumprimento do mandato para a glória do Criador: o DEUS do Universo. E, aqui, o ser humano do último Adão, ganha uma missão especial, demonstrar ao ser humano, que ainda está no primeiro Adão, o motivo de sua existência: o cumprimento do mandato, que só se cumpre, totalmente, quando se é transferido para o último Adão. E ser levado para o último Adão é voltar ao Adão ideal, que o primeiro foi criado para ser, e que o seria, se comido houvesse da Árvore do meio do jardim (Gn 2.9), a da Vida.

Os membros do último Adão, por suas obras, que são sempre boas, porque boas obras, mais que ato, são o ambiente onde vivem os do último Adão (Ef 2.10), e sinalizam, para os que ainda estão no primeiro Adão, que tipo de vida se deve viver e que tipo de sociedade se deve construir.  Por isso, toda formação, todo trabalho, todo acúmulo de conhecimento é missão. Porque existir é milagre propiciado pelo sacrifício do Cordeiro, e toda a possibilidade de bem é doação do Cordeiro sacrificado por vontade própria (Jo 10.17,18). Por isso toda a vida é missão e missão é toda vida.

Estimulados – A um novo compromisso


Pastoral de meu amigo Pr Roberto Meireles no dia Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2013.



Estimulados – A um novo compromisso

Estimulados – A um novo compromisso
Estimulados – A um novo compromisso
Durante a blitz dos nazistas sobre Londres em 1940, Matthew Sands recebeu um telegrama do Gabinete de Guerra britânico, declarando que o filho dele, David, estava desaparecido e considerado morto. O relatório provou ser verdadeiro. Com o coração partido, Sands escreveu no verso do telegrama: “Tudo o que tenho e tudo o que sou, entrego-o a Deus para o Seu serviço.”
Pouco depois de tomar conhecimento da terrível notícia, Sands recebeu o telefonema de alguém com um lembrete sobre um compromisso importante. A caminho de seu compromisso, Sands passou por uma igreja antiga e abandonada e observou uma placa que dizia: “Para venda em leilão.” Entrou na igreja para orar antes de prosseguir, e sentiu-se impressionado a adquiri-la e restaurá-la como casa de culto. Sem que ele o soubesse, outro homem, Andres Jelks, também tinha visto a placa e decidira comprar o prédio para transformá-lo na “Galeria de Diversões de Andy”.
No dia do leilão, ambos compareceram. Sands havia preparado um documento com um lance formal pela propriedade, mas em seu luto e estado mental confuso, entregou o telegrama do Gabinete da Guerra em lugar do lance.
O leiloeiro leu o telegrama em silêncio, bem como a mensagem de Sands dedicando a Deus tudo o que era. Finalmente, quando todos os lances haviam sido apresentados, ele anunciou que a igreja tinha sido vendida para Matthew Sands, que havia apresentado o lance mais alto. Quando perguntaram como, o leiloeiro leu as palavras no verso do telegrama. Os presentes concordaram com a decisão do leiloeiro.
Precisamos entender que Deus requer de nós todo o nosso ser. Nosso compromisso para com o Senhor perpassar em sermos totalmente Seu. Não existindo a possibilidade de algo em nós não ser entregue a Ele. O grande mandamento expressa essa verdade quando diz que devemos amar a Deus sobre todas as coisas. (Mt. 22.37)
Minha pergunta a você é: Como está o seu compromisso com Deus? Você é fiel ao Senhor em sua vida cristã? Você se esmera para proclamação do evangelho? Você se esmera em oração e leitura da Palavra de Deus? Você se esmera devolvendo a Deus seu dízimo? Você se esmera em manter a unidade de sua igreja? Enfim: Você se esmera em ser um melhor discípulo para o Senhor Jesus?
Mesmo que a sua resposta tão tenha sido positiva. Ainda a tempo de você viver um novo compromisso com Deus. O Senhor neste dia está o estimulando a viver um novo compromisso com Ele.
Certo de que em Cristo temos que ser compromissados com o seu Reino:
Seu pastor, Roberto Meireles.

Anselmo de Cantuária e o argumento ontológico






 artigo de  meu amigo Pr Wilson Porte Jr que a Vida Nova publicou em sua revista acadêmica Teologia Brasileira.




Credo ut intelligam I: Anselmo de Cantuária e o argumento ontológico



12/12/2012 09:35:07


Credo ut intelligam I: Anselmo de Cantuária e o argumento ontológico
No início do século XI, Anselmo de Cantuária apresentou em seu livro Monologion um argumento em prol da existência de Deus – o Argumento Ontológico. Este argumento tem encontrado muitos críticos em quase mil anos, desde que foi escrito. Todavia, seu primeiro crítico, Gaunilo, foi quem levou Anselmo a aprimorá-lo a ponto de ele ser um argumento respeitado e usado ainda hoje por muitos como uma prova da existência de Deus.
Pretendo, em dois artigos, analisar o debate entre Anselmo de Cantuária e o monge Gaunilo em torno do Argumento Ontológico, o qual gira em torno da expressão anselmiana de Deus ser aquele sobre quem não se pode pensar nada maior. Segundo Alister McGrath, dentro do contexto da fé cristã, seu argumento tem ganhado o posto de um dos melhores argumentos acerca da existência de Deus.
Finalmente, veremos os desdobramentos futuros que o argumento ontológico possuiu. Analisaremos seu reflexo na academia filosófica e teológica. Concluiremos analisando alguns reflexos do Argumento Ontológico nas confissões de fé reformadas dos séculos XVI e XVII.
Quem foi Anselmo de CantuáriaAnselmo de Cantuária nasceu na cidade italiana de Aosta, na região de Piemonte, no ano de 1033. Filho de Gondolfo e Ermenberga, Anselmo teve um berço nobre. Sua educação iniciou-se na Abadia de St. Leger onde um currículo clássico o treinou para a clareza de expressão que, mais tarde, seria característica em seus escritos. Embora seu pai desejasse para ele a carreira política, a decisão de Anselmo inclinava-se para o monastério.
Após uma juventude protegida e gasta nos estudos, Anselmo enfrentou a morte de sua mãe. Após isso, cruzou os Alpes e, depois de três anos, se fixou permanentemente na abadia de Bec, na Normandia, norte da França.
Em Bec, estudou aos pés de Lanfranc, renomado teólogo de então. Anselmo fez os votos monásticos e sucedeu seu famoso professor como prior em 1063. Tudo isso, devido a sua intelectualidade e piedade fora do comum. Mais tarde, de 1078 a 1093, se tornaria abade de Bec. Neste tempo, sob a liderança de Anselmo, o monastério e sua escola se tornaram um proeminente centro de ensino. É nesse período que Anselmo escreveu duas de suas principais obras: o Monologion e o Proslogion.
Em 1093, Anselmo é nomeado arcebispo de Cantuária pelo rei Guilherme II, o Ruivo. Embora esse fosse o desejo tanto do rei quanto do povo, Anselmo aceitou o arcebispado contra sua vontade pessoal. Segundo Matos, já de posse do principal cargo eclesiástico da Inglaterra, Anselmo “promoveu reformas na vida da igreja, lutando contra a simonia (comércio de cargos eclesiásticos), o nicolaísmo (casamento clerical) e as interferências dos governantes na vida da igreja. Por causa disso, Anselmo foi exilado duas vezes (1097-1100 e 1103-1107)”.
Após seu último período de exílio, Anselmo é recebido na Inglaterra com entusiasmo pelo rei e pelo povo. Mas, “ele voltou para casa para morrer”. Anselmo veio a falecer em 21 de abril de 1109.
A razão de Proslogion existirA obra Proslogion (segundo McGrath, é praticamente impossível de se traduzir esta palavra) foi escrita por volta do ano 1079. Seu primeiro título foi “A fé que procura a inteligência daquilo que crê”. Segundo Roque Frangiotti, “a pedido de Hugo e dos copistas”, a obra de Anselmo foi intitulada novamente para o que hoje conhecemos, Proslogion.
Segundo Anselmo, a razão pela qual ele se pôs a escrever Proslogion foi o de consolidar o argumento doMonologion (sua obra anterior). Segundo Richard William Southern, Anselmo quis que o Proslogion fosse “um suplemento para o Monologion”. Justo González argumenta que Anselmo, estando insatisfeito com o argumento proposto em Monologion, escreveu Proslogion com o objetivo de que este fosse menos complicado. E que, “após uma longa procura por um argumento mais simples, ele acreditou que o descobriu no que, mais tarde, seria chamado o ‘argumento ontológico’”. Alister McGrath resume o propósito de Anselmo como sendo a missão de “formular um argumento que levaria à crença na existência e no caráter de Deus como o bem supremo”. Tal argumento se valeria da afirmação de que Deus é o “ser do qual não é possível pensar nada maior”.
A exposição do argumento ontológicoÉ no Proslogion que Anselmo expõe o argumento ontológico. Uma frase desse livro que se tornaria conhecida é credo ut intelligam (creio para que possa compreender). Bengt Hägglund, em História da Teologia, diz que Anselmo baseia-se na tradução da Vulgata em Is 7.9: “Se não creres, não compreenderás” para embarcar na expressão agostiniana “compreender é a recompensa da fé”. No capítulo 1 do Proslogion, Anselmo afirma à Deus:
Não tento, ó Senhor, penetrar a tua profundidade: de maneira alguma a minha inteligência amolda-se a ela, mas desejo, ao menos, compreender a tua verdade, que o meu coração crê e ama. Com efeito, não busco compreender para crer, mas creio para compreender. Efetivamente creio, porque, se não cresse, não conseguiria compreender.
Assim começa a ser desenvolvida a argumentação de Anselmo na chamada prova anselmiana, ou, como Kant a chamou mais tarde, a prova ontológica da existência de Deus - ontologia é o braço da metafísica que lida com a natureza, ciência ou teoria do ser; aqui, no caso, o Ser de Deus.
O objetivo de Anselmo, em princípio, é chamar os seres humanos a buscarem a quietude para, nela, se encontrarem com Deus. “Eia, vamos homem!” é o início de sua chamada a que os homens fugissem de suas ocupações diárias, seus “pensamentos tumultuados”, suas preocupações com o dia a dia, e entrassem no esconderijo de suas mentes para, lá, se encontrarem com Deus. Na mente, os homens deveriam fugir de tudo, menos de Deus.
A mente é o objetivo de Anselmo. Sua prova acerca da existência de Deus busca satisfazer o intelecto daquele que crê. Anselmo não tenta satisfazer a mente do “insipiente”. Antes, faz uso da lógica para provar àquele que crê que Deus é, pelo fato de ele ser o Ser do qual não se pode pensar nada maior. E isso sem mencionar um versículo bíblico sequer.
McGrath registra que o argumento ontológico leva a dedução da existência de Deus a partir da afirmação de que Ele era “aquele sobre quem nada maior pode ser concebido”.
Hägglund resume o argumento ontológico de Anselmo como “a fé que concebe Deus como o ser mais elevado e mais perfeito”. Para Roque Frangiotti, Anselmo quis entreter-se com a questão da existência de Deus sobre todos os seus atributos buscando mostrar, em sua quietude, “que ele é tudo o que a fé nos ensina: eterno, imutável, todo-poderoso, imenso, incompreensível, justo, piedoso, misericordioso, verdadeiro, a verdade, a bondade, a justiça, e que tudo isso está nele como coisa única”.
Todo o argumento de Anselmo, os vinte e seis capítulos de Proslogion, foram escritos em forma de oração, lembrando em muito as Confissões de Agostinho de Hipona. Ao longo de sua piedosa argumentação, Anselmo demonstra, de duas formas, que Deus é aquele ser maior que podemos compreender. Primeiramente, Anselmo declara que, se existisse alguém maior que Deus, certamente nossa mente teria condições de imaginá-lo. E, se nossa mente tivesse condições de imaginar alguém maior que Deus, certamente Deus não seria o ser acerca de quem não se pode pensar nada maior.
Deus é uma realidade perfeita que, sendo perfeita, não pode existir apenas na ideia, mas também na realidade. Doutra sorte não seria perfeita. Em segundo lugar, Anselmo declara que Deus é “aquele ser que não podemos conceber como não-existente”. Para Anselmo, trata-se de uma contradição falar da “não existência de Deus”, pois o divino não pode deixar jamais de existir. E, se nossa mente é capaz de pensar na não-existência de um ser do qual tudo depende, nossa própria mente nos testemunha de sua realidade, visto que dEle tudo depende. Fosse Deus contingente, logo poderíamos pensar em sua não existência. Como essa não é a situação de Deus, logo, Ele deve existir.
Hägglund ousa dizer que, para Anselmo, tal pressuposto pode ser entendido intelectualmente até mesmo por aqueles que não creem na existência de um Deus. Isso porque o que é mais elevado do que tudo o que se pode conceber, não pode existir apenas no intelecto.
Sem dúvida, o valor de Proslogion encontra-se no “nítido apelo à razão em questões teológicas”, bem como na valorização do papel da lógica. É nesta obra que vemos antecipados os melhores aspectos da teologia escolástica, além de vermos cunhada uma expressão que passou a ser de uso geral naquele século: fides quaerens intellectum (a fé em busca do conhecimento).
Apesar de toda a argumentação de Anselmo no Proslogion ter sido contestada desde a sua concepção, McGrath afirma que, ainda hoje, ela é considerada um dos “componentes mais intrigantes da teologia-filosófica.”
O questionamento de GauniloMediante a apresentação do argumento ontológico, rapidamente se levantaram refutações por parte de um monge beneditino de Marmotiers chamado Gaunilo. Este, de acordo com Boehner e Gilson, possuía uma notável agudeza de espírito. Apesar de admirar e elogiar em parte o trabalho de Anselmo, Gaunilo não se convenceu da validade da prova ontológica nela exposta. Gaunilo questionou o fato de que uma ideia ser ventilada no intelecto não garanta que ela exista na realidade.
Em decorrência disso, Gaunilo escreveu um livro chamado Em favor do tolo, ou, Defesa do tolo, como o traduz Justo González. Nele, Gaunilo acusa Anselmo de confundir duas coisas bem distintas. Elas seriam o esse in intellectu e o esse in re (o ser na inteligência, na mente, e, o ser na coisa, na realidade). Gaunilo dizia que o fato de possuirmos a ideia de algo não quer dizer que esse algo exista, de fato. Mesmo que a ideia que tenhamos seja uma ideia “perfeita”.
Vejamos como Gaunilo o coloca no sexto capítulo de sua objeção:
Alguns afirmam, por exemplo, que há uma ilha num ponto qualquer do oceano e que, pela dificuldade, ou melhor, a impossibilidade de achá-la, pois não existe, denominam de Perdida. Contam-se dela mil maravilhas, mais do que se narra a respeito das Ilhas Afortunadas [sic]: que, devido à sua inestimável fertilidade, ela está repleta de todas as riquezas e delícias e que, apesar de não haver lá nem proprietário nem habitantes, supera, em fartura de produtos, todas as terras habitadas pelos homens.
 Venha qualquer pessoa dizer-me que tudo isso existe e eu compreenderei facilmente, pois suas palavras não apresentam para mim nenhuma dificuldade. Mas se ainda essa pessoa quisesse acrescentar como consequência: tu não podes duvidar mais que essa ilha, a melhor de todas que há na terra, exista de verdade nalguma parte, porque conseguiste formar uma ideia clara da mesma na tua inteligência... acreditaria que estivesse brincando, ou não saberia distinguir qual de nós dois eu deveria julgar mais estulto.
Alister McGrath comenta que, para Gaunilo, a ideia de que algo exista não implica em sua real existência. Gaunilo dá o exemplo da ilha perfeita ou de certa quantia financeira. Pensar na ilha mais magnífica que podemos, e pensar que tal grande quantidade financeira está em nossa posse, não tornam tais coisas reais. Partindo dessas ilustrações, Gaunilo tenta fragilizar o argumento da existência de Deus, fazendo juízo do ser de Deus do mesmo modo como o faz de uma ilha.
Para Gaunilo, apesar de toda a força que nosso pensamento possa fazer para compreender a natureza de um ser, isso não resulta em que a conclusão tirada de tal pensamento gere a ideia de que o ser pensado encontra seu paralelo no mundo real. Barth analisa da seguinte maneira o questionamento de Gaunilo:
Deveria alguma palavra acerca de Deus ser mais do que um símbolo razoavelmente significativo de um ser humano, um desejo demasiado humano, que nunca é cumprido, para compreender o incompreensível? Estas são as questões que ele sentiu-se compelido a dirigir para Anselmo.
Para Karl Barth, foi um fato absolutamente notável que Gaunilo tenha se sentido compelido a apelar diretamente a Anselmo.
Segundo o artigo de Timothy Stanley sobre Barth e Anselmo no periódico Modern Theology (Teologia Moderna), a controvérsia aqui é que Gaunilo entendeu mal a natureza noética do nome de Deus em Anselmo. Anselmo, nos diz Stanley, concordou que o nome de Deus permanecia escondido na objeção ontológica do próprio Deus, e que Deus é sempre incompreensível. “Como, então, nós sabemos que Deus é incompreensível?”, pergunta Barth. “Certamente, para Anselmo, como tudo o que nós conhecemos da Natureza de Deus, é seguido por fé e em fé”, responde o próprio Barth. Ou seja, para Gaunilo, não seria honesto da parte de Anselmo apelar à mente para convencer o insipiente acerca da existência de Deus.
Barth, em sua obra Anselm: Fides quaerens intellectum, comenta que, para Gaunilo, o artigo de fé acerca da existência de Deus, com respeito a sua validade epistemológica, não seria nada mais do que uma “vox vazia”.
O entendimento de Gaunilo quanto a uma palavra é que ela não passa de uma afirmação abstrata. Sons vazios que podem ser lançados dos lábios de qualquer pessoa sem que a ideia expressada pela palavra seja real, ou exista na realidade.
Gaunilo assim afirma no início do segundo capítulo de sua objeção:
A isso pode-se responder: se algo está na minha inteligência somente porque compreendo as palavras que o expressam, então não seria possível, também, afirmar o mesmo a respeito das coisas falsas ou absolutamente inexistentes, isto é, que se encontram na minha inteligência, porque, ao ouvir alguém falar nelas, eu as compreenderia?
Barth diz que Gaunilo ignorou “o fato dessa vox dever ser distinguida da inteligível vox Deus, simplesmente porque seu conteúdo é apenas de uma natureza noética e não ontológica”. Ou seja, a voz de Deus possui apenas uma natureza que contempla nosso pensamento, e não é capaz de nos levar à compreensão de sua real existência.
Nancy Levede, do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Indiana (EUA), afirma em seu artigo Traces of History in St. Anselm (Traços da história em Santo Anselmo) que “a diferença entre Gaunilo e Anselmo, ambos dos quais disciplinariam seus pensamentos para o que eles poderiam conhecer em existência, é que, para Gaunilo, este exercício [de tentar compreender a Deus] é ostensivamente protetor do que realmente existe”. Levede comenta que, para Gaunilo, assim como Anselmo construiu a existência de Deus em sua mente, ilhas perdidas também podem ser construídas. Para Gaunilo, as ilhas perdidas são “construídas não de fantasias ociosas, mas do trabalho improvável do pensamento, dentro dos seus limites”.
Levede comenta também que, em Gaunilo, bem como “em todo o ceticismo, racionalismo e historicismo, há corpos e linguagens”, cada um tomando o seu caminho de acordo com suas leis e lógicas preordenadas.
Para Gaunilo, é impossível concluir sem nenhuma dúvida que Deus não exista. Boehner e Gilson nos lembram que Gaunilo “nega decididamente a possibilidade de pensar Deus como não existente”. Gaunilo, ao mesmo tempo que questionou a prova anselmiana contida no Proslogion, também não poupou elogios às demais considerações de Anselmo. O questionamento de Gaunilo foi e é tido como a objeção que melhor conseguiu “expor a séria fragilidade existente na argumentação de Anselmo”.
No próximo artigo, veremos como Anselmo responde às críticas de Gaunilo. Veremos também todos os desdobramentos futuros do Argumento Ontológico.




Referências bibliográficasANSELMO. Monologion, Proslogion, A Verdade, O gramático. Os Pensadores. São Paulo: Editora Abril, 1984. 
BARTH, Karl. Anselm, Fides quaerens intellectum. Londres: SCM Press, 1985.
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz para o Caminho, 1990.
BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã: desde as origens até Nicolau de Cusa. Petrópoles: Vozes, 1995.
BRAMER, Gerald C. (Org.). The Westminster Dictionary of Church History. Filadélfia: Westminster, 1971. 
BUENO, Francisco da Silveira. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. Brasília: FENAME, 1969.
CALVINO, João. As institutas ou tratado da religião cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 1. São Paulo: Hagnos, 2002. 
Confissão de Fé de Westminster. In: GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
DOUGLAS, J. D.; COMFORT, Philip W. (Org.). Who’s who in Christian history. Wheaton: Tyndale, 1992.
Fé Para Hoje: A Confissão de Fé Batista de 1689. São José dos Campos: Editora FIEL, 1991.
FERREIRA, Franklin. Karl Barth: uma introdução à sua carreira. Fides Reformata, São Paulo, v. 8, no 1, p. 29-62, 2003. 
FRANGIOTTI, Roque. História da Teologia II: período medieval. São Paulo: Paulinas, 1992. 
GONZALEZ, Justo L. Uma história do pensamento cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. 
HÄGGLUND, Bengt. História da Teologia. Porto Alegre: Concórdia Editora, 1999.
HASTING, James (Org.). Enciclopedia of Religion and Ethics. vol. 1. Edimburgo: T & T Clark, 1911.
HOLOPAINEN, Toivo J. Anselm’s Argumentum and the Early Medieval Theory of Argument. Vivariam, Leyden, v. 45, p. 1-29, 2007. 
LEVEDE, Nancy. Traces of History in St. Anselm. Method and Theory in the Study of Religion. Leyden, v. 20, p. 371-384, 2008.
MATOS, Alderi S. Fundamentos da teologia histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. 
MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã. São Paulo: Shedd Publicações, 2005.
MORA, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 
OLSON, Roger. História da teologia cristã: 2000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Vida, 1999. 
SOUTHERN, R.W. Saint Anselm: a portrait in a landscape. New York: Cambridge University Press, 1990.
STANLEY, Timothy. Returning Barth to Anselm. Modern Theology, Boston, 24:3 (jul. 2008).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Planejamento Pessoal


Planejamento Pessoal
De: Washington Luis Andrade Campello em Nov 2012
I – Vida pessoal
1.      Família – Casado com Simone 24 anos. Filhas, Ana Elisa (22 anos) cursando terceiro ano curso de Arquitetura UFRJ e trabalhando Aviator-Barra RJ nas férias); Mariana (16 anos) concluiu ensino médio em nov2012 e atualmente prestando vestibular para comunicação. Pontos fortes:  Relacionamento conjugal estável, Simone estudando para concurso públicos em 2013.  Filhas encaminhadas nos estudos, mais velha trabalhando nas férias.  Familiares (Pais, irmãos, sogro e cunhadas) casados e todos com vidas estruturadas. Convívio familiar muito bom com todos ( pais, sogro, cunhados, irmãos e sobrinhos).  Pontos fracos:  Esposa Simone deixou emprego em 2011 para cuidar da mãe que faleceu em Nov 2011 tentando retornar ao mercado.  Irmão Welington (42anos) casado com saúde comprometida devido insuficiência renal, em nov2012 ficou sabendo impossibilidade de receber rim de outro irmão (welton).
2.      Trabalho – sou comerciante no ramo de alimentação e organização de eventos com dois sócios (Jorge Luiz e Amancio Jr.)  Pontos fortes:  Bom relacionamento com os sócios e funcionários.  Bom ambiente de trabalho, empresa bem colocada na área de atuação na cidade do RJ, remuneração digna para manter padrão de vida. Tenho formação em administração e boa experiência na área de atuação (eventos empresariais e sociais). Pontos fracos:  Até Janeiro 2012 tinha vida equilibrada e estável profissionalmente a frente de duas empresas, um restaurante e uma empresa de eventos, quando fechei um deles (restaurante) por perder concessão do local. Reorganizando vida para encerrar empresa ( indenização de empregados (70), encargos sociais, fiscais e comerciais. A empresa de eventos se estruturando para suprir sustento integral da família em 2012.
3.      Saúde – devidos aos 24 anos trabalhando no ramo de eventos com carga horária de 12 horas diárias, muitas vezes noites acordadas e em janeiro 2012 encerramento repentino do restaurante com 70 funcionários, saúde emocional, física e espiritual bem comprometida no ano 2012.  Pontos fortes:  diagnosticado a tempo de tratamento problemas cardíacos, mas tendo possibilidade de ter um bom plano de saúde tratando com medicação e retorno (após muitos anos) de prática de esporte.  Em outubro 2012 reeducação alimentar. Sem vícios.  Pontos fracos:  muito acima do peso ideal  ainda e assim necessidade de medicação ( a partir de setembro 2012) para pressão arterial. Dificuldade em sair de uma vida sedentária para prática de esporte (administração do tempo). Em constante tratamento da calvície.
4.      Social: Devido ao trabalho (com duas empresas) até janeiro 2012 muito dificuldade em conseguir administrar tempo para família, familiares, amigos. Em outubro 2012 após equilíbrio na vida profissional viabilizou disponibilizar tempo devido a vida social e familiar.  Pontos fortes:  no segundo semestre 2012 conseguir ter uma qualidade de vida social boa retornando ao estudo, convívio com familiares, amigos e vizinhos. Tenho mais finais de semana congregado na igreja.  Pontos fracos:  ainda alguns  (pouco) finais de semana trabalhando em eventos impedindo dedicação ao trabalho voluntário nos hospitais. Ainda tentando se adaptar uma vida com momentos culturais com esposa  e filhas(cinema, teatro e etc).
5.      Financeira:  Minha programação era conseguir diminuir progressivamente, de maneira programada e estável minha carga horária no trabalho secular em 2015 para dedicação ao chamado ministerial e conclusão estudo (Mestrado teologia). Mas devido o fechamento do restaurante em janeiro 2012 houve necessidade de rever essa programação.  Pontos fortes: Casa própria e quitada. Vida financeira familiar equilibrada possibilitando facilidades para superar momento de adaptação financeira.  Empresa de eventos tendo mais minha atenção e de meus sócios conseguindo um crescimento positivo e apresentando bom resultado financeiro com boas perspectivas para final de 2012 e um bom 2013. Pontos fracos:  alguns financiamentos (empréstimos) em andamento com prazos de 5 anos para quitação, porém em dia.
II – Missão, Visão e Valores
1.      Missão :  Ser um discípulo de Cristo, vivendo uma vida com o objetivo de trazer pessoas a Jesus, auxiliar na edificação de meus liderados e juntos adorarmos a Deus, servindo a Cristo no ministério de capelania, Missão Betel, na igreja CASACAP onde atuo como seminarista e em meio aos meus familiares, amigos e no trabalho secular.
2.      Visão:  almejar sempre em ser uma pessoa que vive o Evangelho de Cristo na sua totaliade.
3.      Valores:  Amor, fé e serviço

III – Objetivos
1.      Ser uma pessoa que vive o Evangelho de Cristo em sua totalidade.
2.      Bodas de prata em 2015 (casamento)
3.      Concluir o curso de bacharel em teologia até julho de 2014.
4.      Ser reeleito na presidência da CAHERJ – Associação de Capelania Evangélica do Rio de Janeiro em maio de 2013.
5.      Ser eleito líder da Missão Betel ( Agencia Missionário do Seminário Teológico Betel) em março de 2013.
6.      Em 2013 consolidar atuação da CAHERJ nas unidades de saúde INCA IV, SEMIU, HEMORIO, HESM e HMCML.
7.      Oferecer na cidade do Rio de Janeiro curso de formação em capelania Hospitalar até novembro de 2013.
8.      Em 2013 viabilizar formação de parceria entre  a CAHERJ, Seminario Teológico Betel e UCB Brasil com o objetivo de desenvolver projeto de atuação nos eventos:  COPA FIFA 2014 e OLIMPÍADAS 2016 no Brasil.
9.      Em julho de 2014 iniciar um mestrado em teologia.
10.  Conseguir  se tornar auxiliar pastoral na Igreja CASACAP até final de 2013.
11.   Ter o privilegio de presenciar casamento das filhas e chegada dos netos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DNI - Desenvolvimento Natural da Igreja

DNI - Desenvolvimento Natural da Igreja

COMO TUDO COMEÇOU

Com Christian A. Schwarz. Pesquisador alemão nascido em 1960
Em 1998 chegou ao Brasil seu trabalho chamado Desenvolvimento Natural da Igreja revelando sua pesquisa científica realizada em mais de 1.000 igrejas em 32 países nos 5 continentes, obtendo 4,2 milhões de respostas.

O que Christian Schwarz constatou através dessa pesquisa?
No Novo Testamento:
Edificação da Igreja = Fruto da ação humana
Crescimento da Igreja = Resultado da ação divina

Somente Jesus Cristo tem o controle e o poder de fazer crescer uma igreja.
Ele é o dono (cabeça) do “corpo” e do tempo.

...e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.       Colossenses 2.19

O CRESCIMENTO NA LÓGICA DO MERCADO E NA LÓGICA DO REINO
Lógica do mercado: Faça crescer - o que fazer para crescer? - Como convencer as pessoas?
(vaidade e corrupção do coração atrapalham o crescimento
Lógica do Reino: Deixe crescer - O que está impedindo o crescimento? - Quais os princípios que induzem ao crescimento?  ( Homens submissos à vontade de Deus contribuem para o crescimento)

MODELOS PREDOMINANTES SOBRE A IGREJA
Modelo Tecnocrático: Instituições, programas e métodos são supervalorizados
Modelo da Espiritualização: Instituições, programas e métodos são menosprezados
Modelo Natural: Proposta teológica que é o fundamental para o desenvolvimento natural da Igreja

A DINÂMICA DO MINISTÉRIO
Visão bíblica:  Cristo deu 
 * Dons: Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres
*Cuidado: o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério
*Resultado: para edificação da igreja

O POTENCIAL É NATURAL E DIVINO
" O potencial natural é o conceito que o próprio Criador colocou em sua própria criação"
"... eu plantei, Apolo regou: mas Deus deu o crescimento..." 1 Cor. 3:6

MODELOS E PRINCÍPIOS
Com base nos princípios surgem as oitos marcas de qualidade:
Marca 1 - Liderança Capacitadora - As Igrejas precisam de lideres dispostos a capacitar seus liderados, apoiando-os e motivando-os para que se tornem aquilo que Deus planejou para eles.
Marca 2 - Ministério Orientados pelos Dons - O próprio Deus determinou quais cristãos devem assumir funções na igreja.  A tarefa da igreja é ajudar os membros a descobrir os dons que Deus lhe deu e a encontrar um ministério que combine com o seu dom.
Marca 3 - Espiritualidade Contagiante - Não importam quais as características da espiritualidade, contando que seja com devoção, emoção e entusiasmo. O quanto a espiritualidade é inspiradora faz a diferença entre as igrejas que crescem.  
Marca 4 - Estruturas Funcionais - O critério mais importante nas estruturas da igreja é se elas cumprem seu objetivo ou não.  Estruturas jamais são um fim em si mesmas e sim um meio para se chegar a determinado fim.
Marca 5 - Culto Inspirador - É decisivo saber se o culto é bom, se é uma experiência inspiradora para quem participa dele.  Não há nada pior para uma celebração do que ser apenas o cumprimento de um obrigação cristã.
Marca 6 - Grupos Familiares - É nos grupos familiares que o cristãos individualmente pode encontrar atenção, ajuda prática e intercambio espiritual intensivo.  Encontros que servem para estudar a Bíblia e para o pastoreio mútuo.
Marca 7  - Evangelização orientada para as necessidades - "É necessário transmitir o evangelho de um maneira que vá ao encontro das necessidades das pessoas que estão, perto ou longe, distantes da fé cristã.
Marca 8 - Relacionamentos marcados pelo amor fraternal - Amor evidenciado de modo convincente confere a uma igreja uma força de atração muito maior do que todos os esforços de Marketing. Aqui se evidencia a verdadeira beleza de uma igreja local.

DESENVOLVIMENTO NATURAL É O CONTRÁRIO DO USUAL
Elemento Usual: liderança, Ministérios, Espiritualidade, Estruturas, Culto, Grupos, Evangelização, Relacionamentos.
Elemento Natural (liberação "por-si-mesmo"): capacitadora, orientados pelos dons, contagiante, funcionais, inspirador, familiares, orientada para as necessidades e marcados pelo amor fraternal.

" Toda Igreja que quiser crescer em qualidade e em 
quantidade precisa dessas oito marcas de qualidade"

O FATOR MÍNIMO: "A estratégia do Fator Mínimo vai nos ajudar a fazer menos do que temos feito até agora - mas, fazer as coisas cretas."

A “ripa” mais curta determina o quanto de água vai  aber no barril, e, portanto, indica o “fator mínimo”

SEIS PINCÍPIOS DA NATUREZA:
* Interdependência
* Multiplicação
*Transformação de Energia
* Efeitos Mútiplos
* Simbiose
* Funcionalidade

COMO A IGREJA PODE DESENVOLVER O SEU PRÓPRIO PROGRAMA?
passo 1: Fortalecer a motivação espiritual - "o desenvolvimento Natural da Igreja não é uma estratégia para gerar motivação espiritual, mas entra em ação no momento em que já existe essa motivação."
passo 2: Descobrir os fatores mínimos - "Enquanto agirmos somente de acordo com a nossa intuição, temos uma perspectiva incorreta dos fatores mínimos."
passo 3: colocar objetivos qualitativos - "o que aconteceria se o índice de qualidade duplicasse em todas as áreas de trabalho da igreja?"
passo 4: identificar os empecilhos - "nem tudo que é espiritualmente desejável pode ser implantado na igreja."
passo 5: Aproveitar os pontos fortes da Igreja - "Se é amedrontador tratar isoladamente um fator mínimo, concentrar os esforços no pontos fortes causa um atitude positiva na Igreja."
passo 6: reproduzir a vida - " Se a igreja tem saúde, mais cedo ou mais tarde vai se reproduzir."

conclusão:
O DESENVOLVIMENTO NATURAL DA IGREJA é, em resumo, uma declaração de guerra contra toda a tentativa de “fazer crescer”  a igreja de Jesus por força própria. Quem quer edificar a igreja no poder do Espírito Santo não pode ignorar os princípios de Deus.”      página 126 – 2º parágrafo


Bibliografia
* O desenvolvimento Natural da Igreja - Ed Evangélica Esperança
* A Prática do Desenvolvimento Natural da Igreja - Ed Evangélica Esperança

ps.apontamentos de aula no apontamento na sala de aula no Seminário Teológico Betel RJ, disciplina Eclesiologia com Prof Eduardo Luis de Carvalho Faria.  www.betel.me