C A H E R J

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Capelania Evangélica do Rio de Janeiro

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A Vida Eterna Hoje, segundo o Evangelho de João

Exposição Bíblica

A vida eterna HOJE , segundo o Evangelho de João.
Disse Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente" (Jo 11.25,26).     

INTRODUÇÃO
            Nenhum outro escritor do Novo Testamento utiliza tanto a expressão vida eterna como o apóstolo João.   Enquanto nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) vida eterna aparece 6 vezes, em João temos nada menos que 17 ocorrências. Isto não significa que nos evangelhos sinóticos o tema da vida eterna seja ignorado, pelo contrário, os três primeiros evangelhos tratam do mesmo tema quando falam do reino de Deus. Ambos (vida eterna e reino de Deus) pertencem à mesma categoria teológica, e são sinônimos.
            Segundo C. K. Barret, vida eterna em João "substitui o reino de Deus dos evangelhos sinóticos". E mais: "Aquilo que é, propriamente, uma bênção futura torna-se um fato presente em virtude do futuro em Cristo".
O substantivo "vida" em grego pode ser bíos ou zoê.
            Bíos significa a vida física, biológica e Zoê aquela qualidade espiritual de vida eterna que só Jesus é capaz de oferecer.    Em João zoê pode vir ou não acompanhado do adjetivo "eterno", que em grego é aiõnios. Na maioria das vezes temos zoê aiõnios (vida eterna), e mesmo quando zoê está sozinho, em João sempre significa vida eterna.
1. A NATUREZA DA VIDA ETERNA
            A vida eterna é uma obra da livre graça de Deus. A salvação em sua maior expressão. Nem mesmo a morte física serve de obstáculo para a vida eterna; pelo contrário, a morte, para os crentes, é "uma libertação do pecado e um passo para a vida eterna" (Catecismo de Heidelberg).
Disse Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente" (Jo 11.25,26).  
            A natureza essencial da vida eterna foi descrita pelo Senhor Jesus assim: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste" (Jo 17.3). Esta passagem "não define vida eterna, mas mostra como se manifesta e quão maravilhosa é" (William Hendriksen). E de que forma ela se manifesta? Hendriksen explica: "A vida eterna por meio da qual tanto o Pai como o Filho são glorificados se manifesta no verdadeiro conhecimento do que envia e do enviado".
 
2. A VIDA ETERNA É IRREVERSÍVEL
Ter a vida eterna é o mesmo que estar salvo num processo irreversível (cf. Jo 5.24; 6.47; 10.27,28). Como o próprio nome indica, vida eterna não é uma coisa que temos hoje e perdemos amanhã. Neste caso seria vida temporária e passageira, jamais eterna!
3. A VIDA ERTERNA É INTIMIDADE COM O SENHOR
            Segundo George Ladd, "Em João, o conhecimento é uma relação com base na experiência. Existe uma relação íntima, mútua, entre o Pai e o Filho; por sua vez, Jesus conhece seus discípulos e por eles é conhecido; e, em conhecê-lO, eles também conhecem a Deus". Disse Jesus: "Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas" (Jo 10.14,15).
Em se tratando de nossa relação com Jesus, é preciso entender que este conhecimento, longe de ser uma simples questão de compreensão intelectual, envolve sempre um relacionamento pessoal de íntima comunhão com nosso Senhor. Este é o significado básico do verbo conhecer em João.
4- VIDA ETERNA É EXPERIMENTAR A VERDADEIRA LIBERDADE
Conhecer a Deus é conhecer a verdade libertadora. "Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8.32). Conhecer a verdade "significa chegar a compreender o propósito salvador de Deus, incorporado em Cristo, e a liberdade prometida é a liberdade do pecado (Jo 8.34), liberdade essa que não poderia ser realizada sob as condições da antiga aliança, mas somente através do Filho [Jo 8.36]" (Ladd). E ainda: "A verdade de Deus não está apenas incorporada em Cristo, mas é também manifesta em Sua palavra, pois Ele fala a verdade (Jo 8.40,45) e veio para dar testemunho da verdade (Jo 18.37). Esta verdade não é simplesmente a revelação daquilo que Deus é, mas a manifestação da presença salvadora de Deus no mundo. Portanto, tudo o que Jesus fez e oferece é verdadeiro (Jo 7.18; 8.16), isto é, está de acordo com a Sua natureza e com o plano de Deus. Este propósito redentor é a palavra de Deus (Jo 17.6,14) é a própria verdade (Jo 17.17), a qual é uma com a pessoa do próprio Jesus (Jo 1.1)".
CONCLUSÃO:
            Nossos piores momentos resultam de querermos agarrar para nós aquilo que o Pai não nos deu.
Temos que viver no poder Dele, não no nosso. Nas escrituras encontramos:
“E Deus é capaz de fazer com que toda a graça recaia em abundância sobre o nós, assim como sobre todas as coisas, em todos os tempos; tendo tudo que necessita, teremos assim boas ações em abundância”.
“ Agora para Ele, que é capaz de fazer incomensuravelmente mais do que tudo o que nós pedimos ou imaginamos, segundo Seu poder que está agindo em nós...”
“ Eu conheço Aquele em quem acredito e estou convencido de que Ele é capaz de guardar o que confiei a Ele Hoje.”
“ E, portanto, Ele é capaz de salvar completamente aqueles que chegam até Deus por meio Dele, porque Ele sempre vive para interceder por eles”.
E Ele “é capaz de impedir sua queda e de apresentá-lo perante Sua gloriosa presença sem pecado e com grande alegria”.
            Confie em Deus. Aprender a viver confiando no Pai é a parte mais difícil dessa jornada. Fazemos muitas coisas motivadas pela desconfiança de que Deus não está trabalhando por nós, porque não temos idéia das ações que a fé é capaz de gerar.
            Seremos uma comunidade quando conseguirmos aumentar nossa confiança em Deus e deixar de viver no medo.   Viver na dependência do PAI. 
Baseado no livro de Wayne Jacobsen e no estudo do Rev. Josivaldo de França Pereira - Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (I.P.B.)

A Familia da Graça - Exposição Bíblica


TEMA: A Família da Graça.

IDÉIA CENTRAL DO TEXTO: Todos fazemos parte de uma família que foi unida pela graça de Deus.
OBJETIVO: Comunhão.
OBJETIVO ESPECÍFICO: Conscientizar os ouvintes da necessidade de oração, cooperação e esperança no meio da Igreja.
ESBOÇO:
INTRODUÇÃO
            Todos nós fazemos parte de uma família. Umas mais tranqüilas, outras mais turbulentas. Eu por exemplo tenho 3 (três) mulheres. Quando as três querem me fazer carinho chega a ser um problema. O complicado mesmo é quando as três vem dormir comigo. E olha que é uma mais bonita que a outra... Minha esposa e minhas duas filhas.
            A convivência familiar traz a tona uma grande necessidade humana: A necessidade de se sentir amado. Me recordo agora de um músico brasileiro que poetizou em sua canção:
Eu tava triste, tristinho...
Mais sem graça que a top model magrela, da passarela.
Eu tava só, sozinho...
Mais solitário que um paulistano, que um vilão de filme mexicano.
Tava mais bobo que banda de rock, que um palhaço do circo Vostok
Mas ontem recebi um telegrama, era você de Aracajú ou do Alabama
Dizendo: Nego, sinta-se feliz, porque no mundo tem alguém que te diz
Que muito te ama, que tanto te ama,
Que muito te ama, que tanto, tanto te ama.
Por isso hoje eu acordei com uma vontade enorme de mandar flores ao delegado,
De bater na porta do visinho e desejar: Bom dia!
De beijar o português da padaria...

            É disso que o amor é capaz. E não há melhor lugar no mundo para experimentarmos isso do que numa família. O melhor é quando fazemos parte de mais de uma família. Como isso é possível? Coisas que apenas o Evangelho pode proporcionar. Todos os cristãos fazem parte de uma família: A Família da Graça (V. 7b). Existem coisas muito especiais nessa família que passo a compartilhar com os irmãos.

LEITURA BÍBLICA: Filipenses 1:3-7
1 – Na família da graça existe oração (V. 3-4)
1.1  – A gratidão pelos irmãos na Fé (V. 3a)
1.2  – Oração com Alegria (V. 4)
2        – Na família da graça existe cooperação (V. 5 e 7)
2.1  – Cooperação ao Evangelho (V. 5): Cooperação a uma missão.
2.2  – Cooperação entre os irmãos (V. 7)
3        – A família da graça tem um futuro (V. 6)
3.1  – Esta família teve um início (V. 6a)
3.2  – Esta família tem um futuro garantido (V. 6b)

CONCLUSÃO
            Na família da graça existe oração, mas uma oração que integra ação em sua prática. Existe cooperação não apenas entre si, mas canalizada em uma missão. Tem um futuro repleto de passado, de promessas, de gente, de pessoas como nós que algum dia foram chamadas para fazer parte desta família, da nossa família. A família da graça.
            Que Deus nos faça viver todo o futuro e presente que tem para nossa família.

STBSB - SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO SUL DO B
FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO - 2008
DISCIPLINA:  PRÁTIA DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA I     PROF. ROQUE 
 Aluno: Washington Luis Andrade Campello                     1.SEM 2008

A Fidelidade de Deus através dos tempos

por: Washington Campello

TEMA:  A Fidelidade de Deus através dos tempos.
IDÉIA CENTRAL DO TEXTO: A fidelidade de Deus não está relacionada com a quantidade de problemas que enfrentamos.
OBJETIVO: Pastoral.
OBJETIVO ESPECÍFICO: Conscientizar os ouvintes que a fidelidade de Deus sempre nos acompanha.
ESBOÇO:
INTRODUÇÃO
            Deus é Fiel! Em nossa vida cristã já escutamos diversas vezes esta frase. Ela se tornou tão corriqueira que não temos parado para comprovar que ela é real. Se tornou tão comum que temos nos tornado desatentos para as inúmeras demonstrações da fidelidade de Deus. Tenho certeza que hoje mesmo essa frase já se fez real em sua vida e talvez você nem percebeu. Se está se perguntando “como”, quero lhe fazer uma afirmação: A fidelidade de Deus não está relacionada diretamente com a ausência de problemas em sua vida, com a quantidade de dinheiro que você tem no bolso ou com quantas “vitórias” você teve “hoje”, mas sim, com a certeza de que Deus nunca vai te abandonar e a convicção, sim, de sua vitória, entretanto nem sempre ela chegará no “hoje” ou no dia que você preestabelecer.

            Gostaria de lhe mostrar na bíblia como Deus tem se demonstrado fiel a seu povo.
LEITURA BÍBLICA: Atos 7:1-60
1 – Deus é aquele que promete, cuida e protege (V. 2-16)
1.1  – A promessa de Abraão (V. 2-5)
1.2  – O cuidado de Deus com seu povo (V. 6-8)
1.3  – Deus transforma mal em bem (V. 9-16)
2        – Deus é aquele que liberta seu povo e cumpre suas promessas (V. 17-38)
2.1  – Deus se lembra do seu povo (34)
2.2  – Deus nos conduz a terra prometida.
3        – Deus é aquele que está conosco até o fim (V.54-60)
3.1  – Ele nos espera (V. 55-56)
3.2  – Ele nos escuta (V. 59-60)

CONCLUSÃO
            Vivemos num tempo de um triunfalismo exacerbado onde muitas vezes temos associado problemas com o abandono Divino. Deus não necessita das nossas experiências para continuar sendo fiel. Podemos ver de capa a capa nas escrituras servos de Deus sofrendo, mas com uma gratidão humanamente irracional a Ele. Essas pessoas aprenderam a ver um Deus fiel, que muito mais que nos livrar da fornalha da provação, Ele prefere nos preservar intactos dentro dela para que possamos ver que mesmo com o fogo, mesmo com a fornalha, Ele permanece fiel.
Que assim como Estevão possamos, mesmo em meio as circunstâncias mais adversas, olhar para cima e enxergar um Deus que permanece conosco.

Em Busca de Uma teologia estética - NOVAS CORRENTES CONTEMPORÂNEAS EM TEOLOGIA


 Em Busca de Uma teologia estética
Luiz Sayão
                                                                                                                                                                   PROFESSOR: HENRIQUE ARAUJO
A fé cristã teve uma trajetória traumática com as manifestações artísticas. Desde o início do cristianismo a relação entre fé e arte sempre foi de suspeita. Por que será que isso aconteceu? De onde veio essa ruptura? Tem explicação?
Os judeus e os primeiros cristãos sempre contemplaram as manifestações artísticas dos pagãos e dificilmente dissociavam uma coisa da outra. A arte dos egípcios, babilônios, filisteus, gregos e romanos estava repleta de idolatria e de imoralidade. Não é difícil entender a repulsa de judeus e cristãos a tais manifestações. Além disso, foi o próprio Deus que proibiu a confecção de imagens de escultura (Êx 20.4-5) como objeto de culto. O mandamento foi levado a sério pelos judeus. Não temos quase nada de esculturas hebraicas dos tempos bíblicos. No cristianismo primitivo a tendência prosseguiu. Todos sabem que a controvérsia das imagens foi um dos principais problemas da história da igreja. Até hoje católicos e protestantes têm linhas demarcadas em torno da questão.
Na área da música, as coisas também foram complicadas. O Novo Testamento fala pouco de música cantada na igreja. A igreja cristã sempre temeu que a música se tornasse um ídolo que prejudicasse a adoração genuína. O canto gregoriano tornou-se um estilo musical que evitava os desvios da alma. O problema persistiu na época da Reforma.
O zelo por uma espiritualidade genuína e o medo da idolatria muito limitaram a expressão estética. Instrumentos musicais foram vistos com desconfiança. Os calvinistas mais radicais mostraram essa ruptura. Houve até mesmo uma destruição em massa de órgãos na Escócia. Graças à tradição luterana alemã, a música protestante teve força cultural e depois foi exportada para outros ambientes. O fato é que essa tradição de medo da arte teve efeito no evangelicalismo anglo-saxão e chegou também ao Brasil.
Em terras brasileiras a arte entre evangélicos teve outro agravante. Como era proibido construir templos no início da história protestante, nossos templos pareciam “caixotes da fé”, com pouquíssima referência estética. Além disso, por sua identidade anti-católica, símbolos como a cruz entre outros também foram abolidos. Em resumo, nossa herança estética é mínima. Por que tão grande divórcio?
Antes de iniciarmos qualquer preteritoclastia, é preciso observar que o problema da ruptura com a arte surgiu da leitura da própria Bíblia Quando lemos a gênese da arte nas Escrituras, ficamos assustados. Tudo começa com a família de Caim. A arte começa num ambiente anti-Deus, com características más como independência de Deus, imoralidade e violência. O toque final da estética de Caim aparece na figura da Cidade, resumo daquela civilização anti-Deus:
19 Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá. 20 Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. 21 O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 22 Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá. 23 Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. (Gn 4.19-22 – NVI)
Mas a pergunta que devemos fazer é: será que o início da estética compromete plenamente sua manifestação? O problema está na arte ou no coração do homem? Deus criou tudo bom e bonito (cf. o hebraico: Gn 1.31). Na verdade, Deus é o Senhor de toda arte! Ele é o Deus da estética. Por isso, vejamos outros enfoques estéticos nas Escrituras:
Em Êxodo 31.1-7 (NVI), há um texto bíblico surpreendente: 1 Disse então o Senhor a Moisés: 2 “Eu escolhi Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3 e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística 4 para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, 5 para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal. 6 Além disso, designei Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, para auxiliá-lo. Também capacitei todos os artesãos para que executem tudo o que lhe ordenei: 7 a Tenda do Encontro, a arca da aliança e a tampa que está sobre ela, e todos os outros utensílios da tenda ...
Como pode o Deus que proibiu “fazer imagens de escultura” ordenar a confecção artística do tabernáculo (Êxodo 25 a 40), o que incluía a imagem de dois querubins! E o texto ainda diz que a capacidade de criar e expressar o Belo veio do Espírito de Deus! Começa aqui uma história de redenção da arte.  Deus condenava a idolatria, mas nunca foi seu objetivo destruir a própria arte.
Prosseguindo pela Bíblia, vamos encontrar arquitetura e estética espacial no templo de Salomão, música muito elaborada nos Salmos e em outras partes, muita poesia cuidadosamente trabalhada em grande parte de toda a Bíblia. Há inclusive uma espécie de encenação teatral nos profetas (Ezequiel). Deus é o Senhor de toda arte! Mesmo que a motivação de muitos cristãos tenha sido sincera, muito da teologia da estética presente na Bíblia não foi percebido por eles. Por isso, herdamos um cristianismo de expressão tão sisuda, e às vezes melancólica, que tem dificuldades de dialogar com a estética e com a cultura nacional contemporânea.
A questão é muito séria porque a arte tornou-se fundamental para a sociedade contemporânea. É o principal meio de veiculação de conteúdo. O pensador Francis Schaeffer criticou a atitude de afastar-se da arte comum do evangelicalismo americano no início do século 20. Isso foi mortal para a igreja, pois a música e o cinema tornaram-se monopólio do pensamento secular. O conservadorismo entregou as novas formas de expressão ao mundo não cristão, facilitando a formação de uma geração secular e pagã!
Por isso, a igreja precisa redescobrir o valor e o poder da arte. Mesmo que seu início na história bíblica seja maculado e que seu transcurso histórico esteja muito marcado pelo pecado, na Bíblia Deus redime a arte, para a sua honra e sua glória. Hoje, vemos ritmos como valsa, rock e samba, que surgiram longe dos arraiais da fé, serem usados por Deus para o benefício do reino. O que era para o mal, tornou-se bem! Deus dá um nó no Mal!
A vitória de Deus é extraordinária. Vale observar que o Apocalipse termina a Bíblia cheio de arte e cheio de muita música. Até a Cidade, símbolo da arte e do progresso do mal, é transformada em bênção (Ap 21.1-4). Que Deus use cada Bezalel e Aoliabe de hoje. Nunca a relevância do artista cristão foi tão importante na história!

RESENHA - EM DEFESA DA FÉ

RESENHA - EM DEFESA DA

Resenha – Em defesa da fé

Alderi Souza de Matos
STROBEL, Lee. Em defesa da fé. Trad. Alderi S. Matos. São Paulo: Editora Vida, 2002. 363 p.

Um dos maiores desafios enfrentados pelos cristãos é a existência
de certas questões espinhosas levantadas pelos céticos que parecem pôr em cheque algumas afirmações centrais da fé cristã. Isto vem acontecendo desde os primeiros tempos da igreja, como comprovam tanto os documentos do Novo Testamento quanto os escritos dos apologistas e polemistas, os defensores intelectuais do cristianismo no 2º e no 3º séculos. O mundo contemporâneo, secularizado e pluralista, herdeiro do iluminismo e do racionalismo, continua a fazer formidáveis questionamentos à fé cristã, questionamentos esses que são um obstáculo para muitos descrentes e uma fonte de incertezas para um grande número de cristãos. Essas objeções concentram-se em torno de questões como a fidedignidade da Bíblia, a veracidade das alegações cristãs, bem como a natureza e o caráter de Deus.

O jornalista e pastor norte
-americano Lee Strobel, residente em Orange County, Califórnia, resolveu examinar especificamente a questão da fé e da dúvida diante das dificuldades intelectuais e teológicas levantadas pelos críticos do cristianismo. Ele identificou oito dessas objeções mais contundentes e entrevistou um igual número de especialistas cristãos no sentido de respondê-las de maneira relevante para o homem moderno. Com esse livro, Strobel dá continuidade a uma série de obras apologéticas que começou com Em Defesa de Cristo (também publicado pela Editora Vida).

O ponto
de partida de Strobel é a história de Charles Templeton, um jornalista que se converteu, abraçou o ministério pastoral e tornou-se companheiro de Billy Graham em suas primeiras campanhas evangelísticas. Pouco depois, no entanto, Templeton foi vencido pela incredulidade e abandonou as suas convicções cristãs. Eventualmente, escreveu um livro sobre suas experiências, intitulado Despedindo-se de Deus: Minhas razões para rejeitar a fé cristã. Ao ser entrevistado por Strobel, o ex-pregador afirmou que o fato específico que o levou a perder a fé em Deus foi uma fotografia publicada na revista Life. Nessa foto, tirada durante uma seca devastadora, uma mulher africana segurava nos braços o filhinho morto e olhava para o alto com uma expressão de desalento. Templeton disse que a partir daquele momento ficou difícil acreditar em um Deus amoroso e misericordioso.

Os “oito grandes” enigmas examinados por Strobel são os seguintes: (1) a existência
de um Deus de amor diante da realidade da dor e do sofrimento; (2) a crença em milagres em face dos postulados da ciência; (3) o conflito entre as perspectivas da criação e da evolução; (4) o caráter de Deus à luz de passagens bíblicas em que é ordenada a morte de crianças; (5) a dificuldade de aceitar que Jesus é o único caminho para Deus quando milhões de pessoas nunca ouviram falar dele; (6) o problema do amor de Deus diante da realidade do inferno; (7) a violência e os erros da igreja cristã ao longo dos séculos; e (8) as dificuldades daqueles que crêem, mas ainda têm algumas dúvidas.

Os entrevistados foram, respectivamente, o filósofo católico Peter John Kreeft, o apologeta e filósofo William Lane Craig, o cientista texano Walter L. Bradley, o apologeta e escritor Norman L. Geisler, o conferencista indiano Ravi Zacharias, o filósofo J.P. Moreland, o historiador John D. Woodbridge e o pastor e líder cristão Lynn Anderson. Todos são professores e autores bem
-conhecidos nos círculos evangélicos norte-americanos. Seis deles têm grau de Ph.D., em diferentes áreas.

Como Strobel declara, a partir
da sua experiência pessoal como ex-ateu, os problemas que o interessam são as objeções não somente racionais, mas emocionais, que as pessoas levantam contra a fé, contra o próprio ato de crer. Muitas dessas pessoas chegam a ver certos aspectos atraentes no cristianismo, mas não conseguem transpor algumas barreiras que as impedem de crer. A abordagem é interessante e acessível, devido ao estilo jornalístico do autor e ao bom uso da técnica de entrevistas. Ao mesmo tempo, o livro não deixa de ser profundo e instigante, em virtude do calibre dos entrevistados, quase todos estudiosos há longo tempo dos temas que lhes foram propostos. Cada capítulo termina com uma série de perguntas para reflexão adicional e estudo em grupo.

A primeira objeção abordada, a questão do mal e do sofrimento, é reconhecidamente uma das mais difíceis
de responder. O entrevistado argumenta que o poder, a onisciência e a bondade de Deus não conflitam com a existência do mal. Este não é de modo algum resultado da ação divina, mas decorre de escolhas humanas, do livre arbítrio. Não haveria verdadeira liberdade no ser humano sem a possibilidade de escolha do mal. Isso levanta uma pergunta, que deixa de ser respondida: E na eternidade, onde não mais existirá a possibilidade do mal, as pessoas não serão livres? Ao abordar a segunda objeção, a questão dos milagres, o entrevistado traça uma distinção interessante entre os milagres atribuídos a Cristo pelos evangelhos e aqueles atribuídos a Maomé pela tradição islâmica (Hadith), não pelo Alcorão. A questão mais central no que diz respeito aos milagres é a da própria existência de Deus, defendida com cinco argumentos: Deus dá sentido à origem do universo, à complexidade do universo, aos valores morais objetivos e à ressurreição, e pode ser experimentado imediatamente.

O capítulo sobre criação e evolução talvez seja o melhor
de todo o livro. Um respeitado cientista, autor de muitos livros e artigos sobre o assunto, aborda com argumentos bastante pertinentes um elemento crucial que a teoria da evolução e a ciência em geral até hoje não puderam explicar – a origem da vida. As seis principais teorias sobre a chamada “evolução pré-biológica” são rebatidas de modo convincente, ao mesmo tempo em que se demonstra a única opção possível: a explicação teísta. O capítulo seguinte aborda a difícil questão das crueldades atribuídas a Deus no Antigo Testamento, o que levanta sérias indagações acerca do caráter divino. Vale lembrar que essas preocupações existiram desde a Antigüidade, como atestam os questionamentos de Márcion, no segundo século, e a predileção pelo método alegórico de interpretação bíblica, tanto pelos judeus (Filo) como pelos cristãos. Ainda que muitas histórias chocantes do Antigo Testamento não impliquem em aprovação das ações descritas, mesmo assim existem diversas passagens inquietantes, tais como 1 Samuel 15.3 e 2 Reis 2.23-24. A questão mais profunda em jogo é a própria confiabilidade da Bíblia, a base para se avaliar o caráter de Deus. São apresentados dois argumentos em prol dessa fidedignidade: a confirmação pela arqueologia e as evidências de origem divina, tais como as profecias e os milagres.

A quinta objeção diz respeito às alegações
de exclusividade e superioridade feitas pelo cristianismo em relação às outras religiões. Ravi Zacharias, um indiano radicado nos Estados Unidos, lembra que outras religiões mundiais fazem a mesma reivindicação. Ele argumenta sobre a importância da ressurreição como atestado da divindade de Cristo, que é negada pelas outras religiões. Só o cristianismo responde de maneira plenamente satisfatória quatro questões fundamentais que toda religião procura elucidar: origem, significado, moralidade e destino. Quanto à questão daqueles que não ouviram de Cristo, o entrevistado levanta algumas possibilidades interessantes com base em passagens como Atos 17.26-27 e Romanos 1.20 e 2.14-15. O próximo tópico, a existência do inferno, possivelmente seja o mais difícil de todos. Segundo C. S. Lewis, “é uma das principais razões pelas quais o cristianismo é atacado como algo bárbaro e a bondade de Deus é impugnada” (O Problema do Sofrimento). O entrevistado responde a nove objeções referentes a aspectos da doutrina do inferno que parecem violar o senso humano de justiça.

A sétima objeção respondida tem a ver com as manifestações
de opressão e violência na história da igreja cristã. Como grandes manchas na história do cristianismo, são citadas as Cruzadas, a Inquisição, os julgamentos de feitiçaria em Salem (EUA), a exploração de nativos por parte de missionários e o anti-semitismo. Exemplos adicionais são a opressão da mulher e a escravidão. O entrevistado observa que tais práticas, certamente lamentáveis, não depõem contra o cristianismo em si, mas são um atestado da incoerência de muitos cristãos. O espírito do cristianismo aponta na direção oposta e tem dado grandes contribuições à humanidade. O último capítulo do livro analisa a questão da dúvida religiosa, suas raízes e diferentes manifestações. A fé e a dúvida são coisas que podem coexistir. A dúvida pode ter um papel positivo, quando leva a fé a tornar-se mais consciente, mais madura. Na conclusão, o autor destaca a importância de se considerar o conjunto das evidências a favor da fé cristã, ao invés de ficar preso a uma ou outra objeção isolada.

Em Defesa
da Fé é um livro valioso sobre um assunto deveras importante. Os diversos erros de revisão felizmente não prejudicam o entendimento da argumentação. Em certos pontos os argumentos parecem forçados e certamente só serão aceitos por quem já crê de antemão. Todavia, existe muito material de grande valor apologético, vazado em linguagem atraente e acessível. Talvez o maior senão do livro seja a sua ênfase arminiana na fé como simplesmente “vontade de crer”, deixando de levar em conta a complexidade do tema e a atuação misteriosa e imprescindível da soberania de Deus. No seu todo, é uma obra que pode trazer benefícios inestimáveis tanto para cristãos quanto para pessoas que buscam sinceramente a verdade sobre a fé cristã.

O ENCHER-SE DO ESPÍRITO SANTO


O ENCHER-SE DO ESPÍRITO SANTO
 INTRODUÇÃO    -   Todo filho de Deus está sob a ordem de "encher-se do Espírito" (Efésios 5:18). Então não fiquemos contentes somente por aprendermos esta doutrina, mas por estarmos em obediência, e de fato experimentarmos este "Encher".
I - O QUE NÃO É ENCHER-SE DO ESPÍRITO
            A. Não está recebendo mais do Espírito.  -   Todo filho de Deus é habitado pelo Espírito Santo. O Espírito de Deus é uma pessoa e seria loucura dizer que Ele pode ser recebido em proporções.
            B. Não é crescimento espiritual.     -  Os cristãos podem ser cheios do Espírito em todas as suas fases de maturidade. Um bebê em Cristo pode ser cheio do Espírito enquanto que um crente maduro pode estar falhando nesta área. O viver " cheio do Espírito " deveria ser visto como uma posição de boa saúde espiritual. A saúde pode ser experimentada em qualquer idade, contudo a falta de uma boa saúde é um impedimento ao crescimento formal, tanto no reino físico quanto espiritual.
            C. Não deve ser confundido com outros trabalhos do Espírito.   -  As experiências de "encher-se do Espírito" e "ser batizado com o Espírito" têm sido freqüentemente confundidas. Como esperado, o enchimento acompanhou o batismo em Atos 2, mas confundi-los é um sério erro que acaba pervertendo ambas as verdades. O batismo com o Espírito foi determinado para o dia de Pentecostes enquanto as pessoas estavam cheias do Espírito, mesmo antes do nascimento de Cristo. Somos instruídos a que sejamos cheios do Espírito, mas ninguém, nenhuma vez, foi instruído a que fosse batizado com o Espírito. São experiências distintamente diferentes.
II. O QUE É ENCHER-SE DO ESPÍRITO
Para ser cheio do Espírito, basta render-se a Ele em todas as áreas de sua vida. Comparada a embriaguez essa experiência é freqüentemente direta ou indireta (Efés 5:18; Lucas 1:15; Atos 2:13). Assim como o vinho controla o bêbado fazendo dele uma pessoa evidente, o indivíduo cheio do Espírito fica sob domínio do Espírito Santo. Ele torna-se evidente espiritualmente e capaz de testemunhar do Seu Senhor.
A experiência daqueles que estiveram cheios do Espírito parece muito variável. Na vida cristã normal o crente enche-se do Espírito enquanto confessa seus pecados e rende-se a Deus. Em uma certa instância o encher-se já não é tanto uma experiência emocional porém uma continuação de comunhão com Deus. Em outras ocasiões, o enchimento não foi procurado e veio com sinais especiais. Por favor, note nos seguintes versículos que a ocasião de encher-se era cercada de várias circunstâncias: Lucas 1:15;1:41;1:67;4:1, Atos 2:4;4:8; 4:31; 7:55; 9:17; 11:24; 13:9; 13:52
As escrituras mostram claramente que a experiência de ser cheio do Espírito Santo não segue um padrão em relação as circunstâncias antes e depois do Pentecostes, com ou sem sinais visíveis, e em muitos tipos diferentes de servos de nosso Senhor até mesmo uma criança ainda no ventre. A experiência está associada a louvor, evangelização e julgamento (no caso de Barjesus).
Tomando nota de tudo isso devemos ter o cuidado de relembrar que apesar dos eventos circunvizinhos, o encher-se é simplesmente o Espírito de Deus tomando controle de uma vida. Em nossa vida podemos ter tempos cheios do Espírito que se parecem como estar no topo de uma montanha enquanto que em outros momentos o render-se a Deus produz apenas alegria e paz na vida quotidiana do crente. Apesar da presença ou ausência de certas experiências devemos estar assegurados de que todo crente pode ser cheio do Espírito todo dia. Deus sabe o trabalho particular que precisa ser feito e então Ele pode determinar as circunstâncias do nosso Encher diário.


III. CONDIÇÕES PARA QUE ALGUÉM SEJA "CHEIO DO ESPÍRITO"
Devido a sermos instruídos a que sejamos "cheios do espírito" (Efésios 5:18) é óbvio que há certas condições que devem ser preenchidas em situações normais. O crente que deseja estar cheio do Espírito deve notar o seguinte:
            A. Não extinguir o Espírito - I Tessalonicenses 5:19.
            B. Não entristeçais o Espírito - Efésios 4:30.
            C. Andar com o Espírito - Gálatas 5:16. Render-se ao Espírito e não ao poder da carne.
            D. Orar - Atos 4:31, Lucas 11:13. Todo crente deve orar diariamente para um relacionamento mais íntimo com Deus para ter uma maior presença do Espírito em sua vida.
Como é triste para qualquer filho de Deus desonrar o Senhor permitindo que a carne arruine o seu testemunho (I Coríntios 3:3). Deus usa os que estão "cheios do Espírito" (Atos 6:3; 11:24).
IV. OS RESULTADOS DE SER CHEIO DO ESPÍRITO.
            A. Ousadia na pregação - Lucas 1:15-16, Atos 4:8, Atos 4:31, Atos 9:17-20, Isaías 61:1,.
            B. Gozo - Atos 13:52, Efésios 5:18-19.
            C. União - I Coríntios 3:1-3, Efésios 4:3.
            D. Louvor - Efésios 5:19-20.
            E. Crescimento espiritual - Quando Deus está no comando de nossa vida podemos esperar crescermos diariamente na graça e no conhecimento de nosso Senhor (II Pedro 3:18).
            F. O comportamento formal em nossas relações para com os outros - Em Efésios 5:21-6:9 Paulo fala sobre os vários deveres do marido, esposa, filho, pai, empregado e empregador. Note que o texto fala sobre o encher-se do Espírito (Efésios 5:18). Paulo não está ensinando com isso que podemos preencher nossas várias responsabilidades corretamente somente pelo poder do Espírito de Deus?

CONCLUSÃO
Tomara que cada um de nós tome como dever solene ser cheio do Espírito Santo. Ser cheio do Espírito deve ser visto como uma experiência norma da vida cristã e não um privilégio de poucos selecionados.